De volta ao topo da ilha

O Singapore Armed Forces (SAFFC) voltou a liderança da S-League – Campeonato de futebol de Cingapura – e se mostra novamente como a principal equipe do país. Para saber como andam as coisas no bicampeão cingapuriano, falamos com o centroavante Aleksander Duric. O bósnio de quase 38 anos já ganhou tudo que disputou no moderno arquipélago. Naturalizado e titular da seleção, ele é a grande atração da Liga. Confira como foi o papo com um dos centroavantes mais temidos do sudeste asiático.
Atual bicampeão nacional e campeão da Copa de Cingapura, o Singapore Armed Forces voltou ao topo da S-League 2008. Como vocês conseguem manter um apetite tão grande por títulos?
Seguramos basicamente o mesmo time das duas temporadas anteriores, não mudamos muito. Temos um time muito forte dirigido por um treinador brilhante (Richard Bok) e com boas individualidades para ganhar as partidas.
Os jogadores parecem ter muita estima pelo treinador Richard Bok.
É um técnico experiente porque jogou nos primórdios da S-League e conhece a liga como poucos. Ele se concentra totalmente no clube, é muito dedicado.
Você enxerga algum oponente que pode atrapalhar o tricampeonato do SAFFC?
O Super Reds é a grande surpresa deste ano, possuem um time muito forte e nos venceram no 1º turno. O Home United é outra equipe que sempre é um oponente duro.
Quase 38 anos, artilheiro da liga ano passado com 37 gols, prêmio de melhor jogador e campeão de todas as taças disputadas no país. Como conseguiu isso tudo nesta reta final da sua carreira?
Eu sou muito disciplinado como jogador e como pessoa, eu cuido bastante do meu físico e da minha saúde e tenho tido sorte de não ter muitas lesões graves.
Como saiu do futebol australiano e foi parar em Cingapura?
Meu treinador na Austrália (no Adelaide Sharks) me perguntou se eu queria ir para Cingapura e decidi aceitar.
Qual defensor é o mais difícil de superar na S-League?
É meu companheiro Kenji Arai, nós sempre tivemos ‘pequenas guerras’ quando ele jogava no Albirex Niigata (clube satélite japonês em Cingapura) e agora tenho sorte dele jogar no meu time (risos).
O povo cingapuriano não se incomoda com vários estrangeiros como você atuando pela seleção deles?
Os cingapurianos estão atrás de gente para atuar na seleção deles independente de onde vem o jogador. Nós temos sorte de ser escolhidos e procuramos ajuda-los.
Sendo um dos estrangeiros mais antigos na S-League, tirando a organização, que é destacável, o que melhorou?
Eu jogo aqui desde 1999 e todo ano vai melhorando aos poucos. Hoje, os jogadores são mais fortes tanto fisicamente quanto mentalmente.
Mas ainda falta o talento sul-americano.
No passado havia alguns, mas agora são bem poucos. Todos os anos os jogadores mudam. Eu não posso te dar uma resposta precisa do motivo de não ter muitos sul-americanos na S-League. Pessoalmente eu gosto muito da forma com que os sul-americanos jogam.
A AFC Cup volta em setembro com as quartas-de-final onde vocês pegam o Al-Nahda, do Omã. É um torneio que tem sido dominado de forma esmagadora pelos árabes. É difícil supera-los?
Nós estamos conseguindo chegar perto de bater as equipes do Oriente Médio, acho que precisamos de um pouco de sorte e alguma decisão arbitral a nosso favor. Geralmente os times daquela região são mais fortes fisicamente.
Já sabe o que fará quando parar de jogar?
Eu espero ficar no mundo do futebol ou pelo menos na indústria da saúde e educação física.
O que sabe sobre o Brasil?
Tenho muitos amigos brasileiros aqui e até alguns que jogaram. Eles estão voltando para o Brasil aos poucos, mas quando estavam aqui eles cozinhavam para nós comida brasileira como feijão preto e contavam muito sobre a cultura de vocês. Eu adoraria um dia visita-los no Brasil. Os melhores jogadores do mundo sempre são brasileiros e sérvios!


