Dante: “Estou cansado de jogar para não cair”

O zagueiro Dante, de 27 anos, está no Borussia Mönchengladbach desde 2009. Chegou ao time alemão no meio da temporada 2008/09. O M'gladbach lutou até a última rodada contra o rebaixamento e terminou o Campeonato Alemão em 15º lugar. A temporada seguinte foi um pouco melhor e o clube terminou a Bundesliga em 12º. Na atual edição, mais uma vez, luta contra o rebaixamento.
“No Borussia Mönchengladbach, a gente tem passado por muitas dificuldades só para se manter na primeira divisão. Tem uma hora que o atleta fica cansado de tudo isso: jogar para não cair. É cansativo fisicamente e psicologicamente”, desabafou Dante em entrevista à Trivela. “Desde que eu cheguei ao clube, sempre falei dos meus objetivos, que eram jogar uma Liga Europa ou Liga dos Campeões, ou, pelo menos, buscar as primeiras posições no campeonato”.
Além de ter comentado sobre a fase do Borussia Mönchengladbach, Dante falou também na entrevista sobre as diferenças entre o futebol alemão, belga e francês e elogiou a Bundesliga.
O Borussia Mönchenglabach é o lanterna do Campeonato Alemão. Por que você acha que o time está nessa situação?
Primeiramente, tivemos alguns jogadores que ficaram machucados ou suspensos. Isso prejudicou bastante o desempenho do grupo. A gente passou por uma fase negativa e não conseguimos sair dela. Não soubemos lidar com a situação. Restam algumas rodadas e esperamos que o novo treinador [Lucien Favre] nos ajude a sair dessa fase.
Você disse que o fato de alguns jogadores terem ficado machucados prejudicou a equipe. Quais jogadores fizeram mais falta?
Eu, por exemplo, fiquei cinco meses parado. Eles me viam como um líder na defesa. Um outro que jogava ao meu lado também ficou machucado. Ficamos sem dois zagueiros. Essas coisas fizeram com que a gente entrasse em uma má fase. Em um momento assim, qualquer coisa pequena vira enorme.
Você acha que o time pode se salvar do rebaixamento? [Atualmente, o Mönchengladbach é o lanterna do Campeonato Alemão com 19 pontos em 23 jogos e está quatro pontos atrás do 15º colocado Wolfsburg]
Acho que sim. Ainda faltam algumas rodadas. Tudo pode acontecer. Acho que nada mais justo e profissional acreditar e trabalhar forte. Houve outros times que se salvaram e estavam em uma situação parecida ou pior.
Como está o clima do clube?
É um clima um pouco conturbado, confuso, tenso. A gente não está conseguindo jogar o nosso futebol. Temos qualidades individuais, só que falta uma estabilidade coletiva. Agora, com um novo treinador, acho que vai ter motivação por parte dos jogadores. Espero que a gente consiga se organizar dentro de campo.
As suas atuações têm sido muito elogiadas pela imprensa alemã. Você espera no fim da temporada conseguir uma transferência?
Estou muito bem no Borussia Mönchengladbach e isso pode me abrir portas. Desde que eu cheguei ao clube, sempre falei dos meus objetivos que eram jogar uma Liga Europa ou Liga dos Campeões, ou, pelo menos, buscar as primeiras posições no campeonato. Só que no Mönchengladbach a gente tem passado por muita dificuldade só para se manter na primeira divisão. Tem uma hora que o atleta fica cansado de tudo isso: jogar para não cair. É cansativo fisicamente e psicologicamente. E eu quero jogar para ser campeão. É um dos meus objetivos jogar uma temporada pelas primeiras posições ou por uma vaga nas copas europeias.
No Standard Liège você ganhou o Campeonato Belga de 2008 e disputou a Copa da Uefa. Foram os anos mais marcantes da sua carreira?
Fazia 25 anos que o Standard Liège não era campeão. Isso me marcou bastante. Fomos para a Copa da Uefa. É bom jogar contra os grandes times. Eu também tive um bom momento no Borussia Mönchengladbach. No meu primeiro ano aqui, cheguei no meio da temporada. Estávamos lutando contra rebaixamento e consegui fazer alguns gols importantes. Faltando três rodadas, ganhamos por 1 a 0 [do Energie Cottbus, com gol de Dante]. No último jogo da temporada, tínhamos que empatar com o Borussia Dortmund e eu marquei no jogo [1 a 1 no placar final]. Conseguimos nos salvar. Espero que este ano eu possa, junto com os meus companheiros, salvar o time.
Como foi a sua adaptação na Alemanha?
Foi rápida porque, quando eu cheguei à Alemanha, já estava há cinco anos na Europa. Já falava o francês e o inglês.
O futebol alemão é muito diferente do francês e do belga?
O futebol alemão, às vezes, é um pouco ilógico. Tem times pequenos que ganham do Bayern Munique. No futebol alemão, trabalha-se muito o psicológico dos jogadores de não desistir e de batalhar até o último minuto. No francês, foca-se na posição tática e na velocidade do jogo, e pouco na qualidade individual. O belga é um futebol mais liberal.
Você comentou que no futebol alemão, trabalha-se muito o psicológico. Costuma-se ter um psicólogo nos clubes?
Não, mas os treinadores costumam trabalhar com isso. Eles falam muito com a gente. Aqui no Campeonato Alemão, um time está vencendo por 2 a 0 e perde por 4 a 2. É cada coisa louca. O placar está 3 a 0 e termina 4 a 3. Acho que isso não tem explicação tática ou técnica. É força psicológica. Os alemães nunca desistem e lutam até o fim. Essa é a força do futebol alemão.
O Borussia Dortmund é o líder do Campeonato Alemão e tem muitos pontos de vantagem sobre o Bayer Leverkusen. O título da Bundesliga já está decidido?
Eu acho que eles só perdem esse título por culpa deles mesmos. Estão em ótima vantagem. Têm uma boa equipe e só precisam se manter para ser campeão. Mas, no futebol, tudo pode acontecer.
O Borussia Dortmund era visto como favorito?
Acho que nem eles mesmos imaginariam como estariam agora.
Qual time da Bundesliga tem o melhor elenco?
O Bayern Munique. Não só pela qualidade dos jogadores. Eles têm os dois melhores jogadores da liga: [Franck] Ribéry e [Arjen] Robben. Também Bayer Leverkusen e Borussia Dortmund.
O seu primeiro time na Europa foi o Lille. Só que você jogou pouco. Por que você não teve uma regularidade?
Dos dois anos que eu fiquei lá, fiquei parado nove meses por causa de uma lesão no púbis. Acabei perdendo o espaço e eu mesmo pedi para ir embora.
Você já jogou na França, Alemanha e Bélgica. Qual campeonato mais lhe agradou?
O que mais me agradou foi o Alemão, que é de mais força, aberto e de qualidade técnica. O Francês se baseia demais na parte tática.
Há uma diferença entre jogar na defesa do futebol brasileiro e no europeu?
Sim. Na Europa, a gente joga muito em linha e mais compacto que no Brasil e faz melhor a linha de impedimento.


