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Depois da Copa, fracasso no clube

Dirigir a seleção de um país em uma Copa do Mundo é um dos pontos mais altos que um treinador de futebol pode chegar. A competição mais importante do planeta futebol é ainda uma enorme vitrine, por onde muitos jogadores conseguem transferências para clubes importantes depois de um bom desempenho. Com os técnicos, a lógica é a mesma: muitos conseguem empregos em grandes clubes após aparecer para o mundo na Copa.

O prestígio da Copa do Mundo, porém, nem sempre é suficiente para manter os técnicos nos cargos conseguidos por causa do Mundial. O trabalho nos clubes nem sempre surtem os resultados esperados, e o prestígio da Copa pode cair por terra quando a pressão por resultados chega. Confira quatro casos de técnicos que estiveram no torneio de futebol mais importante do planeta, mas que falharam ao dirigir clubes depois dos Mundiais.

Lazaroni na Fiorentina

Depois do fracasso no comando da seleção na Copa de 90, quando o Brasil foi eliminado nas oitavas de final pela Argentina, Lazaroni ficou sem muito prestígio no país natal. Seu estilo de jogo, com três zagueiros, não era bem visto e foi caracterizado como defensivo, algo “contra a história” da Seleção Brasileira. Lazaroni acertou sua ida para a Itália durante a Copa – ao mesmo tempo que jogadores discutiam por prêmios, quartos para suas mulheres, entre outros problemas que aquele time teve.

Com o final da competição, a ida do técnico para a Itália era vista com bons olhos, já que seu estilo mais defensivo era, teoricamente, mais próximo do futebol jogado no país europeu. A chegada de Sebastião Lazaroni foi envolvida por entrevistas como esta, em que o técnico gastava todo o seu italiano tentando conversar com os jornalistas do país, bem ao estilo Joel Santana falando inglês na África do Sul.

No futebol italiano, Lazaroni não teria problemas com o rótulo de defensivo. O técnico tinha um outro problema: perdeu Roberto Baggio, o mais importante jogador do time, vendido para a Juventus. Na temporada de 1990/91, a Fiorentina conseguiu apenas oito vitórias em 34 jogos. Foi um time que empatou demais, 15 vezes, além das 11 derrotas. O time viola acabou ficando perigosamente na parte de baixo da tabela e terminou em 12º lugar. A campanha desagradou a direção do clube, que esperava que o time brigasse pelas primeiras posições.

A temporada de 1991/92 começou com a contratação de Gabriel Batistuta, jogador que faria 13 gols em sua primeira temporada na Itália e rapidamente se tornaria um dos principais jogadores do clube nos anos seguintes. Outros jogadores, como Marco Branca e Mazinho, foram contratados para aquela temporada e se juntaram a Stefano Borgonovo e Dunga, outros jogadores importantes do time. Branca acabou ficando no banco por muitas partidas, o que significou cerca de € 15 milhões sem jogar. Para um clube que, ainda que tradicional como é a Fiorentina, não seja rico como o trio Juventus, Inter e Milan, é um desperdício que não poderia ser feito – ainda mais naquela época, quando os valores estavam menores do que atualmente, e essa quantia tinha um peso muito maior.

A campanha novamente não era boa. Desta vez, Lazaroni não conseguiu se segurar no cargo e acabou demitido antes mesmo do final da temporada – que acabou, novamente, em 12º lugar. Estava encerrado o ciclo de um técnico que chegou com o prestígio de treinador da Seleção Brasileira e saiu como um técnico que não conseguiu colocar em campo os jogadores contratados a peso de ouro.

Parreira no Valencia

Um técnico que leva a Seleção Brasileira ao título da Copa do Mundo depois de 24 anos de jejum atingiu o patamar máximo em sua carreira. Ao menos foi o que pensou o Valencia quando contratou Carlos Alberto Parreira para comandar a equipe, na temporada 1994/95, logo após o Mundial. Com a injeção de dinheiro no clube valenciano no início da década de 1990, a expectativa era de chegar ao topo da tabela.

Logo ao chegar no Mestalla, Parreira contratou dois jogadores: Andoni Zubizarreta, goleiro titular da Espanha, o atacante Oleg Salenko, artilheiro da Copa do Mundo dos Estados Unidos. O russo, porém, foi um fracasso no Mestalla. Não consegiu repetir o sucesso conseguido com sua seleção nos EUA. Os dois se juntaram ao astro Predrag Mijatovic, destaque iugoslavo na época (o jogador é montenegrino, mas durante sua carreira só jogou pela Iugoslávia e seleção de Sérvia e Montenegro). O técnico brasileiro, porém, não conseguiu os resultados que eram esperados dele.

O Valencia acabou o campeonato em 10º lugar, atrás de times como Real Oviedo e Espanyol. O time não consegiu classificar sequer para Copa Uefa, em um ano que se esperava brigar por vaga até na Liga dos Campeões. O time até chegou à final da Copa do Rei, mas despediu Parreira ainda nas semifinais, contra o Albacete – e depois perdeu a final para o Deportivo La Coruña. Parreira deixou o cargo com menos prestígio do que chegou, mas continou sua trajetória em outros clubes, como o Fenerbahçe (para onde foi depois que saiu do Valencia), New York MetroStars, Corinthians e Fluminense. O técnico ainda conseguiu ir a outras duas Copas: 1998 pela Arábia Saudita e 2006 novamente pela Seleção Brasileira (mas sem o mesmo sucesso, dessa vez) e irá novamente em 2010 comandando a seleção anfitriã, a África do Sul. Com esse Mundial, Parreira irá se tornar o técnico que mais foi a Copas do Mundo, com seis Copas por cinco seleções – outro técnico que conseguiu a façanha foi Bora Milutinovic, que veremos mais à frente.

Klinsmann no Bayern de Munique

Depois de surpreender o mundo ao comandar uma Alemanha ofensiva na Copa do Mundo de 2006, ter chegado às semifinais e ser eliminado pela Itália, que seria campeã, Klinsmann ganhou prestígio no futebol internacional. O ex-camisa 18 da seleção alemã conseguiu dar velocidade e ofensividade à Alemanha e levou a equipe ao terceiro lugar na Copa que jogava em casa.

Na temporada 2008/09, o técnico assumiu o Bayern de Munique, time pelo qual brilhou como jogador. Foi uma aposta no técnico, que deixou o assistente Joachim Löw como t treinador principal da seleção alemã. No clube bávaro, porém, o sucesso pela seleção não se repetiu. Com uma campanha ruim, o técnico não resistiu sequer uma temporada no cargo.

O Bayern ficou boa parte do primeiro turno fora da disputa pelos primeiros lugares. No segundo turno, apesar de se recuperar na tabela, o time perdeu cinco dos seus sete jogos. Particularmente o mês de abril foi terrível para os bávaros. No dia 4 de abril, a maior derrota do time na temporada: 5 a 1 para o Wolfsburg, que deixou o time em situação mais difícil na tabela, com risco até de ficar fora da Liga dos Campeões.

Na Liga dos Campeões, o time jogou as quartas de final também nesse mês. No dia 8 de abril, o Bayern foi até o Camp Nou enfrentar o Barcelona e foi atropelado por 4 a 0. Era a segunda goleada que o time sofria em cinco dias. No dia 11 de abril, pela Bundesliga, foi a vez do Bayern golear o Eintracht Frankfurt por 4 a 0, mas o foco estava na competição europeia, que precisaria de uma atuação de gala para bater o Barcelona. No dia 14 de abril, no jogo de volta, o empate com o Barcelona por 1 a 1 em casa eliminou o Bayern de Munique da Liga dos Campeões. No dia 18, vitória magra sobre o Bielefeld por 1 a 0. Uma semana depois, veio o confronto com o Schalke 04, pela 29ª rodada. A derrota por 1 a 0 acabou com a paciência da diretoria, que despediu Klinsmann a seis rodadas do final da Bundesliga. Na saída do clube, Klinsmann ainda afirmou que acreditava que os bávaros podiam ser campeões.

A experiência chegou a fim com o Bayern de Munique sem um título na temporada. Para o seu lugar, Jupp Heynckes foi apontado para os cinco jogos finais. Destes, o time venceu quatro e empatou um, ficando a apenas dois pontos do campeão Wolfsburg. Klinsmann não dirigiu nenhum time desde então e voltou a morar nos EUA – um dos motivos de crítica ao técnico quando treinava a seleção do seu país.

Bora Milutinovic

Quando se fala em técnicos de Copa do Mundo, o nome do sérvio Bora Milutinovic aparece em destaque. O ex-jogador começou sua carreira como treinador no clube onde pendurou as chuteiras: o Tigres, do México, em 1977. Foi com o sucesso no trabalho nesse clube que o técnico chegou ao comando da seleção do México, anfitriã da Copa do Mundo de 1986. A participação mexicana na Copa foi a melhor da história, chegando às quartas de final.

Em 1987, o técnico foi treinar o San Lorenzo, da Argentina, onde teve uma passagem muito rápida, mas bem-sucedida. Foram oito jogos, com quatro vitórias e quatro empates. Deixou o time em primeiro lugar na tabela (acabaria em segundo ao final da competição) para ir para a Itália. Na bota, o sérvio teve uma passagem relâmpago na Udinese, na Serie B, de onde foi demitido após apenas nove jogos.

Depois da Copa de 1998, Milutinovic foi treinar a seleção da Costa Rica, que dirigiu na Copa de 1990. Em seguida, dirigiu ao EUA na Copa que o país sediou, em 1994. Voltou a comandar a seleção mexicana entre 1995 e 1997 para depois assumir a Nigéria, que comandou na Copa de 1998. Naquele mesmo ano voltou a dirigir um clube: o New York MetroStars, que ficou por um ano e teve a pior campanha da história da MLS, com sete vitórias e 25 derrotas (não havia empate na competição).

A sua última passagem por clubes foi de 2004 a 2006, quando dirigiu o Al-Saad, do Catar, onde conseguiu vencer o campeonato da primeira divisão duas vezes. Voltou a treinar seleções em 2006, quando assumiu a Jamaica, sem sucesso. Em 2009, dirigiu a seleção do Iraque na Copa das Confederações. Milutinovic, ainda que um dos nomes a serem lembrados quando se fala em Copa do Mundo, não conseguiu criar uma história dirigindo clubes.

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Equipe Trivela

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