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Bruno Teles: “Devo muito ao Mano Menezes”

Bruno Teles, titular do Vitória de Guimarães no atual Campeonato Português, começou a carreira no Grêmio. No Tricolor Gaúcho desde os juniores, o lateral-esquerdo conta que foi Mano Menezes quem o promoveu para a equipe principal. Como profissional, a sua estreia aconteceu em um Gre-Nal, no dia 30 de julho de 2006 pelo Campeonato Brasileiro. “Confesso que fiquei bastante nervoso. Às vésperas do clássico, o Sandro Goiano, o Tcheco e o William conversaram comigo e me passaram tranquilidade”, relembra.

Antes de chegar em Portugal, passou também pela Portuguesa, pelo Sport e pelo Juventude. Na Lusa (2008) e no clube catarinense (2009), conviveu com dois rebaixamentos. “Foi um capítulo muito triste na minha carreira, Espero nunca mais viver isso. Serviu como um aprendizado de que todo o jogo deve ser tratado como uma final.”

Nesta entrevista exclusiva à Trivela, Bruno Teles conta quais os objetivos do Vitória de Guimarães na temporada, como foi chegar ao Grêmio vindo do Tocantins e como foi sua adaptação em Portugal.

Você tem sido muito elogiado pela imprensa portuguesa. Por causa da língua e pela grande quantidade de brasileiros, é possível falar que não há dificuldades em se adaptar em Portugal?
Claro. Falar a mesma língua e estar em uma equipe composta de vários brasileiros facilitam tanto dentro quanto fora de campo. Isso me ajudou a me adaptar e apresentar um bom futebol aqui.

Como o fato de ter vários brasileiros na mesma equipe ajuda dentro campo?
A gente sabe mais ou menos como o brasileiro pensa, como prefere receber a bola e como utiliza o espaço dentro de campo. Isso é bom para o entrosamento da equipe. Tem jogadores brasileiros que são mais ousados que os europeus na questão de ir para o ataque.

Como foi o processo de chegar ao Vitória de Guimarães e se tornar titular do clube?
Foi um pouco demorado. Até porque estava dois meses de férias no Brasil e, quando eu cheguei aqui, a temporada estava praticamente na metade. O pessoal já estava jogando em um nível muito alto. A minha adaptação demorou nesse sentido: para pegar o ritmo de treinamento, de jogo e de velocidade. O gramado está sempre molhado e, por isso, a bola corre mais. O pessoal não segura muito a bola. Geralmente é um ou dois toques na bola. Eles esperam pelo momento certo para chegar ao ataque. Não é igual ao futebol brasileiro, que geralmente é um contra um e tem jogadas individuais. Em Portugal é muito no coletivo. Defensivamente, eles são muito organizados.

Qual é o objetivo do Vitória de Guimarães nesta temporada?
O objetivo do clube é sempre ficar entre os quatro primeiros. Até porque ele é conhecido como o quarto clube em Portugal, atrás de Benfica, Sporting e Porto. O clube tem o projeto de ficar entre os quatros pelo acesso à Liga Europa.

Você renovou o contrato com o Vitória de Guimarães até 2013. O que te motivou a estender o vínculo com o clube?
É um clube muito bom. Tem uma estrutura fantástica. Os torcedores são fanáticos. Gostei muito da cidade. Foi o clube que me abriu as portas para a Europa. Tudo isso me motivou a renovar com o time. A carreira de jogador de futebol é curta e a gente tem que pensar nisso.

Você acha que com o destaque que está tendo no Vitória de Guimarães é mais fácil se transferir para um clube maior na Europa ou mesmo dentro de Portugal?
Acho que sim. Mas meu pensamento é de conquistar algum título. O Vitória Guimarães carece de troféus. A torcida do clube merece títulos, já que muito fanática. Nós temos condições de brigar por um, pode não ser o Campeonato Português, mas quem sabe uma Copa de Portugal… O ambiente dentro do clube é maravilhoso. Espero ficar aqui muitos anos. Só depois pensar em uma futura transferência.

Você nasceu em Tocantins e jogou nos juvenis do Grêmio. Como foi parar no Tricolor Gaúcho?
Eu jogava nas categorias de base do Goiás e conheci o meu atual empresário, que era do sul e tinha contato com o Grêmio. Ele me levou para lá para fazer teste. Passei e fiquei no Grêmio. Um ano depois, subi para o profissional com Mano Menezes.

Foi o Mano Manezes que te indicou para o time principal?
Sim. Ele me viu em um desses jogos treinos de juniores contra os principais. Quando faltou um lateral-esquerdo, me chamou para treinar e complementar o coletivo. Acabei indo bem. Dia após dia, ele pedia para eu voltar. Quando vi já estava estreando pelo clube. O meu primeiro jogo foi no Gre-Nal, no Beira Rio. Acho que fiz uma boa estreia e acabei ficando no time principal. Foi assim que comecei a minha carreira como jogador profissional. Foi tudo muito rápido.

Como foi estrear pelo Grêmio no maior clássico do Rio Grande do Sul?
Confesso que fiquei bastante nervoso. Tanto os torcedores do Grêmio quanto do Internacional são muito fanáticos. Às vésperas do clássico, o Sandro Goiano, o Tcheco, William conversaram comigo e me passaram tranquilidade. A partir do momento que eu entrei em campo procurei só pensar em ajudar o time. Tentava não escutar o que vinha de fora. Apesar do estádio estar cheio, procurei me concentrar bastante no jogo.

Depois você foi ganhando a titularidade no Grêmio…
É verdade. O Mano Menezes foi me dando oportunidades e eu fui mostrando o meu futebol. Acabei agradando e fiquei no time. Terminei o Campeonato Brasileiro de 2006 como titular. O Grêmio ficou em terceiro no Brasileirão desse ano

O Mano Menezes foi o melhor treinador com quem você já trabalhou?
Com certeza. Ele é um grande profissional e uma ótima pessoa. Não é por acaso que hoje ele está na Seleção Brasileira. Eu devo muito a ele pela minha carreira. O Mano me ajudou bastante, me ensinou muitas coisas. Sempre que eu converso com algum amigo ou colega sobre treinadores, elogio ele bastante.

Antes de ir para o Grêmio, você jogou no Goiás. Como foi você para a equipe goiana?
Tinha 13 anos quando disse para o meu pai que queria ser jogador como ele foi. Ele jogou pelo Alvorada, um time de Tocantins. Sempre me espelhei muito nele e ele sempre me incentivou. Quando eu entrava em campo, as pessoas falavam: “se você tiver medade da habilidade que seu pai teve, você vai virar jogador”. E pedi para o pai me levar no Goiás porque era o clube mais perto da região. Passei no teste do Goiás. Fiquei até os 18 anos lá. Depois eu fui para o Grêmio. Graças a deus, os dois únicos clubes que eu fiz testes, passei.

Você particiou de dois rebaixamentos: no Juventude (em 2009, quando o time caiu para a Série C) e na Portuguesa (em 2008, quando a Lusa caiu para a Segunda Divisão). Como foi ter participado desses dois rebaixamentos?
Foi um capítulo muito triste na minha carreira, Espero nunca mais viver isso. Infelizmente todos estão sujeitos a passar. Serviu como um aprendizado de que todo o jogo deve ser tratado como uma final. Não podemos perder uma partida e pensar que depois a gente recupera, porque nem sempre as coisas funcionam assim. Nós temos que ser profissionais, honrar a camisa, dar o máximo pelo clube e pela torcida.

Você tem 24 anos e já passou por alguns clubes. Por que você não se fixou em nenhum?
Tive um começo muito bom no Grêmio. Por causa de uma lesão no ligamento cruzado do joelho, não consegui uma sequência melhor. Agradeço o que o Grêmio fez por mim. Foi lá que fiz o tratamento. Depois que eu estava retornando na contusão, fui para a Portuguesa e também não consegui ter uma regularidade. No Sport, a mesma coisa. No Juventude, cheguei a jogar. Apesar do time ter caído, acho que fiz bons jogos. Agora, aqui no Vitória Guimarães estou conseguindo mostrar o meu valor. A equipe está bem no Campeonato Português. Quando o time está bem, as aparições individuais também começam a se destacar.

Quais são os seus sonhos na carreira?
Acho que o sonho de todo o jogador é chegar à Seleção Brasileira e ganhar uma Copa do Mundo. É o meu sonho de criança que eu vou perseguir enquanto estiver jogando.

Você tem esperanças de ser convocado pelo Mano Menezes?
Tenho. Há quatro anos, o Michel Bastos, que jogou na última Copa, era praticamente um desconhecido. Quem sabe eu não consiga seguir o exemplo dele, só que desta vez ganhando uma Copa.

Você acha que, pelo fato de ter sido treinado pelo Mano, isso pode ajudar em uma possível convocação?
Acredito que sim. Ele já conhece o meu estilo de jogo. Se eu estiver me destacando bem na Europa e aparecer uma oportunidade, creio que eu posso um dia ser chamado pelo Mano na Seleção.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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