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Alex: “Acho que fui bem na Seleção Brasileira”

Se o Fenerbahçe ganhou fama no Brasil (o que inclui até uma versão em português no site do clube), e se as eliminações nas fases preliminares da Liga dos Campeões e da Liga Europa chamaram atenção, muito disso se deve a um certo meio-campista. Desde 2004 defendendo os Canários Amarelos, Alex já criou com o clube turco uma relação tão respeitável como com os clubes pelos quais passou no Brasil: principalmente Palmeiras e Cruzeiro, onde teve as maiores glórias no país, e Coritiba, seu clube do coração.

Nesta entrevista à Trivela, concedida um dia antes do Fener ter a dramática queda para o PAOK, nos play-offs da Liga Europa, Alex analisou as perspectivas do clube para a temporada, acreditando numa reação na Süper Lig. Falou ainda sobre sua opinião a respeito da situação atual dos clubes em que fez fama, bem como a situação da Seleção Brasileira durante e após a Copa do Mundo. Explicou as turbulências que fizeram com que ele não atuasse pelo Parma, primeira experiência europeia antes de encontrar a regularidade, no Fenerbahçe. E, finalmente, falou sobre basquete – esporte que acompanha, como confirmam suas aparições nos ginásios durante as partidas da Seleção Brasileira no Mundial de Basquete Masculino, na Turquia. Confira.

Ainda é cedo para falar qualquer coisa sobre o que o time pode fazer na temporada?
O time é um dos favoritos. Mesmo quando se fala da derrota que tivemos para o Trabzonspor (3 a 2, na segunda rodada), deve-se lembrar que eles têm um bom time, e jogar na casa deles é bastante complicado. Então, acho que ainda está muito cedo para falar alguma coisa. Há a temporada inteira para se jogar. Com certeza, acredito que Galatasaray, Fenerbahçe e Besiktas disputarão o título.

Sob o comando de Luis Aragonés e de Christoph Daum, o Fenerbahçe jogou basicamente num 4-2-3-1, assim como com Aykut Kocaman. Nesse esquema, você ocupa o papel de armador central na linha de três. Você considera que rende mais nesta posição ou acha que pode ter o mesmo rendimento em outros esquemas – por exemplo, num 4-3-2-1, jogando na dupla de armadores, ou pela direita, num 4-4-2, dois esquemas utilizados por Zico?
Na verdade, o esquema não chega a ser um 4-2-3-1. Pode até parecer no desenho, mas jogamos com uma segunda linha de quatro, além da linha de quatro na defesa. Esse é o nosso sistema, na verdade. Jogamos assim com Zico e com Daum. O Aragonés mudou algumas coisas, mas o esquema continua semelhante.

No Fenerbahçe, nesta temporada, um dos reforços foi o eslovaco Stoch, que joga pela esquerda e chega bastante ao ataque. Como fazer para que ele não colida com as atuações do André Santos, que gosta de avançar pelo mesmo setor?
A ideia do treinador é de que os dois joguem juntos, que consigam fazer jogadas juntos. Não acredito que eles se atrapalhem.

Você chegou ao Fenerbahçe sob o comando do Daum, e esteve sob o comando do Daum novamente na última temporada. Que diferenças você pôde notar entre o modo dele trabalhar em 2004 e recentemente?
No modo de trabalhar o futebol, pouco. Falando em método de treinamento, quase nada. Mas acredito que, na relação com o clube e com os jogadores, mudou da água para o vinho, foi uma mudança de 100 por cento. Ele era um cara muito distante, mais concentrado no trabalho, e agora abriu espaço para diálogo com os jogadores. Isso foi diferente. Agora, com relação ao trabalho, ao sistema de jogo usado, às substituições que ele costuma fazer, volto a dizer que pouco mudou.

Aqui no Brasil, fala-se muito de suas passagens por Cruzeiro e Palmeiras. No entanto, o Fenerbahçe é o clube em que você está por mais tempo (já são seis anos de clube, 260 partidas e 126 gols). Você considera que criou uma relação eterna com o clube? E a torcida, considerada fanática, o trata de maneira especial?
Ela me trata com respeito. A torcida tem um carinho por todos os jogadores. Posso ser um jogador estrangeiro, mas é uma relação que sempre teve respeito. Assim como no Cruzeiro, ou no Palmeiras, ou no Coritiba, que foi aonde comecei. O único lugar onde não houve essa relação foi no Flamengo, onde não tive tempo para conhecer o clube. E acredito que, por eu sempre ter demonstrado respeito com o Fenerbahçe, essa relação sempre irá existir.

Você acompanha a situação do Palmeiras no Campeonato Brasileiro? O que acha do atual momento da equipe? E o Cruzeiro? Crê que a equipe está mais preparada para conquistar a Libertadores? E o Coritiba, na segunda divisão?
Acompanho a situação dos três, sim. Vejo os resultados, acompanho os jogos. O Palmeiras está em um momento de contratar vários jogadores que têm uma relação forte com o clube – e mesmo o Felipão tem essa relação. Além disso, o Felipão consegue fazer com que os jogadores mostrem mais raça. Prova disso foi a classificação contra o Vitória, na Copa Sul-Americana, onde este lado já foi mais mostrado. O Cruzeiro é um time equilibrado. Tem bons jogadores, e um treinador que sabe usá-los. Para mim, é um trabalho que pode render uma volta à Libertadores. No caso do Coritiba, a última temporada foi complicada, mas acho que o time pode fazer uma boa Série B.

Uma passagem da sua carreira que é pouco falada é a sua atuação pelo Flamengo. Você diz que os problemas passados lá o fizeram dar importância a fatores que antes passavam em branco, como estrutura oferecida pelo clube. Pode falar um pouco mais a respeito de sua passagem pelo time?
Foi difícil. O time vivia problemas econômicos, eu também vivia problemas. O clube contratou vários bons jogadores, mas não conseguiu formar uma equipe. Foi um momento complicado.

E pelo Parma? Quando você chegou ao clube, ele sofria com dívidas. Então, você passou dois anos sendo emprestado, para Flamengo (em 2000), Palmeiras (2001 e início de 2002), Cruzeiro (2001)… deu para conseguir mostrar algo, no pouquíssimo tempo que você passou jogando de fato no Parma? Conseguiu tirar algo de bom?
A história verdadeira não é essa (interrompendo). O Parma chegou ao Brasil para contratar o Júnior (lateral esquerdo) e eu, que vivia uma boa fase, tendo chegado à final da Libertadores e atuando em todos os jogos da Seleção Brasileira pelas Eliminatórias da Copa de 2002. Chegando à Itália, tive problemas com relação aos jogadores extracomunitários, e, como havia dúvidas se eu poderia jogar, pedi para ser emprestado. Poderia até ter voltado a jogar no Palmeiras, porém, o clube vivia um período de indefinição, com a Parmalat saindo. Houve também a hipótese de eu ir para o Vasco. E fiquei nessa discussão até que veio o Flamengo, quando acertei um contrato de um ano, depois do qual voltaria para o Parma.

Porém, naquela época, existia a situação dos 15 por cento a que o atleta tinha direito, pela minha transferência do Palmeiras. Decidimos, então, dividir o pagamento em três parcelas. E eles [Parma] não queriam me pagar nem na Itália, nem no Brasil, mas sim numa off-shore no Uruguai. Conversei com meu advogado e ele me disse que eu não precisava fazer desse modo: poderia pegar o dinheiro na off-shore, trazer para o Brasil, e pagar os impostos. Foi exatamente o que fiz: peguei o dinheiro da transferência na off-shore, trouxe para o Brasil, paguei os impostos brasileiros. E fui para o Flamengo disputar o Campeonato Brasileiro.

No final de 2000 eu disse que não voltaria ao Flamengo, já que o clube não tinha dinheiro para me pagar e continuar comigo. O Palmeiras, então, chegou para fazer uma proposta para mim, de modo que eu pudesse jogar a Libertadores de 2001. Quebrei meu contrato com o Flamengo, voltei para o Palmeiras e joguei a Libertadores e o Campeonato Paulista, em 2001. Qual não foi a minha surpresa quando, ao acabar o empréstimo, eu voltei para o Parma e passou-se um tempo sem eles pagarem a segunda parcela dos 15 por cento? Fui cobrar, após um mês, com uma pessoa que trabalhava na Parmalat brasileira, e eles me disseram que não me deviam nada, que eu teria de procurar meus direitos na Justiça.

Foi o que fiz: entrei na Justiça do Trabalho. Meu contrato com o Palmeiras acabou, eu não me reapresentei ao Parma e, sob uma liminar da Justiça do Trabalho, eu me apresentei ao Cruzeiro. Ou seja, da primeira vez em que passei pelo Cruzeiro, eu não estava emprestado pelo Parma, eu era um jogador trabalhando sob uma liminar da Justiça do Trabalho brasileira. Joguei o Campeonato Brasileiro de 2001 pelo Cruzeiro, e, no final de 2001, o Cruzeiro também não ficou comigo. E a Fifa me suspendeu, alegando que eu tinha dois contratos. Porém, na verdade, não era uma suspensão, era uma tentativa de provocar uma reunião entre mim e o Parma.

Essa reunião foi marcada para janeiro de 2002, na sede da Fifa, em Zurique. Lá, o Parma reconheceu a dívida que tinha comigo, e propôs um acordo: ou eu poderia voltar para a Itália, ou eu poderia acertar com um time brasileiro. Na época, falei com o Felipão, que era técnico da Seleção Brasileira, e ele me disse que seria muito mais fácil para mim vislumbrar uma chance de jogar a Copa se eu jogasse no Brasil. Voltei, então, ao Palmeiras, joguei o Rio-São Paulo e, após a Copa do Mundo, voltei ao Parma. Treinei lá por cerca de duas, três semanas, mas já era um outro momento. O Parma falou que não me utilizaria, e que queria entrar num acordo comigo, rescindindo meu contrato. Sentamos para nos reunir, discutimos, entramos num acordo, e eu voltei para o Brasil. Fiquei procurando clube em torno de quinze dias, até que acertei com o Cruzeiro.

Então, no Parma, não cheguei a jogar, ou a treinar. Só fiz uma pré-temporada de vinte dias com o elenco, para 2002/03, e participei de três jogos de preparação, atuando por alguns minutos. O resto, foi essa situação de tribunal, Fifa. Não tive relação técnica nenhuma com o Parma. Inclusive, quando eu for fazer um livro, eu vou pesquisar essa história que vivi, porque tenho uma dúvida grande sobre se o Palmeiras recebeu alguma coisa.

Você teve boas atuações pela Seleção Brasileira (como contra a Argentina, nas Eliminatórias para a Copa de 2002, e os jogos do Pré-Olímpico de 2000). Porém, você ficou com a fama de ser um jogador que não rende o que pode jogando pelo Brasil. Você ainda se magoa quando ouve pessoas falando assim ou pensa que não precisa provar nada a ninguém?
Acho que é só uma opinião, e as opiniões são diversas. Já vi gente dizendo que o Ronaldinho Gaúcho não jogou nada na Seleção, entendeu? Certos amigos meus são pessoas ligadas à imprensa, pessoas que falam na televisão, que escrevem para a internet, que escrevem em jornais. A diferença é a opinião expressada. Por exemplo: eu fui campeão da Copa América (1999), eu joguei duas Copas das Confederações (2001 e 2003), eu fui campeão de outra Copa América sendo capitão do time (2004). Tive várias participações nas convocações em que eu jogava pouco tempo, por exemplo, entrando em campo no segundo tempo, com o jogo já definido. E, entrando com o jogo já definido, você só administra, fica tocando a bola. Ainda há, também, quando você entra e há uma situação ruim para o seu time, ou quando seu time está desorganizado…

Eu tenho uma opinião diferente. Quando eu joguei com sequência, acredito que eu tenha tido uma boa participação. As pessoas falam “olha, mas no clube ele jogou melhor”? No clube você sempre vai ser melhor. No clube, você chega a cem partidas, você tem uma partida hoje e outra daqui a alguns dias. Por exemplo: quando se analisa a minha passagem pelo Cruzeiro, analisa-se 121 jogos. É possível que, entre eles, eu tenha tido vários jogos ruins. Só que, pegando uma média geral, ela foi boa. Então, acredito que, pela Seleção, 80 por cento dos jogos que eu joguei com uma sequência, com tempo, com tranquilidade para jogar, sem entrar em partidas já definidas, minha participação foi positiva.

Se há uma coisa que eu tenho na minha carreira, é auto-análise. Sei quando fui bem e quando fui mal. E não faço questão nenhuma de me autoelogiar nem de me autocriticar. Mas tenho absoluta certeza de como as coisas se desenvolvem, tanto quando eu faço as coisas e elas saem bem, como quando elas acontecem de uma maneira ruim. Então, numa média geral dentro da Seleção Brasileira, acho que eu fui bem.

Fala-se muito de boas atuações em sua carreira, como o 3 a 0 contra o River Plate, pelo jogo de volta das semifinais da Libertadores de 1999. Há algum jogo em que você considere ter tido uma atuação espetacular e que é pouco lembrado?
Depende muito do jogo. Depende muito daquilo que quer dizer. A lembrança desse jogo contra o River Plate é grande porque era uma semifinal de Libertadores. Mas houve outros jogos em que eu fui bem. Por exemplo: muita gente fala do gol que eu fiz contra o São Paulo, no 4 a 2 do Rio-São Paulo de 2002, e não falam de uma partida que eu fiz contra o Guarani, pelo Palmeiras (nota da redação: o Palmeiras venceu por 2 a 1, pelo Campeonato Paulista de 2001), em que marquei um gol após driblar todo mundo.

Mesmo na Libertadores de 1999: no jogo contra o Vasco, em São Januário, pelas oitavas de final, as coisas saíram de uma maneira espetacular. Na Copa Mercosul de 1998, em que o Palmeiras foi campeão, as pessoas se esquecem de que, mesmo num campeonato cheio de bons atacantes, o artilheiro fui eu. Fiz jogos de muita qualidade. Mas, em futebol, você precisa entender o peso do jogo. Isso, às vezes, vale muito, e a lembrança fica. Essa partida contra o River Plate é muito lembrada pelo peso. Tínhamos perdido em Buenos Aires, e a expectativa era grande para que o Palmeiras chegasse à decisão. Fiz dois gols, e acho que essa partida, na média, é uma das mais importantes.

Você assiste e comenta bastante futebol, principalmente no Twitter. Qual foi o maior defeito da Seleção Brasileira na última Copa? Alguma seleção, principalmente entre as finalistas, lhe impressionou positivamente?
Para mim, não houve grandes novidades, não. Chegaram as equipes que eu imaginava que chegariam. Eu conversava muito com o Lugano, e eles tinham uma expectativa grande na seleção uruguaia, em cima da mística e da escola deles, que é uma escola de briga, de entrega, com alguns bons jogadores, no aspecto técnico. Aos poucos, eles foram conquistando essa consciência, e foram chegando.

Com relação ao Brasil, aconteceu aquilo que a gente imaginava. O Brasil tem uma escola própria de futebol, e fugiu um pouco dessa escola. A gente via uma equipe brasileira sem um armador – o próprio Kaká, que é um jogador que se respeita, e todos sabem a qualidade que tem, não é um típico armador, dentro do que o futebol brasileiro sempre possuiu, continua possuindo (e acredito que dessa escola, surgirão outros armadores para sempre). O Brasil não tinha isso. Tínhamos, no Kaká, a esperança de que isso acontecesse, mas, infelizmente, ele jogou vindo de contusão, e era claro que ele jogava à meia-bomba.

Então, não vi grandes surpresas. A Espanha jogou dentro daquilo que vinha jogando nos últimos quatro anos, dentro daquilo que o Barcelona, que é a base da seleção, joga. Acredito que tenha ganho quem, na minha opinião, premiou o futebol. Mais uma vez, a Holanda chegou e não conquistou, jogando um pouco diferente daquilo que a gente estava acostumado. A Alemanha, sempre da mesma forma: forte e determinada, desta vez com um pouco mais de beleza, mas era basicamente a mesma escola.

A Itália, mesmo sendo tradicional, já não chegou com aquela força toda. Das seleções que chegaram com força e tendo bons jogadores, individualmente, quem me impressionou negativamente foi a Inglaterra. A gente vê, aqui, na Europa, os jogadores bem nos clubes, a qualidade deles. Em termos de seleção, é incrível como não conseguem montar um time. Mas acredito que, dentro da expectativa e da visão de todo mundo, aconteceu aquilo que as pessoas imaginavam. Mesmo que a gente torcesse pelo Brasil, a maioria via que o time fugiu um pouco da sua tradição, da sua escola. No momento em que enfrentou uma equipe com jogadores de qualidade comprovada, caiu fora.

Mano Menezes está iniciando seu trabalho na Seleção Brasileira. Em sua opinião, há alguém que mereça ser testado?
Vários jogadores. Pelas convocações que fez, o Mano vai se concentrar nesta molecada que está surgindo. Acredito que ele vá privilegiar a qualidade individual. Achei que ele já chamou alguns jogadores que o grande público, provavelmente, já esperava. A gente, que acompanha futebol dia a dia, sabe e conhece a qualidade dos atletas, a qualidade individual que o Brasil possui. E o treinador vai deixando claro que vai trabalhar em cima daquilo que o futebol brasileiro tem. Acredito que o Brasil tem condições de fazer um belo time.

Principalmente, trabalhando forte no aspecto psicológico, tendo em vista o Mundial de 2014, dentro do Brasil, com uma pressão grande, já que será aqui. O importante é ter um bom time, com a cabeça boa e bem trabalhada, para que seja uma seleção muito forte.

No Campeonato Turco, os grandes clubes costumam investir bastante. Você acha que os investimentos na contratação de jogadores são altos demais para serem igualados ou há outras competições que também investem muito e aumentam o equilíbrio entre os campeonatos – por exemplo, o Campeonato Russo?
Acho que a diferença é cultural. Considero que essa é a diferença principal. Dou um exemplo: se você comparar o Coritiba e o Flamengo, o maior é o Flamengo. Porém, quando ambos jogam no Couto Pereira, você não aposta todas as suas fichas no Flamengo, certo? Aqui, quando o Fenerbahçe joga contra um time considerado menor, fora de casa, você pode apostar as suas fichas no Fenerbahçe em 90 por cento, porque o respeito deste time menor em relação ao Fenerbahçe é tão grande, que, às vezes, mesmo que a atuação não seja das melhores, nós ganhamos na camisa. Assim como o Galatasaray, o Besiktas.

Esse tipo de coisa não acontece no Brasil. Você pega os primeiros colocados do Campeonato Brasileiro e vê o Ceará, o Avaí… equipes que não são consideradas grandes do futebol brasileiro. Então, se você pegar, por exemplo, o São Paulo indo jogar contra o Juventude, em Caxias, vai haver dificuldades, o Juventude vai lhe atrapalhar e muito lá. Então, no Brasil, quando você sai da sua casa para enfrentar qualquer adversário (seja a Ponte Preta em Campinas, ou o São Paulo no Morumbi, ou o Grêmio no Olímpico, ou o Inter no Beira-Rio), esse time que joga em casa, seja ele tradicional ou não, tenha ele uma trajetória vitoriosa ou não, encara o outro de maneira igual, frente a frente. O jogador que está no Avaí, por exemplo, quer demonstrar seu talento, para buscar uma transferência para um centro maior.

Aqui na Turquia, são poucos os jogadores que têm esse pensamento. Aqui as coisas são bem definidas: clube grande é grande, médio é médio e pequeno é pequeno. No Brasil, às vezes, um clube grande encara um período de “médio”, ou encara um período muito complicado. Os clubes menores da Turquia também investem, também contratam jogadores de outros países, mas o respeito dos jogadores do país pelos clubes grandes é muito grande, culturalmente. Então, a camisa do grande pesa. Acredito que seja essa a grande diferença do futebol turco.

Você tinha o hábito de guardar informações sobre sua carreira (títulos conquistados, gols marcados, partidas jogadas) em uma agenda eletrônica de bolso. Continua fazendo isso?
Agora é tudo no computador. O Acaz (Fellegger, jornalista e assessor de imprensa de Alex) me ajuda, também. Depois que ele abriu o escritório e melhorou a situação da assessoria, aí eu já tinha a maioria das coisas guardadas. Falta alguma coisa da época de Curitiba, mas, de Palmeiras para cá, realmente, está tudo guardado.

Você gosta muito de basquete – tem uma coleção de camisas da NBA e assistiu a um jogo do Dallas Mavericks no ginásio, além de sempre ver os jogos pela tevê. Neste ano, há o Mundial de Basquete, na Turquia. Você está acompanhando?
Estou acompanhando, sim. Essa coleção de camisas até já se perdeu, pelas tantas mudanças que eu fiz. No dia em que eu voltar para Curitiba e buscar organizar tudo, acredito que eu não terei mais nenhuma camisa. Com relação à NBA, eu perdi um pouco o contato, porque o fuso horário daqui me atrapalha a ver os jogos, que são tarde. Mas eu vejo a liga europeia de basquete, as seleções. Vi alguns amistosos antes do Mundial. Continuo vendo o meu calendário de jogos e treinos e, se eu tiver a oportunidade, verei quantos jogos eu puder.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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