De olho no velho mundo

Canadense de nascimento, mas com sangue italiano correndo nas veias, o meio-campista Sergio de Luca foi campeão da Liga profissional do Canadá em 2005 pelo Oakville Blue Devils. Aos 26 anos, o ex-jogador da seleção sub-17 de seu país se recupera de uma lesão no tendão de aquiles. Se auto-definindo como um futebolista de características semelhantes a de Massimo Ambrosini, do Milan, Sérgio já tem definida a próxima meta na carreira: voltar a Europa.
Você foi campeão canadense em 2005 pelo Oakville Blue Devils. Conte-nos um pouco da receita para se ganhar um campeonato aí no Canadá.
Nosso time tinha grandes jogadores e uma comissão técnica organizada. Tínhamos jogadores com muitos anos de experiência que elevaram o nível dos outros e isso fez a diferença no final. Nós poderíamos não estar fazendo um grande jogo, mas a qualquer momento um de nós poderia mudar tudo e fazer a diferença.
O que você acha que melhorou e ainda poderia melhorar no futebol canadense?
Existem muitas coisas. Os jogadores são bem pagos a ponto de não precisarem trabalhar, isso é uma vantagem. Mas, nós não temos estádios próprios, nem base de torcedores e a mídia quase não cobre. Os jogos também são disputados em poucas províncias, estão tentando expandir a liga fazendo com que mais times e cidades se engajem. Para isso acontecer é necessário mais investimento na liga e mais ações para profissionalizar os clubes.
Você chegou a realizar experiências nas categorias de base de grandes clubes italianos. O que você se lembra desta época?
Eu era muito novo, tinha crescido no Canadá e chegando a Itália com o sonho de me tornar profissional. Eu passei um mês no Roma e de lá fui para Fiorentina fazer testes e acabei no Prato. Eu estava muito sozinho, não conversava com quase ninguém, foi duro se adaptar principalmente por não saber muito bem a língua.
Conte sobre sua experiência na Hungria…
Jogar na Hungria foi minha primeira experiência em alto nível. Isso é uma vantagem, claro, pois me colocou em outro nível de futebol que me permitiu evoluir e ter esperança de ainda fazer sucesso. Entretanto, foram políticas extra-campo que fizeram com que a experiência não fosse tão boa e que me levaram a rescindir o contrato. Não receber meu pagamento tornou as coisas difíceis, reclamei muito e isso fez com que os diretores do clube me sacassem do primeiro time.
Quando você esteve na Hungria, na temporada 2003/4, o tradicional Ferencvaros foi campeão pela última vez.
Teria sido fantástico jogar contra eles em Budapeste se eu não tivesse me machucado (risos). Lembro que nós jogamos contra eles em casa, nosso estádio absolutamente lotado. Eu vinha de uma lesão na virilha que havia me deixado três semanas de fora. Mas a atmosfera da partida era espantosa, não dava para pedir mais nada. Eu lembro de muitas brigas de torcidas durante e após o jogo. Os torcedores do Ferencvaros são conhecidos pela sua ferocidade.
Imagino que para um canadense como você não tenha sido difícil atuar no frio da Noruega…
É um futebol muito bom, gostei de jogar lá. O nível é bastante alto e o ritmo é muito rápido. Existe menos pressão do que em outros países, então, os jogadores são mais livres de estresse. Sobre o tempo, você tem razão, eu venho do Canadá, então o tempo não é muito diferente.
Ainda pretende jogar no Canadá?
Infelizmente estou tratando uma lesão no tendão de aquiles desde março, estou sem clube. Estarei pronto para retornar em novembro ou dezembro, mas não quero continuar aqui, vou procurar um clube na Europa e como tenho passaporte da União Européia, quero ir pra lá.
O que você sabe sobre o Brasil?
Em termos de futebol, é um dos melhores países do mundo, onde as revelações são constantes. É um lugar multicultural, com bom tempo, pessoas amigáveis, mulheres bonitas e carnaval. É tudo que eu sei e espero um dia poder ver o Brasil com meus próprios olhos.


