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“Ainda podemos fugir do rebaixamento”

Depois de uma temporada excelente, quando o clube brigou pelo título até as últimas rodadas – terminou em quarto, seis pontos atrás do Wolfsburg – , e uma temporada retrasada mediana, o Hertha caiu assustadoramente de produção.É oúltimo colocado na Bundesliga atualmente e tem 90{4e6004d4b2dec836d33dc5172bfddf26d3363bd8dda1f1bebd6a41477248514f} de chances de ser rebaixado. A equipe não chegou a perder muitos jogadores. Teve como principal saída o atacante Voronin, mas foi só. Conversamos com um dos brasileiros do clube de Berlim, Raffael, que contou como anda o ambiente do clube.

Natural de Fortaleza, Rafael ganhou mais um “F”, na Suíça. Os torcedores começaram a levar cartazes com seu nome escrito com dois “fs” e daí “pegou”. No Brasil, ele é desconhecido. Foi reprovado em testes no Corinthians e não chegou a ficar no Vitória. Quem abriu as portas para o meia-atacante foi o Juventus, de São Paulo. O início foi difícil. Ganhava R$ 250,00 e o salário constantemente atrasava. Hoje, na Europa, não passa por isso e desfruta dos Euros de Berlim.

Schalke e Bayern estão brigando ponta a ponta pelo título alemão. Na sua opinião, quem vence?
Estou torcendo pelo Schalke, por causa dos brasileiros que atuam lá. Mas pelo jeito que o campeonato está encaminhando, o mais provável é que o Bayern Munique vença mais uma vez.

A situação do Hertha não está nada boa, os jogadores acreditam na fuga do rebaixamento?
Estamos a seis pontos do primeiro time fora da zona de rebaixamento. Restam quatro rodadas para terminar o campeonato e matematicamente temos condições de nos livrar. Estamos trabalhando para isso. Na pior das hipóteses, queremos chegar na 16ª posição, já que o primeiro da zona de rebaixamento fará dois jogos com o terceiro colocado da segunda divisão e quem somar mais pontos nesses dois jogos joga a primeira divisão no ano que vem. No momento, estamos a cinco pontos do 16º. A tabela é complicada, porque ainda jogaremos contra os líderes, Schalke, Leverkusen e Bayern de Munich, mas ainda é possível escapar.

O que faltou para o Hertha nessa temporada?
O começo foi muito ruim. Perdemos muitos pontos no início do campeonato e quando começamos a reagir, os outros resultados não foram favoráveis. Chegamos a ficar três jogos sem perder nas últimas rodadas e diminuímos a distância para fora da zona de rebaixamento. Não podemos nem pensar em empatar.

Caso o clube seja rebaixado você tem a intenção de deixá-lo?
Sinceramente, ainda não pensei sobre isso. O momento é de tentar livrar a equipe do rebaixamento. Meu contrato com o clube vai até 2012 e depois resolveremos isso.

O Hertha sempre foi um clube que apostou em brasileiros. Isso te levou a optar por ele?
Sem dúvida. Tive outras propostas, até mais vantajosas financeiramente, mas optei pelo Herta. A tradição de contratar e ser muito receptivo aos brasileiros pesou muito. Depois de mim, ainda chegou o Cícero, que estava jogando Fluminense. Eles realmente gostam do futebol brasileiro.

Você é o jogador com mais cartões amarelos na Bundesliga pelo Hertha. Para um jogador de ataque isso não é anormal?
Realmente não é muito normal. O treinador já avisou para tomar cuidado, para não correr o risco de ser suspenso e desfalcar o time nos momentos decisivos. Mas isso acontece por que sou um jogador competitivo e ajudo na marcação.

Você concorda que isso reflete um pouco de nervosismo, o que pode atrapalhar seu rendimento e do grupo?
Pode até ser um pouco. A vontade de ganhar e tirar o time dessa situação é tanta que às vezes posso exagerar na vontade de marcar com mais eficiência. A equipe realmente fica um pouco ansiosa, mas estamos procurando nos concentrar ao máximo para não levar essa ansiedade para dentro de campo.

Em contrapartida é também o terceiro jogador com mais minutos em campo. Isso mostra que é importante para o grupo?
Creio que sim. Recebo muito apoio dos torcedores nas ruas, que mesmo com pouco tempo de clube já me conhecem. Talvez se estivesse num time grande no Brasil não poderíamos sair na rua. Mas aqui todos incentivam e isso vem nos dando força para reagir.

Na Suíça você chegou a ser comparado a Ronaldinho. Como você avalia essa comparação?
Atuava em uma posição bem parecida com a do Ronaldinho no Barcelona, jogava aberto pela ponta esquerda, além de marcar gols e dava assistências também. É sempre bom ouvir esse tipo de comparação, ainda mais com ele, que na época era o melhor do mundo. Mas Ronaldinho construiu a sua história no futebol e estou construindo a minha. Quero ser reconhecido como o Raffael e não como um jogador parecido com o estilo do Ronaldinho.

Na Suíça você se destacou no Chiasso fazendo ótimas temporadas. Foi nessa época que abriram as portas dos grandes centros da Europa?
Realmente tive uma boa passagem no Chiasso. Fiz 30 gols em 61 jogos. De lá fui para o Zurich, um clube maior e começaram a surgir propostas. Preferi o Herta, porque o Campeonato Alemão tem uma visibilidade maior, o campeonato é transmitido no Brasil.

No início, como profissional, você ganhava R$ 250 por mês, e ficou sem receber por alguns meses. Chegou a passar por isso outras vezes?
Fiquei três meses sem receber no Juventus-SP. É complicado. Se você trabalha o mês todo, quer receber, por menor que seja seu salário. Depois que fui para Suíça e Alemanha e não passei mais por isso.

Você chegou a fazer teste no Corinthians, mas não foi aprovado. Isso te desanimou ou te motivou para seguir em frente?
Fiquei um mês treinando no Corinthians. Infelizmente não prossegui, mas em nenhum momento pensei em desistir. Tive certeza de que mais cedo ou mais tarde seria aprovado em outro clube.

Já se acostumou com a língua?
O alemão é muito difícil. Quando estava jogando na Suíça, só aprendi a falar o italiano. Algumas palavras ainda não conheço, mas já consigo ir a um restaurante sem problemas e passear sem problemas. Afinal são três anos aqui.

Como está a Alemanha para a Copa? Quem são seus favoritos?
O futebol alemão é muito competitivo e a seleção sempre acaba chegando. Tem um jogador o Ottl, um meio-campo canhoto, que vai dar muito trabalho na Copa. Mas Brasil e Espanha sem dúvida são os favoritos.

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Equipe Trivela

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