Arce: “Bom resultado me ajudará no Corinthians”

Desde que chegou à final da Copa América em 1997, disputada em casa, a Bolívia nunca mais conseguiu se destacar em competição alguma. Nas últimas eliminatórias, por exemplo, terminou na lanterna da zona sul-americana, atrás até da Venezuela. Esse desastre deu início a uma forte renovação no time, que promoveu o ex-atacante Erwin Sánchez, presente no time que foi à Copa do Mundo de 1994, ao cargo de técnico. Desde que assumiu o posto, promove uma renovação no elenco. Um dos destaques é o promissor atacante Juan Carlos Arce, revelado pelo Oriente Petrolero e hoje jogador do Corinthians.
Na reserva desde que Emerson Leão saiu do clube paulistano, o jovem atacante aposta num bom desempenho de sua seleção na Copa América para ganhar a confiança do técnico Paulo César Carpegiani. “Sei que meu desempenho aqui me ajudará a voltar bem para o Corinthians”, afirmou o atacante, em entrevista exclusiva à Trivela.
Arce comentou sobre suas expectativas para a participação boliviana na Venezuela e também sobre o processo de renovação por que passa a equipe de Sánchez: “Essa será a oportunidade de mostrarmos que estamos no caminho certo para para voltarmos a ter um bom nível”.
Muita gente tem criticado a atitude de Kaká e Ronaldinho por terem pedido dispensa da Copa América. Tem se dito que trata-se de uma competição que não tem mais o mesmo valor. Você concorda?
São jogadores consagrados. É difícil saber como eles pensam, como estão, pois participaram muitos torneios. Devem ter seus motivos. Para mim, pessoalmente, a Copa América é algo extremamente importante, assim como para muitas outras seleções.
Quão importante é a Copa América para a Bolívia?
Para a gente é muito importante, pois vivemos uma nova fase com a seleção. Há novos jogadores, um novo técnico. Um time muito jovem. Além disso, a torcida percebeu que precisa dar apoio à seleção. Neste torneio podemos mostrar que a seleção boliviana está no caminho certo para voltarmos a ter um bom nível novamente. Se possível, queremos ter uma boa participação nesse torneio, para depois embalarmos nas eliminatórias para a Copa do Mundo.
A Bolívia está no grupo mais fácil do torneio. Quais são suas perspectivas para a disputa? Até onde esse time pode ir?
Assim como a Bolívia, muitas outras seleções estão passando por momento de renovação, com jogadores jovens. Sobretudo nesta Copa América. Sinceramente, não acho que nosso grupo seja o mais fácil. Acho até difícil e complicado. Sabemos que teremos trabalho para conseguir a classificação.
No Brasil é muito difícil de saber como estão outras seleções do continente. Como você faz para se informar com o que acontece com as outras seleções?
Para a gente também não é tão fácil acompanhar, mas geralmente obtenho informações nas partidas amistosas. Nossa comissão técnica, porém, costuma acompanhar com freqüência os jogos de nossos adversários.
O que você conhece de Venezuela, Peru e Uruguai?
As três passam por um momento semelhante ao nosso. Estão trazendo jogadores jovens, novos valores, a seus times principais. A seleção uruguaia é quem terá mais nomes de destaques, provavelmente com jogadores que já vêem juntos desde a partida contra a Austrália, quando perderam a classificação para a Copa. Os outros também serão difíceis de se bater. Temos é que nos focar na primeira partida que teremos, que logo de cara será contra os anfitriões, por si só o adversário mais difícil do grupo.
Você não tem jogado pelo Corinthians. Até que ponto jogar a Copa América será importante para você se firmar entre os atacantes para as Eliminatórias?
É importantíssimo. Pelo elenco que tem, com bons jogadores, acabei perdendo um pouco de espaço. Essa oportunidade, numa competição como essas, será boa para mostrar que estou bem, para que possa voltar para o Brasil e conseguir uma nova oportunidade no time. Tenho muita vontade em defender minha seleção e sei que meu desempenho aqui me ajudará a voltar bem para o Corinthians.
Como é o Erwin Sánchez como técnico?
Cheguei a tê-lo como companheiro de equipe em sua despedida. É uma pessoa que está sempre olhando para o futuro, que tem muita vontade de vencer. Na seleção, tem dado importância e oportunidade a jogadores jovens e que tenham muita vontade. Nessa Copa América ele terá a oportunidade de mostrar que a Bolívia tem grandes jogadores.
O fato de ele, como jogador, ter conseguido ir a uma Copa do Mundo e ter sido vice-campeão de uma Copa América ajuda em alguma coisa na hora de passar experiência para o grupo?
Certamente. Ele nos ajuda em tudo. Nos treinamentos, ele demonstra a experiência de quem já passou por muitas equipes, que já disputou muitas Copas América. Temos trabalhado duro para assimilar o que ele nos pode passar e pede da gente fazer dentro de campo.
O que aconteceu com a Bolívia desde esse vice-campeonato da Copa América, que a seleção nunca mais conseguiu nada de impacto?
A verdade é que acontece muita coisa na seleção boliviana. Desde falta de dedicação, até mesmo à falta de crença da torcida de que o time conseguiria chegar longe. Isso abateu muito os jogadores e os resultados não vieram. Agora parece que resolveram colocar a mão no peito e apostar mais no time, acreditar que temos condições. E não cansamos de dizer que a seleção precisa desse apoio. Agora, nos amistosos, temos mostrado um bom futebol e que temos condições de fazermos um bom papel nesta Copa América, assim como nas eliminatórias.
Um tema polêmico nas últimas semanas tem sido a proibição da Fifa de jogos serem realizados acima 2.500 metros. O que você, como boliviano, acha disso?
É um tema complicado, pois não é apenas a Bolívia que será impactada por essa proibição, mas também países como Colômbia, México, Peru… É necessário que se ache uma solução, pois já está provado que não é impossível ganhar na altitude. Muitas seleções já foram lá e ganharam da gente, mesmo com a altitude.


