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“Agora só penso em jogar”

Basta um time brasileiro estar com problemas no ataque para o nome de Vagner Love surgir. O ex-atacante do Palmeiras, que defende o CSKA Moscou desde 2004, está constantemente ligado a diversos clubes, sempre que a janela de transferências se abre. Após a novela com o Corinthians, ele “quase” foi para Flamengo e Everton/ING.

Em entrevista por telefone para a Trivela, o jogador explicou que não deixa essas especulações atrapalharem seu rendimento. Aproveitou para criticar alguns dirigentes, como Kia Joorabchian e Mustafaá Contursi. Falou também sobre seleção brasileira e as chances com Dunga, além, é claro, de suas histórias amorosas.

Sobre seu atual momento no CSKA, o que você pensa sobre o futuro?
Continuo aqui na Rússia, tranqüilo. Tenho contrato até 2010 com o CSKA Moscou e pelo menos até o final do ano, já que a janela de transferências se fechou, não vou me transferir. Vou cumprir meu contrato normalmente.

Como você vê o futebol russo hoje?
O futebol russo está crescendo muito, está evoluindo bastante. Primeiro nós conquistamos o título da Copa Uefa em 2005, e agora mais recentemente o Zenit também levou a Copa Uefa e ficou com a Supercopa Européia. A seleção também foi muito bem na Euro, o que mostra toda essa evolução. Tudo isso é bom para nós, jogadores estrangeiros que estamos aqui.

Você já é um ídolo em Moscou. Em campo sofre muito com os zagueiros adversários?
Em campo eu sofro bastante, sim. Por eu ter um status fora de campo também, a pressão é muito grande. A marcação dos zagueiros é muito forte em mim, eles praticamente não dão espaço. Claro que o nível dos jogadores não está entre os melhores da Europa, mas em breve o campeonato aqui será considerado um dos melhores.

Qual a relação que você tem com o clube em si?
Tenho um relacionamento muito bom com a torcida e diretoria. O clube te dá todo apoio que você precisa, todo suporte. Com isso, você vai para o jogo tranqüilo, se preocupando apenas em jogar futebol, fazer aquilo que você sabe. Em todos esses anos de CSKA eles sempre me atenderam muito bem, me deram tudo que precisei. O presidente confia demais em mim. No dia-a-dia tem o nosso tradutor também, o Maxim, que me ajuda muito. É muito difícil falar russo, mas pelo menos já consigo me virar. Fome eu não passo.

A saída do treinador Gazzaev no final do ano pode significar novos rumos na equipe?
Acho que ele tomou a decisão dele. O Gazzaev estava há muitos anos no clube, já estava um pouco cansado. Como no ano passado infelizmente não fomos campeões, ele resolveu sair. É preciso respeitar essa decisão.

Alguns brasileiros deixaram o CSKA recentemente. Há algum problema com eles?
Não acho que vá mudar muita coisa. Com certeza o presidente vai trazer mais brasileiros e o CSKA vai continuar como um clube bom para nós jogarmos aqui.

Você perdeu um pouco de espaço na seleção brasileira. O que aconteceu?
Sempre procurei fazer o meu melhor. Sei que não fiz o meu melhor papel na seleção ainda, mas na Copa América eu fui bem. Já nas eliminatórias não fui tão bem assim, decepcionei um pouco. Acho que o mais importante é saber aproveitar o momento, para quando eu voltar à seleção não sair mais.

O que pensa sobre o Dunga treinador?
Bom, muito bom treinador. Ele pegou a seleção logo de cara, isso é muito complicado, mas ele soube administrar essa situação. Com certeza vai classificar o Brasil para a próxima Copa do Mundo.

Acha que tem chances com Luis Fabiano, Robinho e Adriano?
O ataque da seleção tem vários jogadores de qualidade, como o Luís Fabiano, que vem jogando regularmente, o Rafael Sóbis, que tem sido lembrado, além do Adriano, Fred… são muitos, mas meu objetivo de carreira é disputar uma Copa do Mundo. Trabalho para isso.

E toda história sobre suas transferências para Corinthians, Flamengo, Everton… isso não te incomoda, desconcentra?
O mais importante é você ter as pessoas certas na hora de resolver essas coisas. É preciso ter pessoas de confiança para cuidar da sua carreira, e esse é o meu caso. Não adianta ficar pensando nas transferências, em todos os problemas extra-campo. Tenho que me concentrar em treinar e jogar, é isso o que eu faço.

Conte um pouco sobre a fracassada negociação com o Corinthians. O que deu errado?
As pessoas falaram demais nessa história. Diziam que iam me levar, me contratar e na hora do vamos ver, nada. Nunca houve nada concreto por parte do Corinthians. Eu ia lá falar com o presidente e a pessoa nunca chegava junto, nunca cumpria com o que prometia pra mim. Fiquei até com medo de me queimar com o presidente do CSKA, com o treinador, a torcida, mas isso ainda bem que nunca aconteceu. Todos sempre me apoiaram muito.

Essa pessoa que você cita era o Kia Joorabchian?
Sim, era o Kia. Ele nunca fez uma proposta oficial. Só ficou nas promessas.

O Jô chegou e se adaptou muito bem e logo já foi negociado. Por que ele conseguiu isso tão rápido e você ainda não?
Quando eu cheguei no CSKA, o clube não ganhava títulos há muito tempo. Daí fomos campeões russos, da Copa da Rússia e da Copa Uefa. O presidente dificilmente vai me liberar para um time qualquer. Não que esse seja o caso do Manchester City, mas já chegaram diversas propostas para eu sair, só que o presidente nunca as achou vantajosas. Ele me disse que o Everton ainda não desistiu da minha contratação, e que talvez em janeiro eles façam uma proposta.

Voltando agora aos tempos de Palmeiras. Tem saudades do clube?
Hoje não tenho mais contato, porque mudou toda diretoria. Quando estou de férias às vezes passo no clube para rever alguns amigos que ainda tenho lá, mas de qualquer modo sou muito grato ao Palmeiras. Foi onde comecei, o clube que me lançou para o futebol.

E a conquista da Série B, te marcou muito?
Marcou bastante. Ninguém nunca imaginava que o Palmeiras seria rebaixado para a segunda divisão, e coincidiu com o momento que eu estava subindo dos juniores para os profissionais, junto com outros companheiros como o Diego Souza. Nossa campanha e a conquista do título da Série B vão ficar para sempre na história do clube.

Acha que poderia ter ficado mais tempo no Palestra Itália?
Eu queria ter ficado mais, só que o Mustafá, que era o presidente na época, não queria me dar aumento, me valorizar. Não guardo mágoas, mas acho que merecia ter sido mais valorizado. Eu tinha sido artilheiro da Série B, do Campeonato Paulista e vinha sendo do Brasileirão. A minha primeira opção era permanecer no Palmeiras, mas o Mustafá não pensava assim.

E sobre a famosa história do apelido Love. Foi exatamente tudo como saiu na imprensa ou ainda há algo que não sabemos dessa história?
Foi tudo aquilo mesmo. O treinador entrou no quarto e me pegou com a menina, mas não foi na hora H (risadas)! Era o Carlino o meu técnico. Daí ele me perguntou o que eu estava fazendo no quarto dela. Fiquei sem saber o que falar, simplesmente não sabia. Depois até que não falaram tanto no clube, me diziam para ficar tranqüilo Alguns conselheiros me ajudaram bastante, porque o Mustafá não queria que eu voltasse. Passei a treinar sozinho em São Paulo, achei que nunca mais ia jogar no Palmeiras. Só que o time principal só tinha o Edmílson, Leandrinho e eu para o ataque, em um jogo que não me lembro qual, os dois estavam suspensos. Daí me chamaram de volta.

Recentemente caiu na Internet aquele vídeo seu com a atriz pornô Pamela Butt. Ele caiu na rede de propósito, ou não?
Nem comento mais sobre isso, pra mim é uma página viradíssima na minha vida. Falaram muitas coisas sem saber.

Você gosta do apelido Love?
Gosto, mas no começo não gostava. Eu não queria ficar marcado por algo errado que eu tinha feito. Depois algumas pessoas falaram para eu adotar o apelido, que ia pegar. Mesmo assim eu não queria, porque sabia que estava relacionado a algo errado que eu fiz. Mas aí adotei o nome e deu certo. No final das contas, o errado acabou dando certo. Afinal, Vagner Love só existe um.

E como foi explicar para os russos a origem dele?
Até que não falaram muito, não questionaram tanto. No começo perguntaram, eu expliquei e pronto. Os russos são mais sérios.

Voltando ao futebol, você é chamado de centroavante, mas gosta de cair pelos lados do campo. Como você gosta de atuar?
Gosto de jogar com um atacante comigo. No Palmeiras sempre joguei assim, aqui no CSKA também. Com um companheiro no ataque, tenho mais liberdade para me movimentar, não preciso ficar apenas parado. Tenho mais chance de criar jogadas, assim como o outro atacante também pode criar pra mim, dar assistências. Não gosto de atuar como centroavante fixo, mas se precisar, jogo também.

O Dunga nas Olimpíadas utilizou o Alexandre Pato assim, fixo na área mesmo sem ele ter essas características.
Isso atrapalha muito os jogadores, porque nos cobram coisas que não podemos fazer, que não são nossas características.

Há pouco tempo o atacante André, ex-companheiro seu de Palmeiras, revelou que cheirava cocaína no vestiário antes dos jogos. Você conhece muitas histórias de drogas no futebol?
Não, não conheço. Só conheci o caso do Jardel, que confessou que usava drogas há pouco tempo, mas não me lembro de outros casos. Se a pessoa cheira e vai jogar, ela não está preocupada com o doping, se arrisca muito. Se você cheira, tem 99% de chances de acabar com sua carreira. Se o André cheirava, o problema é dele, não tem que ficar falando dos outros, não pode ficar jogando no ventilador. No Palmeiras ele mal jogava, nem conhecia ele direito. Se ele disse que outros também usavam drogas, ele que dê os nomes.

Na Rússia o preconceito com estrangeiros e homossexuais é muito grande. Você já teve problemas com preconceito racial?
Eu, particularmente, não tive problemas com isso. Os torcedores sempre me respeitaram muito, mesmo longe de Moscou onde é bem complicado. Mas existem casos sim, como o Zenit, de São Petersburgo. Lá não jogam negros, eles não aceitam. O Weliton, quando chegou ao Spartak Moscou, passou por algumas dificuldades. Ele pegou a camisa de um ex-ídolo da torcida, então pegaram no pé dele. Xingaram ele de macaco e no primeiro jogo colocaram uma faixa, em inglês, “volta para casa”. Depois ele começou a jogar bem e a torcida esqueceu tudo isso.

E a questão da homofobia? Moscou é famosa por sua intolerância com os gays.
Aí eu já não sei, porque não conheço nenhum jogador russo gay.

Quem foi seu melhor treinador até hoje?
Não tive tantos treinadores na minha carreira, porque estou aqui há quatro anos e sempre com o mesmo técnico. No Palmeiras fiquei só um ano e meio também. Mas gosto muito do Jair Picerni, que me lançou no time profissional. Devo muito a ele.

E o zagueiro mais difícil que já enfrentou?
O Alex, quanto estava no Santos.

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