Coreia do Norte “usa” trabalhadores como torcedores

A Coreia do Norte, sabidamente, é um dos países mais fechados do mundo. Seus cidadãos têm poucos direitos e não podem viajar para o exterior sem a autorização do governo ditatorial. Nesta Copa do Mundo, porém, a torcida norte-coreana marcou presença nas arquibancadas do estádio Ellis Park, na derrota para o Brasil por 2 a 1.
Uma reportagem do jornal Daily NK, baseado em Seul, na Coreia do Sul, mas com noticiário voltado para o norte da península, desta quinta-feira mostra que, na verdade, os torcedores estão lá a mando do próprio Governo. Eles seriam trabalhadores norte-coreanos, a serviço de Pyongyang, trabalhando em diversas obas no continente africano.
Um grupo de cerca de 50 norte-coreanos que estava no estádio afirmou que veio da Coreia do Norte, junto com mais 250 pessoas, exclusivamente para torcer para a seleção. O jornal desmente a informação, e garante que todos foram mobilizados pelo Governo de Kim Jong Il.
A maior parte dos trabalhadores seria de uma empresa estatal ou do Instituto de Artes Mansudae, responsável pela construção de estátuas e outros objetos na Namíbia, Angola e outros países africanos. Recentemente, o instituto construiu uma estátua de 50 metros de altura em Dakar, no Senegal, chamada “African Renaissance”, ao custo de US$ 27 milhões.
O Daily NK noticiou também, citando uma fonte na China, que, inicialmente, o Governo norte-coreano pretendia mandar um grupo bem maior de “torcedores” para a África do Sul. No entanto, o alto custo da operação inviabilizou a ideia.


