Cazares e Damião foram as faces de um grande jogo no Beira-Rio, de frustração ao Inter, mas imposição ao Galo

O colorado mais racional sabia que as chances de conquistar o título brasileiro em 2018, neste momento, eram apenas uma mera enganação dos números. A matemática permitia sonhar, mas não a realidade, que obrigava o impossível. Urge ainda mais, ao menos enquanto o Palmeiras não entrava em campo, dando um fiapo de probabilidade à reviravolta inimaginável. Ainda assim, este era o jogo decisivo para o Internacional se manter no páreo da ilusão. Caiu juntamente com a invencibilidade no Beira-Rio, em duelo bom de se assistir a que não torce para os clubes, mas de roer as unhas aos gaúchos. As chances perdidas custaram caro e o Atlético Mineiro conquistou uma vitória valiosíssima por 2 a 1 em Porto Alegre. Resultado que deixa o Galo muito próximo da Libertadores, em futebol possante garantido pelas arrancadas de seus estrangeiros.
Como era de se esperar, o Inter começou com mais atitude no Beira-Rio. Tentou pressionar o Atlético Mineiro durante os primeiros minutos. Faltava criatividade, logo apelando demais às ligações diretas, sem uma saída de bola eficiente. Pior, deixava espaços aos visitantes e sofria principalmente com a velocidade de Chará. Assim, mais confortável no jogo, o Galo passou a dominar as ações e a criar chances. Arriscava a gol e levava perigo à meta de Marcelo Lomba, se soltando no ataque. O primeiro gol saiu aos 42, em contragolpe perfeito. Adílson recuperou a bola e tocou a Chará, que deu uma bela enfiada a Cazares na esquerda. O equatoriano disparou e, contando com o posicionamento ruim de Lomba, soltou a bomba no ângulo.
A situação sufocava o Internacional. E na volta do intervalo, mais uma vez, o time partiu para cima. Buscava incomodar Victor, mas não conseguia finalizar da melhor maneira. As chances iam se acumulando e o absurdo aconteceu aos 16, em bola que ficou com Leandro Damião na pequena área, para o centroavante fazer o mais difícil, mandando por cima do travessão. Era uma pressão grande dos colorados, que já davam claros sinais do desespero. Já do outro lado, mesmo que as chegadas do Galo fossem mais raras, Cazares continuava infernizando. Quase anotou (outro) golaço do meio-campo, pegando Lomba desprevenido, mas mandou para fora.
O sopro de esperança só ressurgiu ao Internacional quando Leandro Damião sofreu pênalti de Iago Maidana. Na cobrança, D’Alessandro empatou aos 37. Só que Damião novamente jogaria fora a chance de ser herói. Em mais uma jogada claríssima, dentro da área e com a meta aberta, o centroavante mandaria para fora. Custou caro. Ainda houve tempo a um gol de Rossi bem anulado, até que o Atlético consumasse sua vitória gigantesca aos 47. Em novo contragolpe, Cazares fez outra baita jogada pela direita. Cruzou para o uruguaio David Terans completar na raça, anotando seu primeiro gol pelo clube. No fim, com os colorados grogues, Lucas Cândido quase fez o terceiro em bomba fora da área que explodiu no travessão.
O Internacional, depois de voltar da segunda divisão, já fez uma campanha bastante acima das expectativas. Os colorados possuem um elenco com boas opções e que fez por merecer o topo da tabela enquanto disputou o título, mas que não teve fôlego para manter a toada no segundo turno. A decepção é evidente por aquilo que não aconteceu, mas o saldo está longe de ser ruim. A classificação à Libertadores é um prêmio digno e o intuito precisa ser o de continuar colocando ordem na casa, porque há uma base com potencial no Beira-Rio.
Já o Atlético Mineiro derrapou ainda mais vezes neste Brasileirão. Todavia, em um momento de enxugar o elenco, a vaga na pré-Libertadores tem sua valia. E esta o Galo não deve perder mais, abrindo seis pontos de vantagem neste momento. Uma noite para os atleticanos agradecerem a Cazares, imparável. Se às vezes falta regularidade e cabeça, o talento do equatoriano é evidente. Garantiu uma das maiores vitórias do campeonato ao Galo.


