Cavalo alado se reforça

Um dos goleiros mais promissores do futebol brasileiro na década passada, Fábio Noronha é uma das estrelas da Liga de Hong Kong, uma das mais antigas da Ásia com 100 anos. Aos 32 anos, o arqueiro revelado no Flamengo acabou de trocar o Happy Valley pelo TSW Pegasus, novo clube que promete roubar a cena no país. “Oliveira” como é chamado por lá, também falou sobre seu auge disputando os Mundiais sub-20 de 1993 e 95. Confira!
Não acha arriscado trocar um clube de ponta como o Happy Valley por um recém-fundado como o TSW Pegasus?
Eu tinha contrato com o Happy Valley por mais uma temporada, mas o Pegasus me procurou com uma proposta bem melhor. Eu conversei com o
pessoal do Happy Valley e eles me disseram que não cobririam, pois estava fora da realidade deles, entramos num acordo e vim pro Pegasus.
O que tem a dizer da estrutura do novo clube?
É uma das melhores de Hong Kong, um time recém-criado, mas que chegou pra ficar e em breve será um dos melhores do país.
Happy Valley, Sun Hei e South China são as principais equipes do país. Qual deles tem a torcida mais fanática e as melhores condições econômicas?
Sem duvida nenhuma é o South China.
Os brasileiros e os africanos fazem uma diferença absurda no campeonato. O nível dos jogadores locais é realmente muito ruim?
Eu não diria que são muito ruins, são jogadores que não fazem a diferença. São até bons, mas não passam disso, bons jogadores.
Cingapura também é um país minúsculo e de economia próspera, tem crescido bastante no futebol do sudeste asiático, mas Hong Kong com perfil idêntico, não progride. Quais os principais problemas que você observa?
Isso realmente é uma incógnita, mas acho que se deve ao pouco comparecimento de torcedores nos estádio. Eles amam futebol, adoram os brasileiros, mas não comparecem em peso aos estádios.
O que tem de legal pra fazer e visitar em Hong Kong?
É um lugar que faz parte do continente asiático, mas não tem nada de Ásia, tem restaurantes de todos os países, lugares lindos pra conhecer, praias maravilhosas. Em virtude do futebol, eu conheço muitos lugares e digo sem medo de errar que aqui é um dos melhores lugares que conheci.
Você esteve no Ankaraspor, o futebol turco definitivamente é uma paixão absurda, não?
Demais! Eles amam futebol, lotam todos os jogos independente do adversário.
Depois de ganhar o Mundial Sub-20 pelo Brasil, em 1993, o Dida teve uma sequência jogando no Vitória e no Cruzeiro, enquanto você não teve espaço no Flamengo e quando saiu, foi para o Fluminense, que estava decadente. Você acha que tomou decisões erradas no passado?
Sem dúvida alguma tomei algumas decisões erradas, e esta citada por você na pergunta foi uma delas, mas na época, em minha cabeça, eu só estava trocando um grande por outro e não foi isso que aconteceu. Fiquei dez meses sem receber no Fluminense, foi a pior época de minha vida e hoje digo sem medo que fiz a pior escolha da minha vida quando saí do Flamengo.
Na decisão do Mundial Sub-20 de 1995 você acha que o time sentiu a pressão de encarar um clássico contra a Argentina num estádio tomado por 50 mil pessoas, em Doha, ou a Argentina era mesmo melhor?
Eu tinha sido campeão mundial na Austrália dois anos antes, o que posso dizer é que nosso grupo no Qatar era tão bom quanto o da Austrália, mas não unido e imbuído do mesmo pensamento como aquele grupo de 93. Vários problemas aconteceram que não vem ao caso comentar, até porque já passou e não conseguimos o título.
Mas o grupo de 95 com você, Zé Elias, Denílson, Luizão e Caio tinha mais qualidade que o de 93.
Bem, em termos de qualidade individual não tenho dúvidas que o de 95 era melhor, só que em 93 formamos realmente uma ‘família’, todos com o mesmo pensamento e infelizmente em 95 não conseguimos formar esta mesma ‘família’.
Você ainda mantém contato com essa rapaziada que jogou os mundiais de 93 e 95 com você?
Com a maioria sim, mas alguns nem sei onde estão jogando ou se ainda estão jogando…
Pretende voltar ao Brasil?
Voltar a jogar no Brasil é um sonho, mas tenho a consciência de que será muito difícil, tenho 32 anos e pra voltar ao Brasil e ganhar um bom salário como aqui, só num clube grande. Como te falei, é um sonho e enquanto este sonho não se realiza fico aqui em Hong Kong fazendo aquilo que amo, ser goleiro.


