Douglão: “Fui para o exterior muito cedo e me arrependi”

Nas últimas semanas, o Kavala esteve em evidência no cenário brasileiro após ter contratado o brasileiro Denílson, pentacampeão Mundial, em 2002. O ex-jogador de São Paulo e Palmeiras fará companhia a outros dois brasileiros: Diogo Rincón, ex-Corinthians e Internacional, e Douglão, nosso personagem dessa entrevista.
O jovem Douglão, zagueiro, é um dos principais destaques desta modesta equipe grega. O Kavala subiu este ano para a divisão de elite e já nesta temporada faz boa campanha, tanto na Copa da Grécia, quanto no nacional. O jogador fala sobre a boa fase, uma possível transferência nessa próxima janela de transferência e sobre sua carreira.
Como é se tornar um dos principais jogadores do clube com apenas 23 anos?
Eu errei ao sair do Rio Claro. Fui para o exterior rapidamente e me arrependi. Eu tive um tempo na França e não tive oportunidades, mas isso me fez amadurecer. Aqui na Grécia estou conseguindo mostrar o meu valor apesar da pouca idade.
A transferência para um grande clube da Grécia é bastante cogitada para esse mercado, já que você está se destacando?
Tive muitas propostas da Grécia e da Alemanha. Mas foi preferência do presidente do Kavala me manter no clube nessa janela de inverno. O ideal seria jogar em algum grande da Grécia para jogar a Liga dos Campeões. O Panathinaikos e Paok foram os clubes gregos que me procuraram. Da Alemanha, o Werder Bremen e o Hertha.
Quais são os segredos para um jovem jogador dar certo na Europa?
O segredo é ter os pés no chão e saber da realidade do futebol. Me apeguei aos companheiros. Tive uma boa recepção e isso facilitou o meu trabalho.
Como os brasileiros são tratados aí na Grécia?
De forma geral, dão muito destaque aos brasileiros e tratam muito bem a todos. Eles sabem que o campeonato só tem a evoluir com o nosso futebol.
O Kavala subiu esse ano para a divisão principal. Esperava uma boa campanha logo de início?
Eu vim para cá e não conhecia o clube, mas fomos surpreendendo e chegamos nas primeiras colocações. Depois, por conta de suspensões e contusões, tivemos uma queda de produção, mas isso não desmerece a nossa campanha.
Para você, porque o Zico não deu certo no Olympiakos?
Não acompanhei o trabalho do Zico direito, pois não dá para saber o que escrevem nos jornais. Prefiro não comentar sobre esse assunto. O fato é que o Zico classificou o time para as oitavas de final da Liga dos Campeões.
Como os jogadores, e principalmente os brasileiros, receberam a contratação de Denílson, jogador pentacampeão Mundial?
A gente fica feliz. Ele tem muita qualidade, renome internacional e vai nos ajudar muito.
Como é seu relacionamento com Diogo Rincón? E os outros brasileiros das outras equipes?
Temos relação de irmãos, um cuidando sempre do outro. Isso que senti falta na França. O Diogo facilitou muito a minha estada na Grécia. Ele me ajuda dentro e fora de campo.
Os jogadores ainda acreditam numa vaga para a Liga Europa? Como está o ambiente da equipe?
Estamos confiantes na Copa da Grécia. Se ganharmos, vamos para a semifinal. Se formos para a final contra o Panathinaikos, já estaremos automaticamente na Liga Europa.
Panathinaikos, Olympiakos ou PAOK, quem leva o Grego?
Acho que vai dar Panathinaikos, pois tem seis pontos na frente. Acho difícil tirar esses pontos. Mas tudo pode acontecer.
E a Copa da Grécia?
A nossa equipe está confiante e sabe que tem condições de chegar à final com a nova comissão técnica. Traçamos este objetivo e vamos em busca dele.
No empate entre Olympiakos e Kavala, vocês sentiram a pressão que culminou com a queda do Galinho. Os jogadores tiveram que ser escoltados. Como vocês adversários viram essa cena?
A relação entre a torcida e a equipe do Olympiakos é de muito fanatismo. A cobrança é grande, pois o time é qualificado. O fato de ter empatado conosco gerou a reação deles.
Hoje você vive bom momento na carreira. A passagem pelo Internacional foi seu pior momento?
Não fui aproveitado no Inter e perdi a confiança. Foi um período difícil, mas não me arrependo. Todos foram gentis comigo na minha estada lá.
Quais são as maiores diferenças entre o futebol francês e o grego?
O Grego é um campeonato inferior ao Francês, pois lá tem muitos estrangeiros. Aqui na Grécia isso está melhorando agora. Ano após ano deve evoluir e abrir as portas para os estrangeiros.
No início da carreira, você pediu que o chamassem de Douglas ou Douglas Ferreira, mas hoje já “pegou” o Douglão, certo?
No Coritiba, tinham três Douglas. Eu era Douglas Ferreira. Em 2006, virei Douglão e deu certo. Pensei em tirar aqui na Grécia, mas graças a Deus está dando certo.
Na primeira temporada com o Nantes veio o rebaixamento, como foi a sensação, já que havia sido rebaixado com o Rio Claro?
Não tive muitas oportunidades e fiquei angustiado, pois alguns defensores estavam mal e não confiaram muito em mim para voltar ao time. Mas a minha vinda para cá mostrou o meu valor. O presidente do Nantes me enviou uma proposta de contrato para eu voltar para lá, já que sou 50% do Nantes e 50% do Kavala. Eu neguei a possibilidade, pois não me senti bem lá. Eu dei a volta por cima aqui na Grécia.
Após a saída do Nantes, você teve uma rápida passagem pelo Rio Claro, como foi essa experiência?
O Rio Claro me abriu as portas quando saí do Inter. Eu tinha que voltar ao Coritiba, mas não teria oportunidade lá. Resolvi ir para o Rio Claro para jogar e amadurecer. São pessoas muito queridas que deixei lá e tenho carinho por todas elas.
Como foi o início de carreira? Esteve nas categorias de base do Coritiba ou começou em outra equipe?
Joguei na base do Santos por quatro anos e cheguei no Infantil do Coritiba, onde me profissionalizei.
Quais são as chances da Grécia nesta Copa do Mundo? O time pode surpreender igual na Eurocopa de 2004?
No futebol não existe mais aquela superioridade das equipes. A Grécia é bem treinada, tem jogadores rodados. Acho possível fazer um bom papel e espero que isso aconteça. Quem sabe eles não olham por mim? Entrei na seleção da rodada várias vezes aqui…
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