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Chicão: Dos pampas para Tailândia

O técnico brasileiro Francisco José da Silva, 49 anos, comanda o Tobacco Monopoly, no Campeonato Tailandês de futebol. Conhecido como ‘Chicão Gaúcho’, ele está há seis meses no sudeste asiático e nos revelou várias facetas do futebol tailandês. Simpático, Chicão conversou conosco poucas horas depois da estréia de sua equipe, com derrota, no Campeonato Tailandês e se mostrou muito cômodo respondendo às questões.

Confira a entrevista e conheça melhor o desafio desse técnico

O Tobacco Monopoly ficou em quarto lugar na temporada 2006 do Campeonato Tailandês. Neste ano, a ambição da equipe é ser campeã? Como você planeja desbancar os favoritos e ganhar a taça?
Trabalhando com seriedade, sabendo das dificuldades, mas o grupo tem condições de fazer um bom campeonato, haja vista os jogos-treinos realizados antes de iniciar a liga –nós ganhamos quase todos os jogos preparatórios.

O estádio do Tobacco Monopoly é muito acanhado? Os torcedores lotam ou fica quase vazio? Nos outros estádios tem muito público?
O estádio em que mandamos os jogos comporta cerca de 10 mil pessoas, e existem outros estádios maiores aqui, nos quais cabem até 70 mil pessoas. Mas o futebol, aqui, não é o primeiro esporte em popularidade. Nosso primeiro jogo deve ter dado cerca de 2 mil pessoas. Segundo nosso intérprete, com a seqüência das partidas o público deve aumentar. Existe também a TV aberta e a TV por assinatura, que transmitem os jogos ao vivo.

O que acha da qualidade dos campos na Tailândia?
Os gramados estão em boas condições para prática do futebol. Lógico que em algumas estações do ano, às vezes eles não estão 100%. O gramado do nosso estádio, por exemplo, é muito bom.

Quais são as principais virtudes e defeitos do jogador tailandês?
O jogador do país, em geral, tem uma técnica de razoável para boa. No entanto, existem deficiências em alguns fundamentos, pois aqui na Tailândia não existe categoria de base, daí isso faz com que aprofundemos mais estes trabalhos. Conseqüentemente, perdemos muito tempo onde deveríamos estar trabalhando a parte tática, por exemplo.

Alguns teriam potencial para jogar uma Segundona ou uma Terceirona no Brasil?
Alguns tem condições de jogar até na primeira divisão! Com a vinda de profissionais de fora, passou a existir essa conscientização de trabalhar os fundamentos técnico e tático. Aqui no Tobacco, nós temos feito muito trabalho nessas áreas, o que pôde dar uma dimensão maior no jogador tailandês.

O esquema mais utilizado é o 4-4-2 típico da escola inglesa, com as linhas de quatro jogadores na defesa e no meio, mais dois avançados?
Sim, todas as equipes usam esse esquema, menos a minha (Tobacco Monopoly) e a do Provincial Eletricity, que também é dirigida por um brasileiro. As outras 14 só jogam nesse esquema.

Os maiores salários pagos aos boleiros estrangeiros perturbam os jogadores tailandeses? Existe muito ciúme?
Não. Pelo menos aqui, no Tobacco, não existem. Os atletas estrangeiros são muito bem tratados pelos tailandeses.

A pronúncia dos nomes dos jogadores da Tailândia é extremamente difícil, assim como o idioma. Quais são suas maiores dificuldades na comunicação?
Nós temos um intérprete brasileiro que fala tailandês fluentemente, mas a língua do futebol é universal, nós usamos muitos gestos, sinais, e os jogadores, com o tempo, já aprenderam muita coisa.

O sudeste asiático é conhecido pela corrupção no futebol, especialmente o Vietnã. Você tem observado alguma coisa suspeita?
Até o momento, não. O que o futebol tailandês precisa é de um calendário prévio e uma maior divulgação da competição, pois as equipes estão com um bom nível técnico. Neste ano, contrataram muitos estrangeiros, e os próprios jogadores tailandeses estão numa crescente.

Você aconselharia um jogador brasileiro a trabalhar na Tailândia ou a adaptação é difícil e o salário não compensa?
Aconselho sim, porque as condições de trabalho são boas, salário em dia. Tem muito clube brasileiro que não paga bem como aqui, sem contar outros benefícios, como prêmios. Quanto aos hábitos e costumes, com o tempo, você se adapta.

A Copa da Ásia começa em junho, e a Tailândia é uma das sedes. Como está o clima no país?
Há muita expectativa. Haja vista que o futebol tailandês, como já falei, vem numa crescente. A seleção fez bons jogos nos últimos torneios que disputou, levando um bom público, e o técnico está convocando muitos jovens tidos como revelações. Isso é muito importante para o futebol daqui.

Qual a maior curiosidade que você observou nos treinos, nos jogos ou no comportamento dos torcedores?
Não só os jogadores, mas toda a população é muito religiosa. A maioria é budista. Os torcedores levam muita comida para os estádios, fazem um verdadeiro piquenique nas arquibancadas.

Você pretende ficar na Ásia por muito tempo?
Meu contrato vai até outubro. Caso eu queira ir embora, existe uma multa contratual. Gostaria de voltar ao Brasil e encontrar um bom time para trabalhar, haja vista que, enquanto estive no Brasil, mesmo em equipes pequenas, sempre realizei um bom trabalho. Quem sabe no final do meu contrato aqui, eu possa voltar ao Brasil? Caso contrário, continuo meu trabalho no Tobacco, apesar de já ter recebido um convite de um time de Honduras. Tudo vai depender de um acerto com os dirigentes sobre a multa rescisória.

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