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Casas da Espanha

Quando se pensa em futebol espanhol, logo vêm à mente: Barcelona, Real Madrid, Sevilla, além de outros grandes, jogando em seus respectivos estádios – não menos famosos.

Mas quem nunca se perguntou “quem afinal foi Santiago Bernabéu?”, ou mesmo “o que raios seria Camp Nou?”

A Trivela apresenta aqui uma breve história das grandes figuras que, por suas participações importantes em seus respectivos clubes, foram homenageadas levando seu o nome nos estádios dos times. Sem esquecer, claro, dos clubes que, com pouca criatividade, se restringiram a apenas aproveitar a região onde ergueram suas casas para nomear o local onde recebem suas equipes, ou ainda aqueles que superaram a criatividade, e resolveram buscar em ex-jogadores – que nunca vestiram a camiseta do time – ou literatos famosos da cidade o perfeito nome para seu lar.

Vicente Calderón

Clube: Atlético de Madrid
Capacidade: 54800

O nome do estádio do Atlético de Madrid é nada mais, nada menos que uma homenagem ao famoso ex-presidente do clube, Vicente Calderón (1913-1987), que ficou no cargo durante 21 anos. Em janeiro de 1964, após a demissão de Javier Barroso, em meio a uma grave crise esportiva e econômica, Vicente Calderón assumiu o cargo, conseguindo rapidamente resolver os problemas pelos quais os clube passava. Assim, retomou as construções do estádio novo da equipe, que haviam sido iniciadas em 1961, e interrompidas pela redução dos recursos. A partir de então, em apenas dois anos a nova casa dos rojiblancos estava pronta, e o Estádio del Manzanares foi inaugurado, com o jogo entre Atlético de Madrid e Valencia, que terminou empatado em 1 a 1. O nome, referente ao rio homônimo, em cujas margens o estádio foi construído, foi mudado em homanegaem ao presidente em 1971, como agradecimento à gestão.

Calderón, que trouxe estabilidade para o clube durante sua direção, deixou o cargo em 1980, fazendo então Atlético voltar a passar por fase complicada. Dois anos depois, é eleito novamente à posição. O novo período não foi tão satisfatório, mas, ainda, assim, a equipe de Madrid conseguir levar outra Copa do Rei.

Calderón faleceu em 1987, ainda ativo no posto de presidente.

O estádio, que foi classificado como cinco estrelas pela Uefa em 2003 e recebe a maioria das partidas da seleção espanhola, deverá deixar de ser casa do Atlético, quando este mudar-se para o Estádio de La Peineta, que será reformado para abrigar 73 mil espectadores.

Santiago Bernabéu

Clube: Real Madrid
Capacidade: 80000

Mais um clube a dar nome de um ex-presidente ao seu estádio, o Real Madrid homenageou Santiago Bernabéu (1895-1978), no cargo de 1943 até 1978, período em que o clube se tornou um dos principais na Europa, com seis títulos da Liga dos Campeões, 16 títulos do Campeonato Espanhol, seis da Copa do Rei, e um Mundial Interclubes.

Bernabéu, que atuou na equipe como atacante entre 1911 até 1928, tendo marcado mais de 200 gols pelo clube, colaborou com a pintura das grades e colocação do gramado no campo, assim que se mudaram para o estádio anterior, em 1912. Ao pendurar as chuteiras, manteve o vínculo, primeiramente na diretoria, passando para auxliar técnico, e depois, treinador principal. Porém, em 1935 cortou seus laços com o Real, pois, no ano seguinte, estourou a Guerra Civil Espanhola, quando o futebol profissional no país foi interrompido. Na época, foi voluntário do lado fascista.

Com o fim da Guerra, Bernabéu decidiu reestruturar o Real, que havia perdido diversos membros da diretoria, mortos nos confrontos, além de alguns de seus primeiros troféus, roubados. Nos meses seguintes, passou a contatar antigos jogadores, diretores e membros do clube.

Em 1943, assumiu a presidência, em que ficou até sua morte, em 1978, quando a Copa do Mundo acontecia na Argentina. Em sua homenagem, a Fifa decretou três dias de luto durante o torneio.

O estádio novo foi finalizado e inaugurado em 1947, com o nome original de Estádio de Charmatín. Mas, em 1955, ampliado e reformado, foi renomeado de Santiago Bernabéu, gravando na memória do torcedor atual do Real Madrid um grande personagem de sua história.

Ramón Sánchez Pizjuán

Clube: Sevilla
Capacidade: 42600

Ramón Sánchez-Pizjuán Muñoz (1900-1956) foi presidente do Sevilla em dois períodos, entre 1932 a 1942, assumindo novamente em 1943 até 1956. No intervalo, ocupava o cargo de vice-presidente da Federação Espanhola de Futebol, ambas posições em que sempre foi muito respeitado.

Sob sua gestão, a equipe ascendeu para a primeira divisão, na temporada de 1933/34, e os reforços continuaram chegando para sua estruturação. Terminou no ano em quinto na Liga, e sagrou-se, em 1935, campeão da Copa da Espanha, vencendo o Campeonato Espanhol em 1946.

Muito popular e querido pelos sevillistas, foi homenageado no nome da casa de seu clube de coração: Estádio Ramón Sánchez Pizjuán, que foi inaugurado em 1956, ano de sua morte.

Ruiz de Lopera

Clube: Real Betis
Capacidade: 51300

A casa do Real Betis, Ruiz de Lopera, também homenageia um ex-presidente. Em 1992, Lopera assumiu como acionista majoritário no clube, com 53%, após salvar suas finanças. Assim como os outros, sob seu mandato o Real Betis teve a sua maior glória esportiva: conquistou a Copa do Rei de 2005, e levou pela primeira vez os verdiblancos para a LC, na temporada 2004/05.

Em 2006, José León assumiu a presidência, enquanto Manuel Ruiz de Lopera continuou no clube, como parte do Conselho Administrativo. No ano que deixou o cargo de presidente, foi condenado pelo Ministério Público a sete meses e meio de prisão, por irregularidades fiscais nas gestões de 1996 e 1997. Porém, Ruiz de Lopera pagou uma multa de quase€ 5 milhões, e hoje é livre das acusações.

José Zorrilla

Clube: Valladolid
Capacidade: 26500

O estádio construído com o objetivo de se tornar uma das sedes da Copa do Mundo de 1982, acabou virando casa do Real Valladolid, que abandonou o Antigo Estádio José Zorrilla, já muito pequeno para o clube.

Diferente de qualquer outro da primeira divisão da Liga Espanhola, o Valladolid nomeou seu estádio em referência a um famoso literato local. José Zorrilla (1817-1893) foi grande romancista do século XIX de Valladolid, e acabou ganhando a homenagem no principal time de futebol da cidade.

Olímpic Lluís Companys

Clube: Espanyol
Capacidade: 56000

O Olímpico de Montjuïc, construído em 1927, foi reformado em 1989, e é a casa do Espanyol, em Barcelona, desde 1998. O nome é homenagem ao presidente da Generalitat de Catalunya, Lluís Companys i Jover (1882-1940), político catalão morto em 1940 pelo regime de Franco, que o entregou à Gestapo.

Porém, o clube irá mudar-se para o recém-construído Estadi Cornellá-El Prat ao final da temporada, com capacidade de 40 mil espectadores.

Coliseum Alfonso Pérez

Clube: Getafe
Capacidade: 14400

O Getafe não foi na mesma onda dos outros cubes espanhóis que usaram a imagem de seus antigos presidentes, e homenageou o ex-atacante Alfonso Pérez Muñoz (1972), que nunca nem atuou pelo clube. Nascido na cidade, Alfonso defendeu não só a seleção nacional, como também os rivais Real Madrid, Real Betis e Barcelona.

Porém, não foi feliz no fim de sua carreira, com uma sequência de lesões e jejum de gols, e decidiu pendurar as chuteiras em 2005. No entanto, voltou ao Real Madrid, entrando para o grupo veterano.

Estadi Fútbol Club Barcelona

Clube: Barcelona
Capacidade: 98700

A casa do Barcelona, cujo nome oficial é Estadi Fútbol Club Barcelona, é comumente chamado de Camp Nou, que significa nada mais, nada menos, que “campo novo”, em catalão, lingua oficial da província espanhola onde se encontra o clube.

O estádio, construído em 1957, é mais um considerado cinco estrelas pela Uefa na Espanha.

El Madrigal

Clube: Villarreal
Capacidade: 25000

A casa do Submarino Amarelo chamava-se Campo del Villarreal, quando inaugurado, em 1923. Dois anos depois, seu nome foi mudado para o atual, El Madrigal, em homenagem aos campos rurais da região onde foi construído. A apenas cinco quilômetros do Mar Mediterrâneo, por sua característica original campestre, foi apelidado de “Feudo Amarillo”.

No aniversário de 75 anos, foi remodelado e reformado, para a forma como é hoje. As obras terminaram para a temporada de 1999/2000.

Mestalla

Clube: Valencia
Capacidade: 52600

Inaugurado em 1923, como os outros, o Mestalla sofreu diversas alterações e reformas até o que é hoje. O estádio serviu como campo de concentração durante a Guerra Civil Espanhola, e sofreu diversos danos, posteriormente consertados, com mais reformas e ampliações.

A casa de Valencia mudou de nome em 1964 para Luis Casanova, ex-presidente que, em 1994, solicitou que o nome voltasse ao original. Porém, o clube irá mudar em breve, para um novo estádio que está em construção, ampliando de 56 mil, para 75 mil a capacidade de público, com previsão para ser finalizado na temporada 2009/2010.

La Rosaleda

Clube: Málaga
Capacidade: 29000

A casa da equipe do Málaga atualmente é La Rosaleda, inaugurada em 1941, para abrigar o time após a inundação do campo Baños del Carmen. Comporta quase 29 mil torcedores, sendo o quarto maior da região espanhola de Andaluzia, e recebeu também jogos da Copa do Mundo de 1982.

Riazor

Clube: Deportivo La Coruña
Capacidade: 33600

O estádio do Deportivo La Coruña é um dos mais antigos, tendo sido construído em 1909, onde costumava fazer parte dos jardins de um colégio de freiras, chamado Las Esclavas. O governo da cidade construiu um novo campo, em frente à escola, que foi apelidado de Riazor, pois se localizava muito próximo à praia homônima, de maneira que o nome pegou e se tornou oficial. Desde sua fundação, o estádio foi remodelado quatro vezes, inclusive para a Copa do Mundo de 1982. O clube planeja uma nova reforma em breve.

El Sardinero

Clube: Racing Santander
Capacidade: 22000

El Sardinero, construído em 1988, é a casa do Racing Santander, e recebe este nome pela proximidade com a praia do Sardinero. Tem capacidade para pouco mais de 22 mil torcedores.

Estadio de los Juegos Mediterráneos

Clube: Almería
Capacidade: 22000

A casa do Almería completou apenas cinco anos em 2009, e recebe este nome, de Estadio de los Juegos Mediterráneos, pois foi construído justamente para os XV Jogos Mediterrâneos de 2005, que aconteceram na cidade. Hoje, o campo é utilizado para os jogos do clube de futebol.

San Mamés

Clube: Athletic Bilbao
Capacidade: 39700

“Los leones de San Mamés”, como são chamados os jogadores do Athletic de Bilbao, jogam no estádio que recebeu esse nome por ter sido construído próximo à igreja de San Mamés, personagem da história cristã atirado aos leões pelos romanos, que, segundo a lenda, o teriam recusado, o que o tornou um santo. Construído em 1913, é um dos mais antigos da Espanha, tendo sido remodelado para a atual capacidade de quase 40 mil espectadores.

El Molinón

Clube: Real Sporting Gijón
Capacidade: 26000

O Estadio Municipal El Molinón, sede do clube Real Sporting de Gijón, foi construído na região em que havia um moinho d’água gigante, o que gerou seu nome popular: El Molinón. Não se sabe ao certo a data de sua inauguração, mas há regristros de sua existência em 1908, o que o torna o campo de futebol oficial mais antigo da Espanha.

Reyno de Navarra

Clube: Osasuna
Capacidade: 20000

O estádio, inaugurado em 1967, recebe o nome de Reyno de Navarra justamente em homenagem ao reinado da região. Também recebe o apelido de El Sadar.

ONO Estadi

Clube: Mallorca
Capacidade: 23000

Em 1999, o Mallorca fechou acordo com a cidade de Palma para utilizar o ONO Estadi como casa para seus jogos, substituindo o Estadio Lluis Sitjar. O local havia sido construído para os Jogos Universitários de Palma, no mesmo ano. Antigamente chamado Son Moix, foi renomeado em 2006, por razões comerciais.

Nuevo Colombino

Clube: Recreativo de Huelva
Capacidade: 21000

O estádio Nuevo Colombino foi construído em 2001, para ser a nova casa do Recreativo Huelva, substituindo o local antigo, que recebia os jogos do clube desde 1957. O nome vem do torneio local, Trofeu Huelva, que abre a temporada espanhola, na cidade onde o futebol foi inaugurado no país.

Los Pajaritos

Clube: Numancia
Capacidade: 10000

Nuevo Estadio Los Pajaritos é um estádio recente, construído em 1999, e é caracterísatico por ser muito frio, o que dá uma ótima vantagem para o time da casa, Numancia, durante o período do inverno europeu. O bairro Los Pajaritos originou o nome do local, que abriga apenas cerca de 10 mil espectadores.

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Equipe Trivela

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