Copa das Confederações – História

A Copa das Confederações é um torneio meio sem identidade, que tem cara de amistoso, mas é tratado com seriedade pela Fifa. O histórico de recusas de convites e de seleções que entraram em campo desfiguradas é extenso. A ponto de o pedido de Ronaldo para não participar do evento é algo até pouco relevante. Criada – adivinha – como uma copa amistosa patrocinada pela família real saudita, a Copa das Confederações nunca conseguiu efetivamente sair desse estágio.
1992 (Arábia Saudita)
A federação da Arábia Saudita decidiu organizar o Campeonato Internacional, também chamado de Copa Rei Fahd, um mini-torneio de seleções, mais ou menos como as Copas Kirin do Japão ou as US Cups dos Estados Unidos. Como atrativo, os organizadores chamaram apenas campeões continentais. Nada que impressionasse muito, pois convidaram Argentina (vencedora da Copa América de 1991), Estados Unidos (Copa Ouro 1991) e Costa do Marfim (Copa Africana de Nações 1992), além da própria Arábia Saudita (país sede e campeão da Copa da Ásia de 1988).
O formato foi em jogos eliminatórios simples, todos em Riad. Nas semifinais, a Argentina goleou a Costa do Marfim (4 a 0), enquanto que a Arábia Saudita passou com folgas pelos Estados Unidos (3 a 0). Na disputa pelo terceiro lugar, os norte-americanos bateram os marfinenses (5 a 2) e, na decisão, os sul-americanos se mostraram superiores e venceram por 3 a 1. Como os platinos passavam por um período de reformulação após a Copa de 1990, a seleção contava com jogadores novos, mas que se estabeleceriam entre os principais do país nos anos seguintes, como Batistuta e Redondo.
Arábia Saudita 1×3 Argentina
Final da Copa Rei Fahd 1992
Data: 20 de outubro de 1992
Local: estádio Rei Fahd (Riad-ARS)
Público: 75 mil
Árbitro: Lim Kee-Chong (Ilhas Maurício)
Arábia Saudita: Al-Otaibi; Al-Dosari, Al-Wi, Al-Roomi, Amin, Al-Khwali, Al-Bishi (Alrzqan), Al-Muwalid, Ahmed Al-Dosari, Owairan e Al-Jaber (Mehalel)
Argentina: Goycochea; Vázquez, Altamirano, Basualdo e Ruggeri; Redondo, Villareal (Cagna), Simeone e Leo Rodríguez (Acosta); Caniggia e Batistuta
Gols: Leo Rodríguez (18min), Caniggia (24min), Simeone (64min) e Owairan (65min)
1995 (Arábia Saudita)
Na segunda edição, a Copa Rei Fahd foi incrementada, com a entrada de um representante europeu, que ajudou a dar um pouco mais de legitimidade à proposta do torneio. Além da Arábia Saudita, estiveram presentes Dinamarca (campeã da Eurocopa 1992), Argentina (Copa América de 1993), México (Copa Ouro 1993), Nigéria (Copa Africana de Nações 1994) e Japão (Copa da Ásia 1992).
Um problema do torneio foi a época escolhida para sua realização. Em janeiro, as principais ligas europeias estão em andamento e, como o torneio não era oficial, as principais seleções foram ao Oriente Médio extremamente desfalcadas. O que acabou nem alterando tanto a lógica dos resultados.
As seis equipes foram divididas em dois triangulares, que classificavam seus vencedores para a decisão e seus segundos colocados para a disputa do bronze. No Grupo A, os árabes soçobraram em sua tentativa de realizar novamente uma boa campanha. Caíram na estreia para o México (que estava com sua equipe principal) e, em seguida, para os dinamarqueses, sempre por 0 a 2. A definição do finalista ficou para o duelo entre aztecas e escandinavos. O empate de 1 a 1 deixou as duas seleções com o mesmo retrospecto, levando á decisão por pênaltis. Melhor para os europeus, que venceram por 4 a 2.
Na grupo B, os asiáticos também ficaram estagnados. O Japão de Rui Ramos perdeu na estreia para a Nigéria (0 a 3), que contava com vários jogadores que participaram da boa campanha na Copa de 1994. Contra a Argentina, os nipônicos foram ainda pior, caindo por 1 a 5. O único gol japonês foi marcado por Kazuyoshi Miura, conhecido no Brasil como Kazu. Nigerianos e argentinos repetiram o duelo da Copa do ano anterior (e que se repetiria na final das Olimpíadas do ano seguinte). O empate sem gols classificou os sul-americanos pelo saldo de gols.
Na disputa do terceiro lugar, mexicanos e nigerianos empataram em 1 a 1, gols de Ramón Ramírez e Amokachi, ambos no primeiro tempo. Os norte-americanos foram mais felizes na disputa de pênaltis e venceram por 5 a 4. A decisão foi entre os argentinos, campeões da edição anterior, e a Dinamarca. Os platinos eram favoritos, mas, com gols de Michael Laudrup e Rasmussen, os nórdicos venceram por 2 a 0.
Argentina 0x2 Dinamarca
Final da Copa Rei Fahd 1995
Data: 13 de janeiro de 1995
Local: estádio Rei Fahd (Riad-ARS)
Público: 35 mil
Árbitro: Ali Bujsaim (Emirados Árabes)
Argentina: Bossio; Zanetti, Ayala, Chamot e Fabbri; Bassedas, Rambert (Espina), Ortega e Escudero; Batistuta e Jimenez (Gustavo López)
Dinamarca: Krogh; Hansen, Rieper e Jes Hogh; Schjonberg, Steen Nielsen, Michael Laudrup (Wieghorst), Laursen (Risager) e Kristensen; Brian Laudrup e Rasmussen
Gols: Michael Laudrup (8min, pênalti) e Rasmussen (30min)
Cartões amarelos: Zanetti, Chamor, Kristensen, Fabbri e Jes Hogh
Cartão vermelho: Chamot
1997 (Arábia Saudita)
A Fifa aproveitou que a Copa Rei Fahd (ou Intercontinental) estava crescendo e que os árabes continuavam dispostos a organizá-la para tornar a competição oficial, com o novo nome Copa das Confederações. O torneio cresceu ainda mais com a entrada de um representante por continente, ganhou destaque no meio futebolístico mundial e as seleções poderiam, inclusive, tirar os jogadores de seus clubes. Caso a competição se consolidasse, a Fifa teria nas mãos um torneio importante que desse um espaço proporcionalmente grande a confederações periféricas, como a asiática e a da Oceania.
Mesmo assim, não deixou de ser uma competição pouco valorizada na prática. Até porque os critérios para classificação dos países eram “flexíveis” o suficiente para que determinadas equipes pudessem ter uma vaga. Por exemplo, o representante da América do Sul era o Uruguai. Mas o Brasil também participou por meio de uma recém-criada vaga para o campeão mundial.
Arredios a esse tipo de medida politiqueira e comercial da Fifa, os europeus (que preferem suas próprias medidas politiqueiras e comerciais) logo iniciaram boicotes ao recém-oficializado torneio. A Alemanha, campeã da Eurocopa de 1996, desistiu de participar, abrindo um lugar para a República Tcheca, vice-campeã continental. O Uruguai fez diferente: aproveitou a competição para dar mais experiência a sua seleção júnior vice-campeã mundial da categoria no meio daquele ano, priorizando a renovação do grupo.
Os participantes foram Arábia Saudita (país sede), Brasil (campeão mundial de 1994), República Tcheca (vice-campeã da Eurocopa 1996), Uruguai (Copa América 1995), México (Copa Ouro 1996), África do Sul (Copa Africana de Nações 1996), Emirados Árabes (vice-campeão da Copa da Ásia de 1996, a campeã Arábia Saudita já tinha uma vaga) e Austrália (Copa das Nações da Oceania 1996).
No Grupo A, o Brasil estreou com uma vitória tranqüila sobre a Arábia Saudita, 3 a 0 com dois gols de Romário, enquanto a Austrália surpreendia o México (3 a 1). Na segunda rodada, os australianos mostraram que estavam com uma equipe bem organizada e, em uma atuação rui do Brasil, segurou o 0 a 0. O México se recuperou da derrota na estreia e goleou a Arábia Saudita por 5 a 0. A classificação australiana quase escapou. Desconcentrados, os Socceroos perderam por 1 a 0 para os árabes. Sorte dos australianos que o Brasil venceu o México em um controlado 3 a 2 (o empate eliminaria o representante da Oceania).
No grupo B, o grande destaque foi a seleção de jovens uruguaios. Com nomes côo Pablo García, Recoba, Olivera e Zalayeta, os celestes terminaram a fase inicial com 100% de aproveitamento (2 a 0 nos Emirados Árabes, 2 a 1 na República Tcheca e 4 a 3 na África do Sul). Os tchecos, favoritos na chave, quase ficaram de fora. Empataram com a África do Sul (2 a 2) e se beneficiaram da derrota dos Bafana Bafana para os Emirados Árabes (0 a 1). Precisando vencer a equipe asiática no jogo decisivo, os europeus fizeram convincentes 6 a 1.
Mesmo com Poborsky, Srnicek, Smicer, Pavel Kuka e Nedved, os tchecos caíram diante do Brasil nas semifinais: 2 a 0, gols de Romário e Ronaldo. A outra vaga na final ficou com a Austrália, que venceu o Uruguai por 1 a 0 (gol de Kewell) na prorrogação. Os celestes acabariam em 4º, derrotados pela República Tcheca na disputa pelo 3º lugar.
Na final, os australianos esperavam repetir o empate da primeira fase diante do Brasil. Porém, os então campeões mundiais estavam, ao contrário do que ocorrera na etapa de grupos, inspirados. Sobretudo a dupla de ataque Ro-Ro. Romário e Ronaldo repartiram igualmente os 6 gols da partida, na segunda maior goleada do torneio até hoje.
Brasil 6×0 Austrália
Final da Copa das Confederações de 1997
Data: 12 de dezembro de 1997
Local: estádio Rei Fahd (Riad-ARS)
Público: 45 mil
Árbitro: Un Praset (Tailândia)
Brasil: Dida; Cafu, Aldair, Júnior Baiano e Roberto Carlos; Dunga, César Sampaio, Juninho Paulista e Denílson; Ronaldo e Romário.
Austrália: Bosnich; Horvat (Bingley), Lazaridis, Ivanovic e Tobin; Aurélio Vidmar (Aloisi), Tony Vidmar (Muscat), Foster e Kewell; Viduka
Gols: Ronaldo (15 e 28min), Romário (38 e 53min), Ronaldo (59min) e Romário (75min, pênalti)
1999 (México)
Uma mostra de que a Copa das Confederações realmente não tinha lugar no calendário pôde ser vista logo em sua segunda edição com aval da Fifa. Os jogos foram inicialmente marcados para janeiro de 1999 no México. Porém, a França, campeã mundial de 1998, anunciou três meses antes que não poderia participar, pois não pretendia desfalcar seus clubes, tampouco as equipes de outros países que tivessem atletas franceses. A Alemanha, campeã europeia, também renunciou à sua vaga. A Fifa, alegando dificuldades na organização do evento, o adiou para o final de julho e início de agosto, pegando o início da temporada europeia.
O problema é que a temporada francesa historicamente tem início antes das demais e já teria rodadas programadas para o período da Copa das Confederações. Ou seja, os Bleus novamente desistiram de participar. A Alemanha mudou de ideia e confirmou presença, até porque precisava estar politicamente bem-vista para ter mais chances em sua pretensão de sediar a Copa de 2006. Mesmo assim, os germânicos levaram uma equipe remendada, repleta de reservas, iniciantes e alguns veteranos que, juntos, estavam longe de formar a verdadeira seleção alemã da época.
Com tanta confusão, novamente houve equipes ganhando lugar no torneio para substituir os titulares ao posto. O caso mais estranho foi com os sul-americanos. O Brasil participaria como campeão da Copa América de 1997. Com a desistência da França, ocupou o lugar dos gauleses por ser vice-campeão mundial. A vaga sul-americana foi aberta para a Bolívia, vice-campeã do continente dois anos antes.
Os participantes foram México (anfitrião), Brasil (vice-campeão mundial 1998), Alemanha (Eurocopa 1996), Bolívia (vice-campeã Copa América 1997), Estados Unidos (vice-campeão Copa Ouro 1998, o campeão México já estava classificado como país-sede), Egito (Copa Africana das Nações 1998), Arábia Saudita (Copa da Ásia 1996) e Nova Zelândia (Copa das Nações da Oceania 1998).
O Grupo A foi bastante equilibrado e cheio de alternativas. Na estreia, a Bolívia empatou com o Egito em 2 a 2. Logo em seguida, o México goleou a Arábia Saudita por 5×1. Na segunda rodada, os árabes empataram com os bolivianos em 0 a 0 e os mexicanos ficaram no 2 a 2 com os egípcios. Nas partidas decisivas, todas as equipes ainda tinham possibilidades. Os egípcios tinham a situação mais confortável, mas caíram assustadoramente diante da Arábia Saudita (1 a 5). Com esse resultado, a Bolívia precisava da vitória para se classificar. Os mexicanos só cairiam fora se perdessem por mais de quatro gols de diferença. Havia a possibilidade de um resultado combinado para classificar as duas equipes, mas os aztecas não se importaram e venceram os andinos por 1 a 0.
No Grupo B, os favoritos Brasil e Alemanha se enfrentaram logo na estreia. Os alemães até tinham um time razoável, com Ballack, Lehmann, Wörns, Preetz, Scholl, Matthäus, Neuville e Schneider, além de Paulo Rink. No entanto, como o torneio se realizava no início da temporada europeia, não fizeram preparação alguma e estavam com rendimento técnico, tático e físico abaixo do mínimo necessário.
O Brasil também estava remendado, com vários jogadores que atuavam no país e algumas experiências pouco compreensíveis de Vanderlei Luxemburgo. Tanto que a formação mudava muito de uma partida para outra. No primeiro tempo, o jogo foi relativamente equilibrado, com vantagem para o Brasil, apesar da falta de entrosamento. No segundo tempo, os alemães sentiram o calor mexicano e caíram por 4 a 0, gols de Alex (2), Ronaldinho Gaúcho e Zé Roberto.
Na segunda partida, o Brasil venceu os Estados unidos em um duríssimo 1 a 0, gol de Ronaldinho Gaúcho. O jogo poderia ter ficado no empate caso Dida não defendesse um pênalti no segundo tempo. Como todos venceram a Nova Zelândia, o Brasil ficou em primeiro lugar na chave e alemães e norte-americanos decidiram a segunda vaga no confronto direto, com vantagem de empate para os Estados Unidos pelo saldo de gols. Sem muita motivação e um futebol apático, a Alemanha não conseguiu sequer o empate. Perdeu por 2 a 0 e estava eliminada.
A primeira semifinal foi um clássico norte-americano. Com mais de 80 mil pessoas no estádio Azteca, o México não conseguiu sair do 0 a 0 com os rivalíssimos Estados Unidos. A vitória dos latinos só veio na prorrogação em morte súbita, por meio de Blanco. Já o Brasil teve um jogo muito mais aberto. Com 11 minutos de partida, já vencia a Arábia Saudita por 2 a 0. Porém, aos 31 permitiu o empate asiático. A Seleção estava desencontrada, mas, de repente, a defesa árabe teve uma pane e permitiu que os atacantes brasileiros fossem marcando gols sem o menor esforço. No final, os sul-americanos venceram por 8 a 2, maior goleada da história da Copa das Confederações.
Os sauditas continuaram sem muita força defensiva e perderam a disputa pelo terceiro lugar para os Estados Unidos (0 a 2). No final da campanha, a Arábia Saudita tinha a incrível marca de 16 gols sofridos em 5 jogos (média de 3,2 gols contra por partida). A decisão foi realizada na Cidade do México. Os anfitriões aproveitaram que era a primeira partida dos brasileiros na altitude (até então o Brasil só jogara em Guadalajara) e tentaram pressionar os sul-americanos desde o início.
A tática deu certo e, aos 28 minutos, os aztecas já venciam por 2 a 0. No entanto, a segurança defensiva não era uma virtude da seleção mexicana e, mesmo acuado, o Brasil conseguia reagir em um jogo bastante aberto e emocionante. No início do segundo tempo, os auriverdes igualaram o marcador, mas o México voltou ao ataque e marcou mais dois gols. Os brasileiros ainda diminuíram, mas não foi suficiente. Foi o primeiro (e até hoje único) título intercontinental do futebol mexicano.
México 4×3 Brasil
Final da Copa das Confederações de 1999
Local: estádio Azteca (Cidade do México)
Público: 112 mil
Árbitro: Anders Frisk (Suécia)
México: Jorge Campos; Suárez, Márquez, Villa e Ramón Ramírez; Abundis, Pardo, Carmona e Zepeda (Arellano); Blanco e Palencia (Terrazas)
Brasil: Dida; Flávio Conceição, Odvan, João Carlos e Serginho; Vampeta, Émerson, Zé Roberto (Warley) e Beto (Roni); Ronaldinho Gaúcho e Alex
Gols: Zepeda (13min), Abundis (28min), Serginho (43min, pênalti), Roni (47min), Zepeda (51min), Blanco (62min) e Zé Roberto (63min)
Cartões amarelos: Zé Roberto, Abundis, Márquez, João Carlos, Blanco e Suárez
Cartão vermelho: João Carlos
2001 (Japão e Coreia do Sul)
A Fifa lançou uma nova cartada para tentar dar uma finalidade à Copa das Confederações. Em 2001, escolheu como sede Japão e Coreia do Sul, de forma que o torneio criado pelos árabes se tornasse um teste para os comitês de organização das Copas do Mundo. A ideia resgatava o princípio do Torneio da França, triangular disputado em 1997 por França, Brasil e Inglaterra.
Dessa vez, nenhuma equipe desistiu de participar. Pelo menos formalmente, pois equipes, principalmente Brasil e França, estavam extremamente desfiguradas, com o equivalente a times B ou C de cada um dos países. Houve ainda mudanças nos critérios de classificação. Nos casos de países que conseguiam vaga por dois caminhos, não era aberto um posto. Portanto, o Japão, classificado com país-sede, não cedeu sua vaga como campeão da Copa da Ásia de 2000. O mesmo ocorreu com a França, campeã mundial e europeia. Azar de Arábia Saudita e Itália. Outra novidade foi dar uma vaga para o campeão da última edição da Copa das Confederações.
Os participantes foram Japão (país-sede e campeão asiático de 2000), Coreia do Sul (anfitrião), México (último campeão), França (Copa do Mundo 1998 e Eurocopa 2000), Brasil (Copa América 1999), Camarões (Copa Africana de Nações 2000), Canadá (Copa Ouro 2000) e Austrália (Copa das Nações da Oceania 2000).
Na abertura do torneio, a França destruiu os anfitriões sul-coreanos, vencendo por 5 a 0. Enquanto isso, a Austrália, como em 1996, vencia inesperadamente o México (2 a 0). Os Socceroos continuaram surpreendendo e superaram os franceses por 1 a 0. A Coreia do Sul, tentando salvar a honra em casa, venceu os aztecas por 2 a 1. A última surpresa do grupo foi inócua: os sul-coreanos acabaram com a invencibilidade australiana (1 a 0), mas não conseguiram a classificação, já que os Bleus voltaram a golear, 4 a 0 sobre o México.
No Grupo B, o Brasil sofreu. Sem espaço no calendário, o técnico Leão não tinha condições de chamar os principais jogadores do país sem comprar briga com os clubes, algo pouco desejável para uma Seleção que estava em uma campanha difícil nas Eliminatórias. O técnico teve permissão da CBF para chamar quem fosse possível e a equipe que entrou em campo com a camisa do Brasil era quase irreconhecível como Seleção, com nomes como Leomar, Robert, Leandro Amaral e Magno Alves. Outros eram contestados na época, mas hoje até fazem parte dos planos, como Júlio Baptista e Léo.
Na estreia, o Brasil ainda fez uma partida razoável e venceu Camarões por 2 a 0, gols de Washington e Carlos Miguel. A grande força do grupo era o Japão, que goleara o Canadá (3 a 0) e vencera Camarões (2 a 0). Na segunda rodada, os brasileiros tiveram uma atuação terrível e ficaram no 0 a 0. Na partida decisiva, o Japão assustava. Afinal, Camarões vencera o Canadá e uma derrota para os orientais desclassificaria o Brasil. No final, os brasileiros seguraram o 0 a 0.
Os nipônicos continuaram com sua trajetória vitoriosa e venceram os australianos em uma semifinal. Na outra, o Brasil fez uma partida fraca, mas soube evitar um desastre diante dos franceses, que, à exceção da derrota para o Canadá, deixavam claro sua superioridade em cada partida. No final, a derrota por 1 a 2 não foi das piores para o Brasil, que tinha uma equipe mais desfalcada que a França.
Porém, o Brasil voltou a se ausentar em espírito na disputa do terceiro lugar, perdendo para a Austrália (0 a 1) após uma atuação patética. Na final, o Japão conseguiu assustar a França em vários momentos, mas os gauleses venceram por 1 a 0 e conquistaram a primeira Copa das Confederações da Europa após a oficialização do torneio.
Japão 0x1 França
Final da Copa das Confederações 2001
Local: estádio Internacional de Yokohama (Yokohama-JAP)
Público: 65.335
Árbitro: Ali Bujsaim (Emirados Árabes)
Japão: Kawaguchi; Matsuda, Morioka e Koji Nakata; Inamoto (Miura), Ito, Toda, Hato e Shinji Ono (Kubo); Morishima e Nishizawa (Nakayama)
França: Ramé; Lizarazu, Desailly, LeBœf e Marlet (Robert); Karembeu, Vieira, Djorkæff (Carrière) e Pires; Anelka e Wiltord
Gol: Vieira (29min)
2003 (França)
Pela primeira vez a Copa das Confederações foi organizada na Europa. E nem isso serviu para trazer seleções realmente fortes (até a França atuou com um time misto) e um pouco de normalidade ao processo de definir os participantes. A França tinha direito a três vagas, como país-sede, como campeã europeia e como última campeã do torneio. Com isso, criou-se uma enorme dificuldade para se preencher um dos postos deixados em aberto pelos franceses.
A primeira opção era a Alemanha, vice-campeã mundial em 2002. Mas os germânicos declinaram do convite. Em seguida, foi a vez de a Itália (vice-campeã europeia em 2000) dizer “não”. Até o ranking da Fifa foi utilizado como critério. Assim, a Espanha foi chamada por ser a segunda melhor seleção europeia na lista da entidade. Mas os ibéricos também preferiram não participar. Apenas o quarto país convidado, a Turquia (terceira colocada na Copa de 2002) decidiu mandar um time à França.
Após tanto esforço, os integrantes do torneio foram definidos. Eram França (anfitriã), Brasil (campeão mundial 2002), Turquia (3ª colocada na Copa 2002), Colômbia (Copa América 2001), Camarões (Copa Africana das Nações 2002), Estados Unidos (Copa Ouro 2002), Japão (Copa da Ásia 2000) e Nova Zelândia (Copa das Nações da Oceania 2002).
O Grupo A seguiu uma lógica simples. A França ganhou de todos, a Colômbia perdeu para os franceses, mas bateu japoneses e neozelandeses, o Japão foi superado por gauleses e sul-americanos, porém, venceram a Nova Zelândia, que perdeu as três partidas. Nem os resultados foram extravagantes, com apenas duas goleadas relativamente esperadas, Japão 3 a 0 Nova Zelândia e França 5 a 0 Nova Zelândia.
Enquanto isso, o Brasil novamente sofria por levar à Copa das Confederações uma equipe completamente desfigurada, com algumas experiências de Parreira – como Kléber, Gil, Fábio Luciano, Dudu Cearense e Maurinho – e outros que provavelmente foram chamados apenas para completar a lista de 23 convocados – casos de Ilan, Adriano Gabiru e Eduardo Costa. Nem a presença de nomes como Dida, Ronaldinho Gaúcho, Alex e Adriano tornava aquela uma Seleção Brasileira de respeito.
Isso ficou claro logo na estreia. O Brasil jogou muito mal e perdeu para Camarões no final da partida, com um gol de Eto’o em um chute de longa distância. Na segunda rodada, os africanos confirmavam sua força ao bater os turcos (1 a 0). O Brasil voltou a jogar mal, mas superou os Estados Unidos (1 a 0). Na partida decisiva, os brasileiros precisavam vencer a Turquia para se classificar. Se houvesse empate, os europeus passariam por terem mais gols prós. Adriano colocou o Brasil na frente, mas os turcos viraram com Karadeniz e Okan. Nos descontos, Alex empatou inutilmente para o Brasil. Pela primeira vez desde a Copa de 1966 o Brasil caía na primeira fase em um torneio de adultos organizado pela Fifa. Na outra partida, que nada valia, os norte-americanos empataram em 0 a 0 com Camarões, que se tornaram o primeiro país africano a passar de fase na Copa das Confederações.
A primeira semifinal do torneio ficou marcada na história. Nem foi pela vitória camaronesa sobre a Colômbia (1 a 0, gol de N’Diefi), mas pelo fato de, aos 27 minutos do segundo tempo, o meia africano Foe ter morrido em campo, vítima de ataque cardíaco. A tragédia, na época, suscitou discussões a respeito do calendário estafante ao qual os jogadores eram submetidos e até onde era necessário disputar um torneio como a Copa das Confederações.
Na semifinal seguinte, os jogadores de França e Turquia já sabiam da tragédia que ocorrera em Lyon. Muitos franceses não apresentavam condições psicológicas de atuar (Foe jogara na França e havia sido colega de vários Bleus). Mesmo assim, venceram a Turquia em uma partida melancólica apesar do 3 a 2.
As duas decisões (do título e do terceiro lugar) não seriam disputadas se dependesse da opinião pública e de parte dos jogadores, que declararam não haver clima para o jogo. Não foi o suficiente para comover Joseph Blatter, que dizia que o torneio estava acima dessas questões e seria concluído normalmente. A Turquia ficou com o terceiro lugar, repetindo a classificação obtida na Copa de 2002.
Na final, a cabeça das duas equipes não estava na partida, de se arrastou em um sonolento 0 a 0 durante os 90 minutos. O título só foi decidido na prorrogação, com gol de ouro de Henry após uma falha da defesa camaronesa.
França 1×0 Camarões (na prorrogação)
Final da Copa das Confederações 2003
Local: Stade de France (Saint-Denis-FRA)
Público: 51.985
Árbitro: Valentin Ivanov (Rússia)
França: Barthez; Sagnol (Thuram), Desailly, Gallas e Lizarazu; Pedretti, Dacourt (Kapo), Giuly e Wiltord (Pires); Cissé e Henry
Camarões: Kameni; Doumbe, Song, Aouba e Mettomo; Geremi, Mbami, Mezague (Emana) e Idrissou; N’Diefi (Eto’o) e Djemba-Djemba
Gol: Henry (7min da prorrogação)
2005 (Alemanha)
Pela primeira vez, a Copa das Confederações teve a participação de três campeões mundiais. A Alemanha como país-sede (mais uma vez o torneio servia de ensaio para o Mundial do ano seguinte), o Brasil como campeão mundial e a Argentina como vice-campeã da Copa América. O representante europeu era a surpreendente Grécia, mas os demais participantes também tinham bom nível técnico: Japão, Tunísia, México e Austrália.
No Grupo A, a camisa pesou. Alemanha e Argentina superaram Austrália e Tunísia e, no confronto direto, ficaram no empate (2 a 2). No saldo de gols, os alemães terminaram na primeira posição do grupo. A Tunísia bateu a Austrália e ficou com a terceira posição em jogo que servia apenas para cumprir tabela.
O Grupo B teve mais alternativas. Na primeira rodada, México e Brasil confirmaram o favoritismo e venceram, pela ordem, Japão e Grécia. As surpresas começaram a partir daí. Em uma partida irreconhecível, o Brasil caiu diante do México (0 a 1), enquanto o Japão surpreendia a campeã europeia (1 a 0).
Na última rodada, o México empatou com a Grécia (pior participação de uma seleção europeia na história da competição) e ficou na primeira posição da chave. Brasil e Japão fizeram um confronto emocionante na luta pela segunda vaga nas semifinais. Robinho colocou os brasileiros em vantagem, mas Nakamura empatou. Ronaldinho recolocou os sul-americanos na frente e a classificação parecia certa, mas Oguro empatou aos 43 minutos do segundo tempo. Em uma tentativa desesperada da virada, os japoneses desperdiçaram uma grande chance nos acréscimos, permitindo à Seleção se classificar no saldo de gols e sem jogar um futebol convincente.
A maré mudou a partir do mata-mata. Em um jogo difícil contra a Alemanha, os brasileiros mostraram força e confiança ao vencer por 3 a 2 em Nuremberg. Adriano (2) e Ronaldinho marcaram para o Brasil, com Podolski e Ballack fazendo os gols alemães. Na outra semifinal, Argentina e México ficaram em um equilibrado 1 a 1. Os argentinos se classificaram nos pênaltis.
Pela rivalidade, esperava-se que a final seria equilibrada. Nada disso: o Brasil se impôs com uma incrível superioridade técnica diante de uma Argentina atônita e se ressentindo de alguns titulares que foram poupados para o torneio. Em dois chutes de longa distância, Adriano e Kaká fizeram 2 a 0 em apenas 16 minutos. A partir daí, os argentinos se perderam em campo e permitiram ao ataque brasileiro construir a goleada.
No segundo tempo, Ronaldinho e Adriano fizeram mais dois gols. Com o resultado já definido, Aimar marcou o gol de honra da Argentina. Os 4 a 1 – mesmo sem Ronaldo, que pedira dispensa – deixaram o Brasil como favorito destacado ao título da Copa de 2006 e consolidou em Carlos Alberto Parreira a ideia de usar um quarteto ofensivo no Mundial, com dois meias de armação e dois atacantes.
Brasil 4×1 Argentina
Final da Copa das Confederações 2005
Local: Waldstadion (Frankfurt-ALE)
Público: 45.591
Árbitro: Lubos Michel (Eslováquia)
Brasil: Dida; Cicinho (Maicon), Lúcio, Roque Júnior e Gilberto; Emerson, Kaká (Renato), Zé Roberto e Ronaldinho; Robinho (Juninho Pernambucano) e Adriano.
Argentina: Lux; Zanetti, Coloccini, Heinze e Placente; Bernardi, Cambiasso (Aimar), Riquelme e Sorín; Delgado (Galletti) e Figueroa (Tevez).
Gols: Adriano (11min), Kaká (16min), Ronaldinho (47min), Adriano (63min) e Aimar (65min)
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