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Alanzinho: “Vale a pena abrir mão de algumas coisas por um certo tempo”

O Trabzonspor briga pelo título do Campeonato Turco nesta temporada, em disputa acirrada com o Fenerbahçe e Bursaspor. Desde 2005 a equipe não fica com a taça, e agora conta com o talento do meia brasileiro Alanzinho para acabar com o jejum.

Desde 2009 no clube, o jogador, revelado pelo Flamengo, se destacou na Europa jogando pelo Stabaek, da Noruega. Com isso, chamou a atenção dos turcos que pagaram € 4 milhões por ele. Nesta entrevista, Alanzinho fala sobre sua adaptação ao futebol europeu e o fanatismo da torcida turca.

Acredita que o Trabzonspor tem chances de ficar com o título nesta temporada?
Tem todo o segundo turno pela frente ainda e muita coisa para acontecer. Mas claro que não só eu, mas o grupo todo acredita que temos, sim, reais chances de conquistar o título. Desde a temporada passada o time vem fazendo boas apresentações, e agora não chegamos e estamos nos mantendo no topo por acaso.

Qual jogo mais marcou na conquista do primeiro turno nesta temporada?
Todos os jogos contra os considerados grandes – Fenerbahçe, Galatasaray e Besiktas – são especiais, mas realmente contra o Fener foi um jogão e vencemos por 3 a 2. Vieram com tudo, pois já tínhamos conquistado a Copa da Turquia em cima deles também.

Recentemente o atacante Kazim Kazim, do Fenerbahçe, foi para o rival Galatasaray. Como é a rivalidade dessas duas potências?
Só vivendo isso para explicar. O fanatismo é enorme e não é à toa que é considerado o clássico de maior rivalidade no futebol mundial. Fora e dentro de campo os ânimos ficam muito acirrados, e uma vitória é comemorada como se fosse um título.

E como é jogar contra estes clubes em seus campos?
É uma ótima experiência e com certeza só vai ajudar para a sequência da minha carreira. Você aprende a lidar com a pressão em campo, da torcida, da marcação…

Já está adaptado ao país?
Sim, tranqüilo. O povo gosta muito de futebol, bem semelhante ou até mais que o Brasil, e isso ajuda também. Já acostumei também com a comida, cultura e outras peculiaridades locais.

Quais são as principais diferenças que você observou entre o futebol jogado na Turquia e na Noruega?
A cobrança aqui na Turquia é bem maior, nem se compara, mas sempre com respeito.

Já conhece um pouco da história do Trabzonspor?
Pelo pouco que sei, por volta de 1923 foram criados alguns times para disputar uma competição entre escolas. Entre elas estava o Trabzon High School. Recentemente falando, sei que a equipe subiu para a elite na temporada 2003/2004 e se mantém bem até hoje. Nesse período a pior colocação foi em 2007/2008, quando terminou na sexta posição.

Como foi sua passagem pelo Stabaek?
Foi ótima. Fui bem recebido por clube, torcida e isso me ajudou bastante. Consegui ter uma boa seqüência e com isso mostrar um bom futebol. Tanto que fui eleito o melhor jogador do campeonato em 2008. Virei até o xodó da torcida (risos).

Você está desde 2005 no futebol europeu. Pensa ainda em jogar pelo Brasil?
Sem dúvida. Jogar em casa e ter a família próxima é sempre bom, e com certeza o pensamento de jogar novamente no futebol brasileiro existe, sim. Mas sei que a carreira é curta, e vale a pena abrir mão de algumas coisas por um certo tempo para garantir um futuro melhor depois.

E como foi seu início de carreira no Flamengo?
Cheguei ao Flamengo com oito anos. Passei por todas as categorias até chegar ao profissional, sob o comando do Nelsinho Baptista, a quem sou muito grato. Infelizmente nesse período, meados de 2002 e 2003, o time não estava bem e não deu para conseguir uma boa sequência. Depois passei por América-RJ e Gama, até que surgiu a oportunidade de ir para o Stabaek, da Noruega. Então consegui me destacar e os turcos do Trabzonspor me contrataram, onde estou até hoje.

Desde 2009 no Trabzonspor, você já conhece bem o futebol turco. O que pode falar sobre a seleção local?
É uma seleção que teve seu grande momento na Copa de 2002, com o terceiro lugar. Mas de lá para cá passou por mudanças, como toda seleção, e que tem tudo para surpreender na próxima Eurocopa. Tem o comando do técnico Guus Hiddink, que sempre faz bom trabalho por onde passa e ainda conta com jogadores experientes como o Emre, capitão do time, e o Tuncay. Há também a aposta em jovens valores e a maioria dos atletas que compõem o grupo joga aqui mesmo na Turquia. Atualmente, no Trabzonspor, os selecionáveis são o goleiro Tolga Zengin e o meio-campo Selçuk Inan.

Outras matérias do colaborador, no blog: brasileirosdabase.blogspot.com.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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