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Bernardo Ribeiro: “A Albânia pode brigar de igual para igual com outras seleções europeias”

O clube mais velho da Albânia, enfim, reconquistou o tão sonhado título que não vinha desde a década de 1930. Na próxima temporada, pela primeira vez, o Skenderbeu participará da Liga dos Campeões. E a equipe conta um meia brasileiro no elenco.

Bernardo Ribeiro, 21 anos, formado nas categorias de base do Flamengo, já é um dos destaques do time. Em menos de três meses, o jovem atuou em mais de dez partidas, marcou cinco gols e deu sete assistências. Confira a entrevista:

O Skenderbeu venceu o Campeonato Albanês pela primeira vez desde 1933. Como foi essa conquista?
Esse campeonato foi muito especial, nosso presidente investiu no clube, no CT, em jogadores. O time estava sempre atrás, em segundo, e com pressão da torcida. Os torcedores sabiam que esse era o ano de ganhar, algo que eles esperavam há décadas. Quando cheguei, no fim de janeiro, o Skenderbeu estava quatro pontos atrás, e não perdemos nenhum jogo a partir dali. Terminamos com quatro pontos de vantagem. A cidade tem 150 mil habitantes, foi uma emoção, uma festa enorme. Digna dos grandes clubes europeus, fomos exaltados por todos. Foi muito legal e um momento único para mim.

Com o título o clube vai participar pela primeira vez da Champions. Como a torcida reagiu a isso?
Como falei, o mais importante para eles era o título, queriam ganhar o campeonato. Mas para nós, jogadores, além do título pensávamos na Champions. Para mim, principalmente, é um sonho jogar essa competição. O clube está investindo para trazer reforços de alto nível para disputarmos bem esse torneio.

O que você tem achado do futebol albanês?
Estou na Albânia há três meses. Fui contatado para ganhar o campeonato, fazer gols, e dei conta do recado. O país é diferente, mas as pessoas são alegres, felizes, amam o futebol, o estádio está sempre lotado, e minha cidade é muito perto da Grécia. Então, sempre que tenho folga estou lá. O futebol está crescendo muito, muitas pessoas ficam de olho no campeonato, tanto que tenho três propostas para ir para times bons na Europa. Foi muito boa pra mim essa experiência.

Muito jogadores do seu clube fazem parte da seleção da Albânia. O que você pode falar sobre essa equipe?
A seleção da Albânia está em segundo lugar do grupo das eliminatórias da Eurocopa. Os jogadores atuam na Itália, Turquia, Alemanha e quatro jogam comigo. O destaque é o Muzaka, um jogador muito veloz, que vem se destacando nas eliminatórias. Acho que eles podem brigar de igual para igual com as outras seleções europeias. Os números vêm mostrando isso.

É verdade que seu time pertence à Red Bull?
O presidente do meu time é dono da Red Bull na Albânia, e tem porcentagem na Red Bull geral. Ele mora na Áustria e sempre vai aos jogos, é uma pessoa inteligente, que gosta do futebol e vem fazendo um bom trabalho no clube.

Onde você atuou antes de chegar à Albânia?
Joguei na Alemanha, no Nürnberg, e na Itália, no Treviso. Acho que toda experiência é válida, eu não tive oportunidade de jogar na Alemanha, e fui para a Itália onde mostrei meu valor. Provei que posso jogar em alto nível, só precisava de uma chance. As duas experiências foram válidas e ótimas, agora quero dar saltos maiores e sei que posso.

Como foi sua carreira no Brasil?
Joguei no Flamengo por toda minha base, e ganhei a maioria dos títulos com o clube. Aprendi muita coisa e fiz ótimos amigos. Além da torcida que sempre foi maravilhosa.

Como surgiu o interesse pelo futebol?
Comecei a jogar futebol por causa de um amigo meu, o Bernardo Machado. Ele me disse que entraria na escolinha do meu colégio, na cidade que morava, em Friburgo, e me chamou. Eu não gostava muito de futebol, mas só porque ele iria eu fui também. Passados dois treinos o professor chamou meu pai e disse que ele tinha um filho “diferente”, que eu era muito melhor que todos eles. Meu pai não deu muita bola, depois do professor falar mais quatro vezes, ele resolveu ver o meu treino e viu que era diferente mesmo (risos), e hoje é o cara que mais me apoia. Ele e minha família toda.

É verdade que você começou no basquete?
Comecei no basquete por influência do meu avo Demétrio, ele jogou basquete e me dava muitas roupas do Chigago Bulls. Eu era viciado, tinha até álbum de figurinhas, uma cesta em casa. Aí comecei a jogar no time do meu clube de Friburgo. Além do pior eu era o menor (risos). No meu primeiro jogo eu entrei faltando um minuto. Estava muito nervoso. Na primeira bola que peguei, vi a cesta mais próxima e arremessei. Não contava que seria a cesta errada (risos)! Eu fiz a cesta contra, o estádio riu muito de mim e encerrei minha carreira ali mesmo, por sorte.

Outras matérias deste colaborador no blog: brasileirosdabase.blogspot.com

Nome Completo: Bernardo Salim Ribeiro
Data de nascimento: 10/set/89
Local: Rio de Janeiro
Posição: Armador
Clubes em que atuou: Flamengo 1999-2009, Nuremberg (ALE) 2010, Treviso (ITA) 2011, Skenderbeu (ALB) 2011

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Equipe Trivela

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