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Balanço do Europeu sub-21

por Leonardo Bertozzi e Guilherme Duque Pannain

Terminou dia 23 a Euro sub-21. E, também, terminou a escrita de que time anfitrião não ganhava o torneio. A competição foi disputada na Holanda e contou com a participação de oito equipes: Holanda, Bélgica, Portugal e Israel, no grupo A, Itália, República Tcheca, Inglaterra e Sérvia, no outro. Além do troféu, estavam em jogo as quatro vagas para a Olimpíada de Pequim, no ano que vem, que ficaram com Sérvia, Holanda, Bélgica e Itália.

Começamos este balanço do torneio, tradicional ‘celeiro’ de bons jogadores da Europa, olhando um pouco mais de perto a trajetória dos finalistas. Depois, apontamos surpresas e decepções do torneio, além de destacar os jogadores mais promissores que apareceram na competição.

Holanda: fazendo a obrigação

Por ser a anfitriã do torneio, a Holanda classificou-se automaticamente. Era a principal favorita, mas nunca uma equipe que jogava em casa conseguira conquistar o título. No ano passado, em Portugal, a Jong Orange venceu a Ucrânia por 3 a 0 e sagrou-se campeã, pela primeira vez. Para 2007, o técnico Foppe de Haan não podia contar com os meias titulares Afellay e Schaars, contundidos, e o ala-esquerdo Emanuelson, cortado devido ao desgaste da temporada.

O primeiro jogo foi contra Israel, surpresa da competição. Antes do fim do primeiro tempo, o meia Aissati, responsável pela armação das jogadas, sentiu o joelho e foi substituído por Bakkal. Os holandeses venceram o jogo por 1 a 0, gol de Hedwiges Maduro. A segunda partida, contra Portugal, foi sofrida, mas também teve vitória holandesa, agora por 2 a 1, gols de Babel e Rigters. Nesse jogo, sem o meia Aissati, o treinador adotou o 4-3-3, em vez do 4-1-2-1-2. Babel, no centro, Jenner, na direita, e Rigters, na esquerda, formavam o trio ofensivo.

No jogo contra a Bélgica, Foppe voltou para o 4-4-2. Os belgas começaram na frente, mas Rigters e Drenthe viraram o jogo. No final, o defensor belga Pocognoli empatou, dando números finais à partida. Mesmo com o empate em 2 a 2, as duas equipes passaram para a próxima fase.

Na semifinal, a Holanda pegaria a Inglaterra, segunda colocada no grupo B. O English Team começou na frente. Aos 44 minutos do segundo tempo, vem o duro golpe para os ingleses: o atacante Rigters empata o jogo, levando a partida para a prorrogação. O zagueiro inglês Onuoha estava machucado, mas como já havia sido feitas as três substituições, a Inglaterra ficou com um a menos. Empate no tempo extra. O jogo foi decidido nos pênaltis. Depois de 32 (!!!) cobranças, a Laranja avança para a final.

Na decisão, ninguém esperava um placar elástico, o que surpreendentemente aconteceu. A partida deixou claro a supremacia holandesa sobre a Sérvia, com um placar de 4 a 1 – e isso porque os holandeses ainda perderam um pênalti.

Os destaques da Holanda

Ron Vlaar. Jogador do Feyenoord, já atuou algumas vezes pela seleção principal. É muito bom zagueiro. Esteve presente no mundial sub-20 em 2005 e sub-21 do ano passado. Era o capitão da equipe até se machucar no jogo contra a Inglaterra.

Royston Drenthe. Jogador também do Feyenoord. Pode atuar tanto como meia quanto na lateral. Rápido, chega bem à frente. Pelo bom futebol apresentado, deve deixar seu clube – um olheiro do Real Madrid esteve no torneio para observá-lo.

Hedwiges Maduro. Jogador do Ajax, mostra muita personalidade no meio-campo. É um líder. Esteve presente no mundial sub-20, em 2005. Já habituado à seleção principal, disputou a Copa da Alemanha. Com a lesão de Vlaar, foi o responsável por erguer o troféu.

Ryan Babel. Outro jogador do Ajax. Disputou tambem os Mundiais sub-20 e da Alemanha. Jogador finalizador, é chamado de ‘novo Henry’. Marcou dois gols na competicão.

Maceo Rigters. É atacante do NAC Breda. Marcou quatro gols em cinco jogos e foi o artilheiro da competição. Na abertura do mercado, deve sair de sua equipe. Ainda não jogou pela seleção principal.

Sérvia: boa surpresa

No primeiro torneio disputado pela independente Sérvia, a equipe foi dirigida por um treinador com pouca experiência: Miroslav Djukic, ex-zagueiro da seleção iugoslava. Jogando contra Itália, cinco vezes campeã do torneio, Inglaterra, bicampeã em 1982 e 1984, e a República Tcheca. Uma vaga na semifinal era algo, até então, pouco provável.

Mas, de cara, os sérvios começaram a surpreender. No primeiro jogo contra a Itália, Milovanovic acertou um lindo remate de fora da área. Gol! 1 a 0. O meia Krasic, destaque da equipe, saiu lesionado e ficou de fora do restante da competição. O segundo jogo era contra a República Tcheca, teoricamente a equipe mais fraca do grupo. O jogo parecia que terminaria empatado, mas, nos acréscimos, Jankovic faz um gol, garantindo a vaga na semifinal. Para a terceira partida, nada mais interessava, a não ser poupar os titulares. O resultado foi: Inglaterra 2×0 Sérvia. Mesmo com a derrota, os sérvios se classificaram em primeiro lugar do grupo.

Na semifinal, o adversário seria a surpreendente Bélgica, que eliminara Portugal, um dos principais favoritos ao título. Os belgas atuaram sem seu principal jogador, o meia Maartens, e não foram páreo para os sérvios. Os comandados de Djukic venceram por 2 a 0, marcados pelo lateral-esquerdo Kolarov e o atacante Mrdja.

Após o torneio, o treinador Miroslav Djukic sintetizou os pontos fortes sérvios: “Unidade e espírito coletivo. Demos tudo, dentro e fora das quatro linhas. Temos um conjunto com grandes talentos individuais e, unindo-os como equipe, ficamos ainda mais fortes”. Além disso, o atacante Dragan Mrdja e o meia Bosko Jankovic, este último já no Mallorca, da Espanha, são nomes a observar. O lateral-esquerdo Aleksandar Kolarov já foi anunciado como reforço da Lazio.

O melhor do resto

A Bélgica, que caiu diante da Sérvia na semifinal, é outra que sai do torneio com sensações positivas, especialmente em uma época de vacas magras para a seleção principal. O empate diante de Portugal na primeira rodada foi meio caminho andado para a classificação, em parte por causa de uma tabela favorável – na última rodada, enfrentou uma Holanda que já estava classificada e precisava apenas do empate para terminar em primeiro. O primeiro a colher os frutos do bom desempenho foi o lateral-esquerdo Sébastien Pocognoli, que acertou sua transferência do Genk para o AZ. O atacante Kevin Mirallas, do Lille, também brilhou na competição.

A Inglaterra montou uma de suas melhores equipes na categoria nos últimos tempos, mas sucumbiu outra vez ao trauma dos pênaltis, tão conhecido do English Team. Na falta de Theo Walcott, que passou por cirurgia e não foi ao Europeu, o destaque foi Leroy Lita, do Reading – que poderia ter sido ainda melhor, se não fossem algumas oportunidades de gol desperdiçadas. Na retaguarda, o goleiro Scott Carson provou que merece ser considerado para a seleção principal.

A presença dos ingleses na semifinal deixou aberta a quarta vaga para a Olimpíada de Pequim, já que a Inglaterra não conta com representação olímpica independente e compete sob a bandeira do Reino Unido. Assim, Itália e Portugal, as duas grandes decepções do Europeu, tiveram a oportunidade de disputar quem sairia com o gosto menos amargo.

Portugal não se aproveitou da expulsão do atacante Giuseppe Rossi no segundo tempo, apesar de disputar toda a prorrogação com um homem a mais, e acabou perdendo a vaga olímpica nos pênaltis. Foi herói da Itália o goleiro Emiliano Viviano, do Brescia, que assumiu a condição de titular após a lesão sofrida por Gianluca Curci na estréia, contra a Sérvia.

Tanto italianos quanto portugueses acordaram tarde demais no torneio, quando já não dependiam das próprias forças. Sempre favoritos na categoria, os Azzurrini saem com poucas conclusões positivas – como, por exemplo, a maturidade do meia Alberto Aquilani, pronto para o salto à seleção maior – e muitas dúvidas sobre a capacidade de Pierluigi Casiraghi como técnico.

Portugal, que já havia decepcionado em 2006, quando jogou em casa, pode se lamentar por não ter tirado o máximo de um time estrelado, com nomes do calibre de Manuel Fernandes e Nani. O lateral-esquerdo Antunes foi outro destaque e já está na mira da Juventus.

República Tcheca e Israel foram meros coadjuvantes. Os tchecos deixaram alguma expectativa no empate por 0 a 0 com a Inglaterra, mas não impuseram grande resistência nas duas outras partidas. Para Israel, não bastou a esperança sobre o atacante Ben Sahar, do Chelsea. Ficou a impressão de que a França, eliminada no playoff de outubro, poderia ter feito melhor.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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