Champions Festival

A Uefa, confederação europeia de futebol, transformou gradativamente o que era um torneio continental em sucesso no mundo todo. Entre diversas razões, como poder aquisitivo dos clubes, jogadores de muitas nacionalidades e audiência massiva, na coluna de hoje vamos focar nos méritos – e falhas – da entidade no ápice da temporada: a promoção da final do campeonato.
Desde 2006, a cidade sede da decisão (escolhida com antecedência) também é palco do Champions Festival, uma semana de inúmeras atrações gratuitas para os torcedores. Nesse festival, a própria confederação prepara exposições com camisas, vídeos e momentos dos anos anteriores, além é claro, de dar aos patrocinadores a chance de propiciar experiências com o público presente.
Tive a oportunidade de visitar dois Champions Festivals (Madrid-2010 e Londres-2011) e para quem tem o mínimo de familiaridade com o futebol, é um parque de diversões. Adultos levam as crianças, mas se divertem tanto quanto elas ao reverem imagens e vídeos das edições anteriores, momentos marcantes e jogadores históricos. Entre o conteúdo apresentado pela Uefa está o Museu dos Campeões, com chuteiras, uniformes e outros itens utilizados pelos atletas; o Teatro dos Campeões, um mini-cinema de cinco telões que exibe periodicamente um vídeo espetacular com grandes momentos da UCL (o gol de Zidane em 2002 e a virada do United em 1999 estão lá, é claro); e a oportunidade de tirar uma foto ao lado do troféu.
Para os patrocinadores, existem diversos stands no espaço escolhido – este ano, o londrino Hyde Park. A montadora Ford promovia seus carros em meio a um teste para os fãs que gostam de cobrar faltas. E enquanto o goleiro eletrônico do banco Unicredit tentava defender os pênaltis, a Sony divulgava sua tecnologia 3D e seu vídeogame, o Playstation.
A semana de eventos visa principalmente o público local, mas, à medida que a decisão do torneio se aproxima, é inevitável a presença de turistas. No sábado, 28, último dia do festival, um jogo entre estrelas do passado como Cafú (e nem tão estrelas assim, como Graeme LeSaux) foi realizado num campo society. Já era possível ver muitas pessoas com camisas de Barcelona e Manchester United presentes, até o fim da tarde, quando as atividades se encerraram e as atenções são voltadas ao jogo.
Entretanto, nem tudo que vem da Uefa são acertos. Os elevados preços de ingressos na competição continental, principalmente na final (com ingressos custando no mínimo 150 libras) elitizam o campeonato. O sistema de distribuição também é controverso: 25{4e6004d4b2dec836d33dc5172bfddf26d3363bd8dda1f1bebd6a41477248514f} online, 25{4e6004d4b2dec836d33dc5172bfddf26d3363bd8dda1f1bebd6a41477248514f} para convidados e patrocinadores e apenas 50{4e6004d4b2dec836d33dc5172bfddf26d3363bd8dda1f1bebd6a41477248514f} para os clubes finalistas. O resultado é a presença de um público ocasional, com poder aquisitivo mas não necessariamente identificado ao futebol, o que para o esporte é terrível. As lojas oficiais também vendem seus produtos com preços salgados, e ainda assim são sucesso com o público presente.
Mesmo com esses erros, ao menos o Champions Festival é gratuito, ótimo para o público local, turistas e patrocinadores. Esse evento, que já ganha ares de tradicional, é mais uma lição de marketing esportivo da Uefa.
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