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Cafu: ´´Hoje, não tenho tanta liberdade´´

O ´overlapping´, termo introduzido no futebol brasileiro por Cláudio Coutinho que descreve o avanço do lateral como elemento-surpresa até a linha de fundo e se tornou regra no padrão tático no País, será raro na Seleção de Carlos Alberto Parreira que disputará a Copa de 2006. O próprio Cafu, lateral-direito do Brasil, confirma essa tendência, resultado imediato da adoção do ‘quadrado mágico’ no setor ofensivo da equipe.

Com Kaká, Ronaldinho, Adriano e Ronaldo na frente, a Seleção fica mais exposta e os laterais são obrigados a colaborarem com volantes e zagueiros na marcação. “Não estou vetado de subir, mas é claro que minha função na marcação, junto com os dois zagueiros, passa a ter uma importância maior”, comenta o capitão brasileiro em entrevista exclusiva à Trivela.

Além de falar de sua função tática, Cafu comentou a maneira como os jogadores estão lidando com o favoritismo do Brasil. Até porque, como capitão, seu papel é importante no gerenciamento emocional da equipe. Ainda assim, o jogador do Milan não vê essa expectativa como algo problemático. “O Brasil sempre chega como favorito e, no fundo, ser favorito até é bom porque dá mais confiança para o time”, avalia.

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Nas duas Copas do Mundo que você venceu, o Brasil chegou em baixa e sob grande pressão. Já em 1998, quando havia um certo clima de favoritismo, o time perdeu. Dá para comparar a situação atual à vivida em alguma das três Copas que você disputou?
Acho que não, pois cada Copa é uma história diferente: às vezes o favorito ganha, as vezes não, já que é uma competição curta e muita coisa pode acontecer. Por isso, ser favorito não garante nada, apesar de ser bom para dar mais confiança aos jogadores.

E como o Parreira tem tratado essa questão do favoritismo com os jogadores?
Como algo normal, já que o Brasil sempre é um dos favoritos. Mas nós não damos muita importância para isso. Respeitamos todas as seleções e sabemos que tudo se decidirá em campo, na hora do jogo.

O que muda no comportamento de um jogador que vai à primeira Copa do Mundo e um que vai à quarta, como é o seu caso?
Claro que a experiência ajuda a tirar a tensão do jogo, mas é sempre um momento de grande emoção e responsabilidade para todo atleta. Mas mesmo os que nunca estiveram em uma Copa jogam em grandes clubes e estão acostumados com pressão.

Em 2002, o Felipão justificou a utilização do esquema 3-5-2 por conta da sua presença e do Roberto Carlos no time. Segundo ele, com dois laterais tão ofensivos, o time precisava de mais reforço na retaguarda. O Parreira usa o 4-4-2, com apenas um volante. Você acha isso arriscado?
Não, é apenas uma outra forma de jogar. Claro que, com dois zagueiros, não teremos tanta liberdade para avançar, mas o esquema no meio campo e ataque poderá suprir isso. Temos de lembrar que o Parreira e o Felipão são dois grandes treinadores e cada um acertou o time levando em conta as características dos jogadores que tinham no grupo.

Há alguma diferença entre suas funções táticas no time de 2002 e na Seleção de hoje?
A principal é essa menor liberdade para subir. Não que isso esteja vetado, mas é claro que minha função na marcação com dois zagueiros passa a ter uma importância ainda maior.

Quais as instruções que o Parreira lhe passa para o momento em que o time está com a bola? E sem a bola?
Isso vamos aguardar para ver na Copa do Mundo. Não quero dar dicas para nenhum adversário.

Se o Parreira chegasse para você e dissesse: ´Cafu, joga como você preferir´. Como seria isso?
Não existe essa coisa de “jogar como preferir”. Eu jogo para o grupo, para o time, como todo mundo. O que o Parreira determinar eu farei com muita dedicação.

Ele reclamou muito do cansaço dos principais jogadores da Seleção nesta temporada. Você acha que o tempo que você ficou parado por conta da cirurgia será benéfico para seu desempenho na Copa?
Sem dúvida. Até aproveitei a contusão para usar a parada como uma pré temporada. Por isso, tenho certeza que chegarei em excelentes condições na Copa e serei útil ao grupo.

Você em algum momento chegou a temer por sua ida ao Mundial?
Não, porque tinha o processo de recuperação sob controle e sabia que retornaria a tempo de ganhar ritmo bem antes da Copa.

Agora que está com 35 anos, quais seus planos para os próximos anos? Até que idade você planeja jogar?
Ainda tenho mais um ano de contrato com o Milan, renovado recentemente. Depois disso vou decidir com a minha família qual o melhor caminho.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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