Basel-lona

Cada um tem seu hobby. Há quem goste de colecionar alguma coisa, há quem prefira montar aeromodelos, há os que prefiram praticar algum esporte maluco. Hans-Max Kamper, suíço de Winterthur, gostava de fundar clubes de futebol lá pelo final do século 19.
Na época em que nem dava para jogar a ideia no Facebook para ver se outros malucos se juntavam. Os caminhos eram outros. Em 1893, foi publicado um anúncio em um jornal suíço convocando pessoas que quisessem ajudar a criar um clube em Basileia. Assim surgiu o Fussball Club Basel 1893, que teve Kamper como primeiro capitão.
Ele gostou da experiência. Três anos depois, já em Zurique, ele ajudou a criar o Fussball-Club Zürich. Em 1897, ele se mudou para Lyon, onde jogou rúgbi. No ano seguinte, passou um tempo com um tio que morava em Barcelona. Gostou da cidade e decidiu ficar por lá. Até catalanizou seu nome para Joan Gamper.
Barcelona é uma cidade cheia de atrações, mas Kamper que virou Gamper queria continuar criando times de futebol. Colocou a ideia no Twitter, recebeu vários RTs (leia: anúncio em jornal de novo), e criou o Football Club Barcelona. As cores? A de sua primeira paixão: o azul e grená do Basel.
O Basel, como irmão mais velho que não gostou de dividir espaço com o mais novo, nunca foi com a cara do Zürich. São os dois maiores rivais do futebol suíço hoje. Mas o time de Basileia foi mais camarada com o caçula da família.
Barcelona e Basel nunca estiveram muito próximos. Já se enfrentaram pela LC, mas era como duelo de times de divisões diferentes, tamanha a desigualdade técnica. Poderiam talvez levar para o futebol a maior rivalidade do tênis atual. Roger Federer é torcedor do Basel, mas Rafael Nadal foi do contra, e, mesmo tendo um tio ídolo do Barcelona, decidiu torcer pelo Real Madrid. Mas a Liga dos Campeões 2011/12 pode ser o momento de união do time de Kamper com o de Gamper.
O Basel faz uma grande campanha e, depois de vencer o Bayern de Munique por 1 a 0 em Basileia, tem chances reais a chegar entre os quadrifinalistas. Vai mais longe, até topar com o Barcelona? Difícil, mas os catalães já têm o que agradecer. Se o Basel passar de mais uma fase, terá deixado pelo caminho Manchester United e Bayern de Munique, os dois principais concorrentes não-espanhóis ao título do Barcelona.
Voltando à vaca fria
Depois de um preâmbulo histórico (gostaram? A historinha é boa, né?), vamos aos jogos em si. O Basel até tem a camisa e o fundador similar ao Barcelona, mas a verdade é que o time não tem nada de artístico e espetacular. E daí? É uma equipe cheia de limitações, mas consegue extrair o máximo possível disso. Sabendo que precisava fazer o resultado em casa, pressionou o forte Bayern de Munique e poderia ter feito mais que um gol se o goleiro do time bávaro ainda fosse Butt ou Rensing (é verdade que Sommer também estava inspirado e evitou vários gols alemães).
O Bayern ainda é favorito a passar de fase. Pode perfeitamente vencer por dois ou três gols de vantagem na Allianz Arena, mas o Basel tem ajudado a dar graça para uma LC que ainda não pegou completamente. Até porque pode lançar a ideia: se um time da Suíça pode eliminar Manchester United e Bayern de Munique, talvez alguém consiga evitar que Real Madrid e Barcelona continuem atropelando todo mundo?
O problema é que os candidatos a “terceira via” vão cambaleando. Milan e Napoli parecem firmes e ascendentes. O Bayern está em espera. Os ingleses parecem casos perdidos. E a Internazionale…
Olympique de Marseille x Internazionale foi ruim. Aliás, foi BEM ruim. Entrando no espírito de carnaval, se fosse escola de samba, as duas equipes teriam perdido alguns pontos por não levarem alguns quesitos obrigatórios para o desfile. Por exemplo, faltou futebol, ideia, criatividade e até um pouco de determinação.
Nesse contexto, a vitória francesa foi menos injusta do que seria a vitória italiana. O Olympique não jogou bem, mas tomava a iniciativa e buscava o gol de alguma forma. A Inter deixou Forlán mais isolado que diretor da Liga das Escolas de Samba de SP em dia de apuração. O futebol nerazzurro é um deserto de criatividade. O time é estéril ofensivamente, desestruturado taticamente e sem convicção como um todo.
Por isso, ainda que os dois jogos desta quinta tenham terminado em 1 a 0 para os mandantes, a recuperação do Bayern é mais provável que a da Internazionale. E também por isso, a vitória do Basel tem mais brilho que a do Olympique.


