Bolatti com sorte. E Argentina na Copa

A história tortuosa da Argentina, nas Eliminatórias para a Copa de 2010, terminou com alívio. A equipe treinada por Diego Maradona conseguiu se impor sobre o Uruguai, em Montevidéu, e venceu por 1 a 0, com um gol no final do jogo, marcado pelo zagueiro Mario Bolatti. Com o resultado, a Albiceleste finalmente conseguiu assegurar a última vaga direta da América do Sul para o Mundial. Mesmo com a derrota, o Uruguai foi beneficiado pela vitória do Chile sobre o Equador, por 1 a 0, e jogará a repescagem, contra o quarto colocado da Concacaf.
Aproveitando o estilo de jogo mais defensivo com que Diego Maradona escalou a argentina, o Uruguai pressionou muito nos primeiros minutos da partida. Logo aos dois minutos, em jogada pela direita, Diego Forlán conseguiu tocar a bola para o meio da área, passando pelo goleiro Sergio Romero. Porém, a defesa argentina conseguiu cortar.
No minuto seguinte, Verón cobrou escanteio, mas o goleiro uruguaio, Fernando Muslera, conseguiu espalmar. E, no próximo instante, veio a maior chance da primeira etapa, até acidentalmente: Jorge Rodríguez aproveitou falha da defesa argentina, e tocou em profundidade para Forlán. Livre, o atacante uruguaio viu a saída do gol de Romero. No chute, a bola ricocheteou em ambos, e saiu rápida pela linha de fundo, empolgando a torcida uruguaia.
O Uruguai continuou atacando aos nove minutos, quando, após levantamento de bola para a área, em falta cobrada por Suárez, Andrés Scotti desviou de cabeça, e a bola passou à direita, pela linha de fundo, perto do gol de Romero. A maior insegurança na defesa ia provocando cartões amarelos aos argentinos, como aos 16, quando, em falta sobre Martin Cáceres, Nicolás Otamendi levou cartão amarelo.
Aos poucos, porém, o jogo foi ficando mais nivelado, e a Argentina passou a equilibrar e a acalmar o jogo. Aos 22, todavia, ainda houve um momento de ataque da Celeste Olímpica. Pelo meio, Suarez passou a bola a Maxi Pereira. O lateral arriscou chute de primeira, pela direita, e a bola passou perto do gol argentino.
Depois, no entanto, a Argentina chegou, principalmente com bolas longas. Aos 27 minutos, após falta de Forlán em Mascherano, Verón alçou a bola para a área. Ela passou perto do gol, mas ninguém conseguiu complementar de cabeça, e saiu pela linha de fundo.
A ligeira pressão argentina prosseguiu aos 31, quando Messi alçou mais uma bola na área. Porém, Muslera saiu bem do gol e agarrou. Aos 37, tentando rápido contra-ataque, a Albiceleste chegou com Di María, que arrematou de média distância. Muslera defendeu.
Somente nos acréscimos, aos 47, Forlán voltou a trazer o Uruguai mais próximo ao ataque. O atacante do Atlético de Madrid chutou rasteiro, perto da área, e a bola passou à esquerda de Romero.
E foi o Uruguai a começar mais forte o segundo tempo. Logo aos três minutos, em cobrança de Jorge Rodríguez, pela direita, a bola resvalou em um jogador, na área, e quase traiu Romero. O argentino, porém, foi mais rápido do que o ataque uruguaio e defendeu. Dois minutos depois, Forlán arriscou mais um chute, e a bola passou perto do gol.
Num lance aparentemente sem importância, a Argentina reagiu e quase chegou ao gol. Aos 14, após falta cobrada de média distância, Demichelis chegou de surpresa, na segunda trave, e quase conseguiu desviar para as redes. A bola saiu pela linha de fundo.
Já com o ataque fortalecido, após a entrada de Edinson Cavani, a Celeste Olímpica voltou a atacar aos 19. Suárez tomou sobra da defesa argentina, e arriscou chute, próximo à área. A bola ainda quicou no gramado, mas Romero conseguiu defendê-la, em dois tempos.
Após um impedimento controverso – a posição de Di María era aparentemente legal, após passe de Messi -, o Uruguai prosseguiu ofensivo. Primeiro, com a entrada de Cristián Rodríguez, aos 26, no lugar de Gargano. Depois, aos 29, Forlán cobrou falta da esquerda, mandando a bola para a área, e a bola passou por todos os jogadores. Diego Lugano tentou completar para o gol, mas a bola bateu em suas costas e saiu para fora.
Aos 38 minutos, a Argentina teve sua tarefa mais facilitada. Em jogada pela direita, Cáceres agarrou Jonas Gutiérrez e recebeu o segundo cartão amarelo, o que forçou o árbitro paraguaio Carlos Amarilla a expulsá-lo de campo. E, na cobrança de falta, veio o gol do desafogo da Albiceleste. Em jogada ensaiada, Messi tocou a bola para trás, e Verón chutou rasteiro para a área.
A bola ricocheteou nos jogadores, e sobrou para Mario Bolatti. O zagueiro do Huracán, que acabara de entrar no jogo, substituindo Gonzalo Higuaín, completou em posição legal para as redes de Muslera, colocando um enorme sorriso no rosto argentino. Ao Uruguai, restará disputar a repescagem contra Honduras ou Costa Rica.
Chile vence e acaba com sonho do Equador
Enquanto isso, o princípio do jogo em Santiago mostrou uma seleção chilena muito mais disposta a atacar. Logo após uma cabeçada de Gary Medel, aos 10 minutos, surgiu boa chance de La Roja. Aproveitando rebote, Humberto Suazo arriscou chute de fora da área. Com o gol vazio, a bola passou perto da trave de Elizaga.
O domínio chileno era mantido em jogadas por tabela, como aos 16 minutos, quando, em jogada pela direita, Alexis Sánchez e Valdívia tabelaram. Porém, o primeiro deu um toque forte demais, perdendo a bola. Dez minutos depois, da entrada da área, Suazo dominou a bola e chutou, de direita. A bola passou próxima ao ângulo do gol. Marcelo Bielsa teve, ainda, de gastar uma alteração, ao colocar Esteban Paredes no lugar do atacante Jean Beausejour, machucado.
Contudo, no final da etapa inicial, o Equador trouxe mais perigo. Começando aos 35, quando Christian Benítez arriscou chute rasteiro, após jogada individual, e Claudio Bravo defendeu. A chance mais aguda dos visitantes chegou aos 44, quando Edison Mendez recebeu a bola na entrada da área, e chutou cruzado. A bola roçou a trave direita de Bravo.
Todavia, o temor de que a equipe comandada por Sixto Vizuete pudesse ampliar seu domínio no gramado do Estádio Nacional de Santiago foi logo dissipado. Aos sete minutos do segundo tempo, Arturo Vidal recebeu a bola pela direita, e cruzou. Rodrigo Millar tentou dominar, na primeira trave, mas a bola sobrou para Suazo, que chutou por baixo de Elizaga, fazendo 1 a 0 para o Chile.
Os anfitriões quase ampliaram logo depois. Aos 10, após cruzamento de Suazo, pela direita, Sánchez cabeceou por cima do gol. O Equador só se apresentaria de novo aos 25 minutos, quando Segundo Castillo chutou forte, para boa defesa de Bravo. Castillo dificultou mais ainda as coisas para La Tri, aos ser expulso por entrada dura sobre Ismael Fuentes, aos 38 minutos. E o sonho equatoriano de estar na terceira Copa consecutiva acabou nos pés chilenos.


