Bergomi: “O Milan não teve adversários”

Foram quatro dias de tentativas para conseguir entrevistar o ex-zagueiro Giuseppe Bergomi, que jogou quatro Copas do Mundo pela Itália e foi um símbolo da Internazionale de Milão, único clube que ele defendeu na carreira – 1979 à 99.
Solícito e muito falante, Beppe contou o que pensa a respeito da temporada 2010/11 do Campeonato Italiano, do trabalho do técnico Leonardo na sua Inter e elogiou Massimiliano Allegri, campeão no comando do Milan.
“O tio”, como era conhecido nos gramados por sua aparência austera, também relembrou sua vasta experiência de duas décadas marcando craques da estirpe de Maradona, Gullit e Van Basten. Para ele “se as lesões não tivessem atrapalhado Ronaldo, hoje ele seria comparado a Pelé e Maradona”. Confira o papo com o atual comentarista da TV Sky Itália.
Esse pode ser o Milan mais pragmático e menos encantador a vencer um scudetto?
Eles não tiveram adversários, mas eu penso que o time campeão de 99 era menos forte que esse. Deve-se destacar o trabalho de Massimiliano Allegri porque mostrou ser capaz de treinar uma equipe recheada de grandes valores. Havia dúvidas sobre o rendimento do Milan, sobretudo, no setor de meio-campo com a ausência de Pirlo, e ele soube gerir e arrumar muito bem.
Qual a sua avaliação do trabalho de Leonardo na Internazionale?
Eu penso que ele foi bem e o saldo é positivo. Leonardo chegou e trouxe uma nova energia, os problemas aconteceram nas partidas mais determinantes onde ele e sua equipe deixaram a desejar. No geral qualifico como positivo o trabalho porque não era uma situação fácil para ele, principalmente por toda a identificação que ele tem com o Milan.
Considera esse o momento mais delicado do futebol italiano?
Cada país com sua cultura futebolística. Infelizmente sofremos um grande revés com os escândalos e isso afetou vários níveis do futebol italiano. Apesar disso, acredito que a Itália ainda é uma praça difícil. Mas não há como negar que hoje ligas como a inglesa, a espanhola, e até a alemã tem jogos mais atraentes e com mais qualidade técnica.
Quais suas lembranças da Copa do Mundo de 1982, onde você foi campeão mundial com apenas 18 anos?
Belíssimas recordações! Na verdade é a mais bela memória que guardo da minha carreira de futebolista. Era uma seleção de bons jogadores, mas, sobretudo, de grandes homens.
E a inacreditável vitória contra o Brasil nas quartas de final?
(Risos) Foi uma vitória (3 a 2) que ninguém esperava, até hoje ainda tenho a camisa do Sócrates daquele jogo. Eu entrei ainda no primeiro tempo e marquei jogadores como ele e Serginho. Quando terminou a partida Sócrates foi muito gentil e me deu sua camisa. Ele era um gênio e eu apenas um garoto, foi um gesto especial da parte dele e que guardo com emoção.
Nos seus vinte anos de Internazionale pode-se dizer que Ronaldo foi o melhor jogador que atuou do seu lado?
Sim, sim, sim! Pecado que as lesões atrapalharam a carreira dele. Seu poder de decisão era tão alto quanto o de Lionel Messi. Se não fosse pelas lesões Ronaldo hoje seria comparado a Pelé e Maradona. Digo isso em absoluto.
Quem eram os jogadores mais complicados para marcar durante sua longa carreira?
O Maradona porque era inteligente e tinha uma fantasia e um talento absurdo. Ele era um craque porque jogava para a equipe. Esse detalhe é o que diferencia o craque dos demais. Ele deve saber usar seu talento para o time. Houve outros espetaculares também como Gullit, um jogador imarcável, de força física invejável e que carregava o Milan para o ataque. Sem dúvida Van Basten também era incrível porque são poucos goleadores que tem uma qualidade técnica fabulosa como ele.


