Sem categoria

'Com a LC, realizarei um sonho'

A Lazio superou as expectativas ao se classificar para a Liga dos Campeões, mas quase colocou tudo a perder na fase preliminar. Depois de empatar em casa por 1 a 1 com o Dínamo Bucareste, terminou o primeiro tempo na Romênia perdendo por 1 a 0, e só no segundo tempo veio a virada. O que passou pela sua cabeça durante o confronto?
No primeiro jogo, parecia que alguma coisa estava contra nós. Tivemos todo o tipo de falta de sorte possível. Pênalti perdido, jogadores lesionados… Na Romênia, também começamos com problemas, saímos perdendo. No intervalo, olhamos um para a cara do outro e tomamos consciência do que estava em jogo, da importância que tinha recuperarmos aquele jogo. No segundo tempo, tudo mudou, a sorte começou a ficar do nosso lado. Marcamos de pênalti logo no início, o time deles começou a perder coragem, conseguimos a virada e depois foi só administrar até o final.

Como foi a conversa com o Delio Rossi no intervalo?
Nosso time parecia um pouco amedrontado, preocupado. Não conseguíamos fazer as jogadas a que estávamos acostumados, alguns jogadores estavam impressionados com o estádio lotado em Bucareste. Ele procurou mostrar para nós a importância que tinha aquele segundo tempo, o que valia para a Lazio e para a carreira de cada um de nós. O time voltou completamente diferente.

A Liga dos Campeões é uma competição que todo jogador sonha disputar. Qual a sua expectativa? Até onde você acha que a Lazio pode chegar?
Vai ser minha primeira participação na Liga dos Campeões. O primeiro sonho de uma criança é o de ser jogador. Depois, de jogar em um grande time, e depois, disputar competições importantes como a Liga dos Campeões e a Copa do Mundo. Poderei realizar mais este sonho, com 27 anos, e estou muito feliz. Tenho uma experiência boa no futebol europeu. Quanto ao time, o problema é que o grupo não tem muitos jogadores de reposição. Nosso time titular pode colocar em dificuldade os grandes da Europa, mas não temos muitos substitutos caso algum dos titulares não possa jogar.

De acordo com a primeira sentença do CalcioCaos, a Lazio jogaria a Série B. Depois de conseguir a permanência na Série A mediante recurso, o time cresceu ao longo da temporada e acabou na Liga dos Campeões. Como vocês viveram esse ano atípico?
Nós perdemos a possibilidade de disputar a Copa Uefa na última temporada, por causa de todos estes problemas. Pela primeira decisão da justiça, tínhamos sido rebaixados. Um time que pretendia disputar as quatro ou cinco primeiras posições do campeonato estava ameaçado de jogar a Série B. Com os recursos, conseguimos jogar a Série A com penalização de 3 pontos. Depois, foi incrível. Primeiro, nós queríamos escapar do rebaixamento. Então, pensamos em classificação para a Copa Uefa. O objetivo foi melhorando, o time jogando bem, e acabamos chegando até na frente do Milan. Surpreendemos nossos torcedores e toda a imprensa italiana.

Durante a temporada, o time sofreu alterações táticas significativas, até se encontrar com o Mauri fazendo a ligação com o ataque e três volantes protegendo a defesa. Como foi essa transição?
Nós encontramos muitas dificuldades no começo da temporada. Jogávamos com o mesmo esquema tático do campeonato anterior, mas dois titulares do nosso meio-campo, Liverani e Dabo, haviam saído. Os jogadores que vieram não tinham a mesma característica. O treinador foi inteligente, descobriu o Mauri como jogador de fantasia no meio-campo, atrás dos atacantes. Ele foi o jogador que fez a diferença. E cada jogador, dentro de suas características, se encaixou naquele sistema. O time foi crescendo cada vez mais.

O esquema também deu maior segurança à defesa, não?
Certamente. Fomos a segunda defesa menos vazada do campeonato, com três meio-campistas à frente da zaga. O Ledesma jogava mais preso, e os outros dois jogadores, Mutarelli e Mudingayi, são excelentes na marcação.

Raramente a dupla de zaga da Lazio se repetiu com o Delio Rossi. Opção dele ou exigência das circunstâncias?
É circunstância. No momento, ele só conta com três zagueiros centrais: eu, Siviglia e Stendardo. Com os cartões e contusões, é natural que ele precise mudar. O importante é que todas as duplas que vêm jogando atuam bem.

Você tem um colega de zaga favorito?
Para mim é indiferente, não tenho problemas em atuar com nenhum deles. É claro que atuar ao lado de um jogador experiente como o Siviglia, que tem 34 anos, te dá uma tranqüilidade maior.

Você já se referiu às limitações do elenco. Na Itália, os técnicos gostam de revezar o elenco entre as competições, prática conhecida como “turnover”. Sem essa possibilidade, em que ponto a Lazio vai sentir as conseqüências na temporada?
Na verdade, depois do jogo de Bucareste os objetivos mudaram um pouco. Até o fim do mercado, pelo que o presidente falou, até o dia 31 devem chegar mais três jogadores de nível. Vai melhorar bastante o elenco.

Antes do Delio Rossi, quem foram seus técnicos no futebol italiano?
Trabalhei com o Luciano Spalletti, hoje na Roma, quando estava na Udinese. No Empoli, fui dirigido pelo Silvio Baldini, aquele que deu o chute na bunda do técnico do Parma (risos).

O que eles te passaram em matéria de aprendizado?
Com cada treinador se aprende alguma coisa. Eu sempre digo que o técnico que mais te ensina é aquele que te coloca para jogar no domingo. Você só aprende se joga no domingo. Os que me ensinaram alguma coisa foram os que me colocaram para jogar.

E quem te lançou como titular no Empoli?
Foi o Baldini.

Tendo trabalhado com ele, ficou surpreso com o incidente com o Mimmo Di Carlo?
De forma alguma. Quem conhece o Baldini sabe que ele é mesmo daquele jeito.

Você já tem uma carreira sólida na Série A, mas não tem seu nome cogitado para a Seleção Brasileira. O que acontece?
Acontece comigo, mas acontece com outros jogadores que saíram do Brasil desconhecidos. Saí aos 17 anos para a Itália. Agora, na Lazio, com essa vitrine da Liga dos Campeões, certamente terei a possibilidade de me mostrar mais.

Então você ainda vê a Seleção como objetivo.
Com certeza.

Recebeu propostas para voltar ao Brasil?
Houve alguns contatos. O Santos já tentou, o São Paulo me procurou em junho, mas estou bem aqui e quero ficar pelo menos mais uns três campeonatos na Europa. Ainda penso em jogar em um clube brasileiro e voltar para casa.

Você tem um clube do coração no Brasil?
Eu sou flamenguista. Gostaria de jogar no Flamengo pelo menos um campeonato, mesmo sabendo das dificuldades em que o clube se encontra.

Na Itália, houve sondagens de outros clubes?
O clube que me procurou com maior interesse foi a Juventus, mas o presidente Lotito não pensa em vender ninguém. Pelo contrário, quer melhorar o time. Ele não quis começar uma negociação.

A Itália tem alguns dos maiores jogadores de defesa do mundo. Quem são suas referências?
Pego como exemplo a dupla do Milan, Maldini e Nesta. Gosto muito do estilo deles, se assemelha às minhas principais características como jogador. Quem se tornou muito forte nos últimos anos foi o Materazzi, da Inter. Ele cresceu em personalidade, confiança em si mesmo. Cinco anos atrás, não era metade do jogador que é agora. Hoje, é um dos melhores do mundo.

Como você vê o trabalho do Dunga à frente da Seleção? É positivo buscar um treinador sem experiência prévia?
Foi bem arriscado. Eu já tive experiências do tipo na minha carreira, foi prejudicial para mim e para o treinador. Mas até o momento ele vem tendo razão. Está dando oportunidade a jogadores novos, ganhou a Copa América, então vamos dar confiança a ele porque ele vem bem.

Ele já chegou a te procurar?
Ele, pessoalmente, não. Os colaboradores dele, sim. Em março, quando houve amistosos contra Gana e Chile, eu estava na lista de 40 pré-convocados. Tive o azar de sofrer um problema muscular na época e perdi a oportunidade.

Pelo menos você sabe que está sendo observado.
Sim, estou certo disso.

Alguns clubes europeus, como Real Madrid e Barcelona, realizam um bom trabalho nas categorias de base, mas não dão espaço aos jogadores formados. Como funciona na Lazio? O jogador que vem da base tem oportunidade?
Nos últimos dois anos, a Lazio voltou a valorizar os jovens. Nosso atual titular da lateral-direita, o De Silvestri, é prata da casa. É um resgate importante para o clube, que já teve alguém como o Nesta.

Hoje em dia, os jogadores têm fugido ao máximo de polêmicas em suas declarações. Há algum tipo de pedido da assessoria ou do clube sobre o que vocês podem dizer?
A imprensa brasileira eu não conheço, mas a italiana procura colocar o jogador em dificuldade, tirar dele a parte polêmica de qualquer situação. O jogador que fala o que pensa pode denegrir a própria imagem e criar problemas no grupo. Por isso, o jogador fala o que é mais cômodo e não necessariamente o que ele pensa de verdade.

Você sofreu uma fratura na face no jogo de ida contra o Dínamo, e teve de usar uma máscara especial para atuar em Bucareste. Se não fosse a urgência na zaga, teria sido liberado para jogar?
Foi arriscado. Para o osso voltar ao normal, são precisos pelo menos 40 dias. Era um jogo importante, e foi a minha a decisão de arriscar.

Mostrar mais

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo