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De Brito: um artilheiro na Macedônia

Um dos artilheiros da liga macedônia é brasileiro. Trata-se do meia-atacante Césinha, do líder FK Makedonija. O jogador de 23 anos tem 10 gols e comanda o topo da tabela de goleadores ao lado de Boban Jancevski, do FK Vardar. Natural do ABC paulista, “De Brito”, como preferem os macedônios, vem causando furor na terra do célebre conquistador Alexandre, o Grande. O detalhe é que faz exatamente 10 anos que o brasileiro Rogério Oliveira (falecido em 2006 vitima de um ataque cardíaco) foi goleador máximo do campeonato, sendo o único estrangeiro que conseguiu ser artilheiro na história da liga. Uma década depois, Césinha pode repetir o feito.

Porquê o trabalho do FK Makedonija está dando tão certo a ponto de o time ser líder e ter o melhor ataque e a melhor defesa numa campanha sensacional?
Eu acredito que o ponto forte da equipe e o diferencial tem sido a mentalidade. O time disputa os jogos sempre buscando o gol do começo ao fim. Isso tem feito a diferença na minha maneira de ver as coisas.

O que tem facilitado seu trabalho para você marcar tantos gols?
Aqui eu jogo numa posição diferente da que eu jogava no Brasil. Eu jogo como um ponta esquerda bem aberto e estou sempre perto do gol e em condições de finalizar.

Sua idéia é fazer como o Washington, que estava indo bem na Macedônia e conseguiu um contrato com o Partizan, da Sérvia, subindo mais um degrau?
Meu grande objetivo é ser campeão e artilheiro do campeonato, e depois me transferir para um país onde eu tenha uma maior visibilidade, onde eu possa desenvolver o meu futebol..

Pelo contato que você tem com os jogadores macedônios, a ambição deles também é sair do país para atuar numa liga mais importante?
Alguns jogadores tem essa ambição, mas não sinto em todos essa vontade de se transferir para outro país.

O estádio de vocês é bastante acanhado e com um gramado muito ruim. Isso tem sido positivo para bater os adversários que visitam vocês?
Na verdade a grande maioria dos gramados aqui são ruins, mas a equipe realmente tem tido um aproveitamento excelente nos jogos em casa, e isso tem contribuído muito com a nossa atual situação na tabela.

Conte pra nós como são os clássicos aí da cidade de Skopje entre o seu time e mais o Metalurg, o Rabotnicki e o Vardar.
Realmente os clássicos são os jogos mais legais de se jogar e onde a imprensa dá uma cobertura maior. As pessoas aqui na Macedônia são muito apaixonadas por futebol e realmente quando tem um clássico isso mexe com toda a cidade. Até agora estamos com um retrospecto muito favorável, pois vencemos cinco clássicos regionais e empatamos apenas um.

Sobre os jovens, o trabalho de base na Macedônia é bem feito?
Muita coisa tem que ser melhorada, a Macedônia é um país que tem bons jogadores tecnicamente, mas eu acho o trabalho de base aqui muito fraco se comparado ao Brasil. A mentalidade das pessoas aqui é diferente, muitas vezes eles optam por um jogador forte fisicamente e que não tem técnica nenhuma, e ignoram um jogador mais talentoso.

Como foi treinar na Juventus, da Itália, em 2005? O nível dos caras te impressionou muito?
Foi um período muito curto de treinamentos, mas foi uma experiência maravilhosa, pude estar perto de jogadores que eu sempre admirei e me espelhei. O Del Piero e o Ibrahimovic foram os que mais me impressionaram..

Os africanos que atuam com você, um da Nigéria e o outro do Gabão, são engraçados e descontraídos? Os africanos costumam se entrosar fácil com os brasileiros…
Sim, bastante, hoje eu posso dizer que eles são os meus melhores amigos aqui no clube, a gente tem uma relação muito boa de amizade. Eu inclusive moro junto com o George (Ambourouet, defensor), jogador de Gabão.

Qual a situação mais curiosa, engraçada ou inusitada que você viu ou passou na Macedônia?
Já passei por muitas experiências engraçadas aqui. Uma delas foi quando o Washington estava passando na rua e como ele tem mais de dois metros de altura, uma pessoa estava passando de carro, ficou olhando para ele, perdeu a concentração e quase bateu com o carro na árvore. Nós rimos bastante e a pessoa que estava no carro ficou muito sem graça..

O que você diria para um brasileiro que está chegando hoje ao futebol macedônio?
Eu diria para ter bastante paciência, o futebol aqui é muito diferente do Brasil, tem muito contato físico e pouca técnica. Os campos também são ruins, mas as pessoas são acolhedoras e gostam muito de brasileiros. O país também é bem tranquilo, não tem perigo de violência e nem de furto. Apesar de todas as dificuldades, eu acho que é uma experiência válida e uma boa vitrine para tentar jogar em clubes de outros países de maior expressão..

 

 

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