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Desta vez, eles não vão à Copa

Faz parte da ‘mitologia’ que cerca uma Copa do Mundo discutir as surpresas. Não apenas as positivas, de pequenos que encontram espaço para um brilhareco, mas também para as decepções. E, nesse bojo, entram as seleções que ficaram ainda nas eliminatórias. Porque elas serão lembradas sempre que um time se mostrar muito ruim durante o Mundial, mas poucos param para analisar o real motivo de cada eliminação.

Assim, a Trivela fez um pequeno guia que analisa a ausência de algumas seleções na Copa da Alemanha. O critério de escolha não foi necessariamente pelo nível técnico ou pela tradição, mas pelas equipes com maior chance de serem lembradas durante a competição pelo fato de suas presenças já serem comuns ou por deverem, em teoria, ter um lugar no Mundial.

Uruguai

Posição no ranking Trivela das Copas: 5º (296,5 pontos)
Porque será lembrado: é o único campeão mundial que não passou pelas eliminatórias
Porque caiu fora: faltou planejamento
Time-base nas eliminatórias: Carini; Diogo, Montero, Lugano e Varela; Pablo García, Darío Rodríguez, Richard Morales e Recoba; Zalayeta e Forlán

O Paraguai até é capaz de realizar um bom papel no cenário internacional, mas o mesmo não se espera do Equador. O que despertará a dúvida sobre como o futebol sul-americano poderia ser mais bem representado na Alemanha. E, com o Uruguai, seria.

A Celeste Olímpica tem, no papel, muito mais time que os equatorianos e poderia assegurar uma vaga na Copa sem ter evitado a perigosa repescagem contra a Austrália. Sinal disso é que foi a única equipe sul-americana a ficar invicta contra o Brasil. O problema é que os charruas não se planejaram adequadamente no início das eliminatórias e, com um projeto equivocado do técnico Juan Ramón Carrasco, o time se desmontou e todo o primeiro turno foi desperdiçado.

A chegada de Jorge Fossatti deu novo rumo à caminhada uruguaia e os celestes recuperaram sua consistência. A defesa – maior fraqueza no início das eliminatórias – se remontou, mas o déficit já era grande e o máximo que o Uruguai conseguiu foi o quinto lugar e uma vaga na repescagem.

Pela tradição, os celestes deveriam passar com facilidade pela Austrália. Fato que deve ser lembrado pela imprensa durante a Copa. O que muitos esquecem é que, depois das animosidades a que os Aussies foram submetidos na repescagem para o Mundial de 2002, justamente diante do Uruguai, criou-se um clima de grande rivalidade. Nesse contexto, o duelo foi pautado mais pela emoção do que pela técnica. E, experientes e determinados, os australianos acabaram vencendo nos pênaltis.

Turquia

Posição no ranking Trivela das Copas: 28º (43,3 pontos)
Porque será lembrado: foi semifinalista da Copa de 2002
Porque caiu fora: adversários fortes
Time-base nas eliminatórias: Volkan; Seyhan, Alpay, Ozat e Hamit Altintop; Metin, Emre, Basturk e Buruk; Tuncay e Hakan Sükür

Há quatro anos, estranhar a ausência da Turquia em uma Copa seria considerado, no mínimo, um grande exagero. Porém, o terceiro lugar dos turcos no Mundial de 2002 colocou a seleção em um novo patamar no cenário internacional. A partir daquela campanha, a Turquia se tornou uma equipe de respeito e passou a ser vista como uma força para os anos seguintes.

Porém, essa nova condição deve ser relativizada. A Turquia evoluiu, mas ainda era um time bom, nada mais que isso. Assim, um sorteio que colocou os turcos ao lado de forças de nível similar como Ucrânia, Grécia e Dinamarca deixou margem a uma surpresa negativa para os terceiros colocados na última Copa.

A campanha da equipe nas eliminatórias teve seus ‘pecados’, como perder de 3 a 0 em casa para a Ucrânia. Mas ainda houve condições de chegar à repescagem. O problema é que, aí, novamente os turcos enfrentaram uma seleção de nível parecido com o seu, a Suíça. Foi por pouco: acabaram eliminados na regra de gols fora de casa.

Grécia

Posição no ranking Trivela das Copas: 65º (4,2 pontos)
Porque será lembrado: é a atual campeã européia
Porque caiu fora: faltou time
Time-base nas eliminatórias: Nikopolidis; Seitaridis, Goumas, Kapsis e Fyssas; Katsouranis, Basinas, Giannakopoulos e Karagounis; Haristeas e Vryzas

A Grécia é campeã européia, o que já a credencia como equipe que tem uma certa obrigação de estar na Copa do Mundo imediatamente seguinte. Porém, como a Tchecoslováquia em 1978, os gregos não confirmaram seu título continental nas eliminatórias.

No caso dos helênicos, a discrepância foi a campanha na Euro 2004, não na queda prematura no Mundial. A equipe é tecnicamente fraca, mas, com uma estratégia muito bem definida de se defender com grande convicção e contar com ataques pontuais para vencer. Assim, conseguiu evoluir e ganhar uma competição curta como a Eurocopa.

No entanto, a mesma tática dificilmente daria certo em uma competição de pontos corridos, mesmo uma curta como as eliminatórias européias. Somando isso a um grupo intrincado com uma Ucrânia em boa fase e forças médias como Turquia e Dinamarca, os gregos acabaram eliminados.

Dinamarca

Posição no ranking Trivela das Copas: 32º (33,6 pontos)
Porque será lembrado: desde 1986, sempre é vista com carinho pelos torcedores
Porque caiu fora: adversários fortes
Time-base nas eliminatórias: Sorensen; Poulsen, Gravgaard, Priske e Helveg; Niclas Jansen, Gravesen, Claus Jensen e Jorgensen; Tomasson e Rommedahl

A Dinamarca foi outra vítima do Grupo 2 das eliminatórias européias. Tecnicamente, os dinamarqueses tinham mais recursos para escapar das armadilhas da chave que ainda contava com Ucrânia, Turquia e Grécia. Porém, não apresentaram o futebol organizado, insinuante e competitivo da Euro 2004.

Dessa forma, os eslavos falharam em alguns dos confrontos diretos da chave. Os dinamarqueses ainda tentaram uma arrancada nas últimas rodadas, mas não foi suficiente para superar os adversários em um dos grupos mais traiçoeiros das eliminatórias no mundo.

Camarões

Posição no ranking Trivela das Copas: 31º (34 pontos)
Porque será lembrado: tem um dos melhores jogadores do mundo e fica de fora de uma Copa pela primeira vez desde 1986
Porque caiu fora: desconcentração
Time-base nas eliminatórias: Hamidou; Kalla, Song e Wome; Geremi, Saïdou, Olembe, Makoun e Douala; Eto’o e Webo

Dois momentos resumem bem a trajetória de Camarões nas eliminatórias. Com um grupo complicadíssimo para os padrões africanos, como Camarões, Egito e Costa do Marfim, os Leões Indomáveis – como seus rivais à vaga única na Copa – dependeriam demais dos confrontos diretos.

O primeiro jogo-chave para os camaroneses foi contra a Costa do Marfim em Abidjã. Os marfinenses se classificariam com uma rodada de antecipação caso vencessem, mas um empate praticamente garantia a vaga aos Elefantes no Mundial. Mas, comandados pelo craque do Barcelona Samuel Eto’o, Camarões venceu no sufoco, por 3 a 2, e ficaram a uma vitória em casa para assegurar um lugar na Alemanha.

Os Leões Indomáveis fizeram 1 a 0 no primeiro tempo e procuraram conduzir preguiçosamente o jogo até o final. No entanto, uma desatenção da defesa camaronesa permitiu o empate egípcio a dez minutos do final. O desespero tomou conta de Camarões, que ainda conseguiu um pênalti aos 49 minutos do segundo tempo. Mas Wome chutou na trave e a vaga ficou com a Costa do Marfim.

Ficou claro que Camarões e Costa do Marfim se equivalem tecnicamente. Porém, os camaroneses não souberam manter o foco nos jogos teoricamente mais tranqüilos, desperdiçando a vantagem obtida nos confrontos diretos. O que, no fundo, acabou até invertendo a expectativa de que, pela experiência, os Leões Indomáveis eram favoritos.

Nigéria

Posição no ranking Trivela das Copas: 37º (23,1 pontos)
Porque será lembrado: uma das seleções africanas vista como força internacional
Porque caiu fora: desconcentração
Time-base nas eliminatórias: Enyeama; Enakarhire, Odiah, Taiwo e Yobo; Ayila, Aiyegbeni, Oruma e Okocha; Martins e Utaka

Ao contrário de Camarões, Nigéria e Senegal não podem usar a desculpa de que tinham um grupo forte diante de si. O caso dos nigerianos é o mais evidente, porque Senegal ainda não pode ser considerada uma força consolidada na África e ainda tinha a tradicional – e combalida – Zâmbia pela frente.

Mesmo contra Angola, Zimbábue, Ruanda, Argélia e Gabão, a Nigéria não conseguiu se impor. O termo “desconcentração” é bom para resumir o que ocorreu, somando a queda de rendimento normal em uma equipe em crise organizacional e sem comando com a insolência nigeriana em alguns momentos das elimiantórias.

O normal seria que, mesmo com alguns tropeços pelo caminho – derrota para Angola em Luanda e empate contra Ruanda –, a Nigéria conseguiria os resultados no momento que esses fossem necessários. Até porque, na fraqueza que predominava o grupo, dificilmente algum adversário apresentaria um desempenho consistente.

Pois Angola frustrou a expectativa nigeriana. Os lusófonos conseguiam bons resultados mesmo fora de casa e, no confronto decisivo com a Nigéria, arrancaram uma vitória e um empate. Quando os nigerianos perceberam o perigo que representavam os resultados titubeantes e a demora em definir um projeto para a Copa, já era tarde.

 

Bélgica

Posição no ranking Trivela das Copas: 17° (105,7 pontos)
Porque será lembrado: desde 1978 não ficava de fora de uma Copa
Porque caiu fora: equipe em transição de gerações
Time-base nas eliminatórias: Proto; Vanden Borre, Kompany, Van Buyten e Deschacht; Mbo Mpenza, Simons, Dufer e Daerden; Emile Mpenza e Vandenbergh

A Bélgica apresentou nas eliminatórias uma geração nova e de potencial. E a maior parte das promessas se confirmaram, como o meia Timmy Simons e a linha defensiva do Anderlecht, com o goleiro Proto atrás de Vanden Borre, Kompany e Deschacht. Mesmo assim, ficou de fora.

O problema dos belgas é que sua equipe sente falta de um meio-campista que ilumine o setor. Simons joga muito atrás, e os alas Goor e Mpenza não dão o aporte necessário para bons atacantes como Émile Mpenza, Luigi Pieroni e Kevin Vandenbergh. Além disso, os diabos caíram em um grupo complicado, com Espanha, Sérvia-Montenegro e Bósnia-Herzegovina.

O cenário já era espinhoso e as derrotas para a Espanha selaram o destino da Bélgica, especialmente a primeira, em casa. Também em casa, o insucesso contra Sérvia-Montenegro serviu para desestabilizar de vez o ambiente de uma seleção que não se classificou para as duas últimas competições importantes (Eurocopa e Copa do Mundo).

Com esses resultados, a federação achou melhor demitir o técnico Aimé Anthuenis, que assumiu em 2000 com muita moral e foi embora como maior culpado. De qualquer maneira, os belgas farão falta no Mundial, pois contam com alguns dos defensores mais promissores da Europa, como o goleiro Proto e o zagueiro Kompany. A Copa do Mundo certamente perde sem novas estrelas e os grandes europeus também lamentam a chance perdida de vê-los num cenário tão nobre.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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