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“Clube pecou por inexperiência”

Atual campeão sul-coreano, o técnico brasileiro Sérgio Farias, do Pohang Steelers, explicou a Trivela os motivos que levaram o rubro-negro do leste a não conseguir se classificar para as quartas-de-final da Liga dos Campeões da Ásia. Além de falar da K-League 2008 – liga nacional da Coréia do Sul – onde o Steelers está entre os quatro primeiros.

A inexperiência da diretoria do clube para planejar uma temporada onde teve que conciliar K-League e Liga dos Campeões da Ásia, foi um dos problemas que você enfrentou para colocar ordem na equipe?
Sim, inclusive convivemos com a transição de presidência que atrasou a tomada de algumas decisões cruciais na elaboração e execução do planejamento, além da seleção coreana que se reuniu durante a pré-temporada e convocou cinco titulares da base campeã. Também a indefinição na renovação de atletas sul-coreanos importantes, e a saída de alguns jogadores devido a valorização adquirida após a conquista da K-League. Esses fatores somados a outros de menor dimensão dificultaram a aquisição e manutenção de uma boa performance no inicio deste ano.

O Steelers teve um inicio de temporada ruim na K-League, mas se recuperou. Quais foram as dificuldades no trabalho diário no campo até achar o caminho?
A manutenção da base era primordial para termos um inicio satisfatório, isso não acorreu, perdemos cinco titulares que saíram do clube devido a inércia da direção na tomada de decisão quanto a renovação dos contratos desses atletas. Além de terem sido feitas algumas aquisições equivocadas pela direção passada para suprir as saídas dos titulares campeões.

Andrézinho, que acertou com o Inter, de Porto Alegre, faz muita falta na armação de jogadas? A saída dele deixou uma lacuna difícil de ser preenchida?
Sem duvida, o Andrézinho foi um jogador importante na performance alcançada na temporada passada, substituí-lo será possível, porém no momento estamos dentro da competição (K-League) e há a necessidade de dar ao substituto dele o tempo necessário para a adaptação.

Você tem variado do 3-5-2 para o 3-4-3, quais são as principais dúvidas que você tem no desenho tático da equipe?
Tenho variado do 3-5-2 para o 3-4-3 por opção tática e não que haja duvida quanto a definição.

Acha que sua equipe sentiu a pressão contra times de fora da Coréia na LC?
Não creio que tenha sentido a pressão de atuar fora, mas a falta de experiência da maioria dos atletas e inegável, além de não termos conseguido a montagem da equipe em tempo hábil, como eu disse.

Esse treinador do Changchun Yatai, da China, Gao Hongbo, é um tipo que foge um pouco do estereótipo de um técnico oriental e vem sendo bastante elogiado. Qual impressão você tem dele?
Tive dois ou três contatos com ele durante as coletivas que antecederam os jogos, me tratou de forma cordial e educado, tive uma boa impressão.

Sendo o atual campeão nacional porquê a média de público da equipe é uma das quatro menores na K-League 2008?
A media de publico aumentou de 5 para 8 mil expectadores em nosso estádio, o que há é a concorrência com os jogos de baseball na televisão e os campeonatos europeus sendo transmitidos na integra durante os horários das competições coreanas. Isso gera, sem duvida, um decréscimo de publico nos estádios.

Inclusive, chama muito a atenção o fato de equipes vencedoras e de muita tradição como Seongnam Ilhwa Chunma e Chunnam Dragons terem uma média de público tão modesta. Existe alguma explicação?
Sim, no caso do Seongnam, na cidade em que estão situados a população é fanática por baseball e algumas pessoas citam o fato do clube pertencer ao Reverendo Moon, que seria de uma religião contraria a grande maioria protestante. No caso do Dragons, é a campanha ruim na Liga Nacional e na Liga dos Campeões da Ásia.

O que ficou de mais marcante daquela conquista do titulo sul-coreano de 2007, depois de 15 anos que o Pohang Steelers não ganhava?
A festa promovida pelos torcedores no centro da cidade e a mobilização de todos os segmentos da sociedade desde políticos até os amantes do baseball, principal esporte no país.

Como é a relação entre os treinadores na Coréia do Sul, especialmente com Senol Gunes, do Seoul, e Cha Bum Kun, do líder Suwon Samsung Bluewings? Existe uma proximidade ou cada um faz seu trabalho e ponto final?
Há o respeito profissional e o tratamento cordial, raramente nos encontramos devido a distância entre as cidades.

A principal vantagem do Seongnam Ilhwa Chunma e do Suwon Samsung Bluewings em relação ao Steelers é puramente financeira ou existem outros aspectos?
Essas equipes fazem investimentos significativos na aquisição de jogadores coreanos e estrangeiros, mas não posso atribuir somente a isso a performance deles, é óbvio que o trabalho de seus treinadores tem influencia também no rendimento dessas equipes.

Entrevistamos Schwenck e Botti e ambos disseram que a diferença entre o futebol japonês e sul-coreano é que o futebol japonês é mais técnico e o sul-coreano de força. Qual sua visão sobre o tema?
Concordo com ambos, porem vale ressaltar que nos últimos confrontos o futebol praticado aqui tem obtido êxito sobre os japoneses em competições entre clubes e seleções.
 

Atualmente se fala muito em altura e força no futebol. Acha que essas características dificultam para o sul-coreano atingir níveis mais elevados ou o sucesso de Park Ji-Sung na Europa prova que não?
Dependendo da posição em que atue o atleta que reúne esses atributos aliados a qualidade técnica sem duvida terá mais facilidade em outras escolas de futebol. Mas após a melhoria do poder aquisitivo do povo coreano, a característica do biotipo tradicional tem mudado, hoje é comum atletas coreanos com 1.85 de altura atuando nas equipes.

Como tem visto a seleção sul-coreana? Estão no caminho certo?
Estão passando por um período de transição de geração, a comissão técnica tem potencial e conhecimento para administrar essa transição desde que haja a devida paciência durante o processo. Acredito que estejam fazendo o melhor no momento.

Nas suas duas passagens pela seleção brasileira sub-20, o que tem a dizer a respeito das duas gerações que treinou?
Durante o período que estive a frente da seleção encontrei muitas dificuldades na liberação dos principais jogadores dessa categoria pelos clubes, porém, consegui conquistar alguns torneios Tinha vários talentos como o Diego (Werder Bremem), Leandro Bonfim (Vasco da Gama), Felipe (Corinthians). Há vários que ainda irão crescer e despontar no futebol brasileiro e mundial, mas estes já são realidade em seus clubes.

Como foi o processo de transição de Diego e Robinho para os profissionais do Santos? Existia a certeza do sucesso deles? Como foram as conversas com Celso Roth e Leão?
O Celso Roth acompanhou a Taça São Paulo da categoria no ano da conquista do brasileiro de 2002. Após o término da competição checou junto a minha comissão técnica as informações sobre o potencial de cinco jogadores, entre eles, o Diego e o Robinho. Promoveu-os para os profissionais e logo em seguida deixou o clube, o Leão apenas deu continuidade a um processo iniciado pelo Celso Roth. Poucas pessoas da imprensa tem conhecimento desse fato.

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Equipe Trivela

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