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“Argentina não poderia classificar só no último jogo”

Revelado no Argentinos Juniors, o meia Juan Marchisio, da Ponte Preta afirma que deixou a Argentina para a Série B brasileira pela “experiência internacional”. Porém, quando o jogador conseguia se afirmar entre os titulares, sofreu uma grave lesão no joelho em agosto que o obrigou a passar por uma cirurgia, sua segunda em oito anos.

Em entrevista à Trivela, Marchisio comentou o desempenho de Diego Maradona na seleção de seu país, e defendeu a convocação de Lisandro López, afirmando que a Albiceleste, do jeito que está, não tem chance alguma de levar o título mundial. O argentino disse ainda que espera continuar na Macaca para o próximo ano, e ter a chance de enfrentar os grandes clubes paulistas durante o campeonato estadual de 2010.

O que o fez deixar seu país por um time da segunda divisão brasileira?

Eu vim principalmente porque já falava muito bem da Ponte Preta, e seria uma excelente oportunidade de ter uma experiência internacional. Mesmo sendo da segunda divisão brasileira, afinal, a Série B brasileira é muito competitiva. Mas certamente eu tomei a decisão mais pela experiência internacional do que pelo dinheiro.

Você está finalmente voltando aos treinos, depois de dois meses e meio afastado, em um momento que vinha conquistando a titularidade na Ponte Preta. Agora, a equipe já não tem chances de voltar à Série A, o que você espera deste final de campeonato?

Acho que agora a Ponte tem que terminar dignamente o campeonato, buscar ganhar todas as partidas e encerrar bem.

Seu contrato acaba em dezembro, mas você chegou a dizer que espera continuar no clube. Mesmo com a permanência da Ponte na Série B, você não planeja voltar para a Argentina ou buscar outro clube de maior visibilidade?

Gostaria de ficar sim, quero continuar por aqui. Me adaptei bem e estou gostando. Quero ter a oportunidade de, no próximo ano, jogar o Campeonato Paulista e o Brasileiro, especialmente o Paulista, onde teria chances de enfrentar grandes times como o Palmeiras, o Santos… Quero dar continuidade ao trabalho que comecei.

Como foi sua adaptação ao Brasil?

Foi perfeita, não tive nenhum problema. Já entendo bastante bem o português.

Apesar de diversos jogadores argentinos já terem vindo para o Brasil e feito sucesso, e outros continuarem a optar por jogar aqui, há grande rivalidade entre os dois países. Você passou por qualquer tipo de hostilidade por aqui por ser argentino?

Não, graças a Deus, não. Não tive problema algum, nenhum inconveniente. Antes de vir, até achei que poderia acontecer, mas não houve nada.

Qual foi o adversário de melhor nível que você viu na Série B?

O Brasiliense nos deu muito trabalho, foi a partida em que machuquei, que perdemos por 3 a 0. Foi um jogo muito ruim, um adversário complicado. Acho que um dos melhores times que enfrentamos foi o Atlético-GO, que joga mais bonito, com melhor estilo. E, claro, o Vasco, que é um time importante, o favorito. Desde o início sabíamos que iríamos disputar três vagas das quatro, que uma já era do Vasco.

Como avalia a rivalidade campineira entre Guarani e Ponte, e a mobilização da cidade para o dérbi, que você acabou ficando de fora, ainda machucado?

É muito bonito, a cidade ficava paralisada. Achei mesmo muito bonito de se ver. Mas estar fora não é gostoso, claro que queria estar dentro, mas gostei de acompanhar.

O que achou do tratamento médico daqui quando foi operado, uma vez que já fez outra cirurgia oito anos atrás?

A Ponte Preta tem uma equipe médica muito boa, competente e bem equipada e preparada, tudo correu muito bem.

O que pensou quando soube que precisaria operar?

Fiquei triste, ficar fora, sem treinar, especialmente em um momento que eu vinha bem, ganhando espaço no time, foi uma situação bem ruim. Mas a gente sempre sabe que isso pode acontecer a qualquer um, que estamos sujeitos a isso.

Você começou a carreira numa boa equipe, que é o Argentino Juniors. Como é o trabalho da categoria de base de lá?

O Argentino Juniors sempre foi um time que se destacou por isso, por formar bons jogadores, por lançar novos talentos. É um time pequeno, não é muito grande, mas tem seu espaço, e tem essa característica.

Você também disputou a segunda divisão argentina, no Defensores Belgrano e o Nueva Chicago. Como você compara a briga pelo acesso entre os dois países?

É bem diferente, no estilo de jogo. Lá os campos têm menos espaço, é mais pegado, mais pressão. Aqui, há mais tempo pra se jogar, para pensar na jogada, manter a bola. Pelas minhas características, prefiro aqui, que eu tenho mais tempo para pensar o que vou fazer.

Como é o público argentino comparado ao brasileiro?

É parecido, bem parecido. A torcida é muito apaixonada, presente. A torcida do Nueva Chicago parece bastante com a da Ponte, tem bastante gente.

Como você avalia o período de Maradona no comando da seleção argentina?

Hoje, foi bom, porque se classificou. Mas num geral, não foi bom. A Argentina não poderia ter deixado pra classificar no último jogo. Brasil e Argentina têm que estar sempre à frente dos outros, no topo, não é pra ter essa dificuldade toda.

O que achou de sua suspensão pela Fifa, por dois meses, devido às ofensas na partida contra o Uruguai?

Eu acho que punição tinha que ter. Não sei se foi justo. Ele estava nervoso, não conseguiu segurar as emoções, foi uma partida tensa. Mas, já que serão dois meses, melhor para nós (risos)!

Há algum jogador que você acha que merece ir para a Copa, mas que, até agora, não recebeu a devida atenção de Maradona?

Acho que Lisandro López, do Lyon. Ele deveria ter tido mais oportunidade. É bom jogador, está fazendo muitos gols, poderia ter uma chance. Pesar de que o time que enfrentou a Espanha neste sábado está muito bem.

Quais as suas expectativas reais para a albiceleste na Copa de 2010? Você acredita que este time de hoje está pronto para ser candidato ao título Mundial?

Não. Não está. Mas tem tempo para trabalhar até o Mundial, é sempre uma coisa imprevisível. Em 2002, por exemplo, a Argentina era favorita e caiu logo, enquanto o Brasil não vinha bem, e acabou sendo campeão.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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