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“Agora será mais difícil”

O Jiangsu Sainty, do defensor brasileiro Rafael Costa, é candidato a sensação da temporada 2009 da Superliga Chinesa que está prestes a começar. O Sainty, da cidade de Nanjing, uma das quatro antigas capitais da China, devastou os adversários na Série B do ano passado e a ascensão promete continuar. O xerifão brasuca de 30 anos nos conta tudo sobre as pretensões do emergente clube.

Como você avalia os adversários que o Jiangsu Sainty terá na elite do futebol chinês em 2009?
Agora vai ser mais difícil porque a qualidade dos jogadores chineses aumenta, tem muitos da seleção e com mais experiência. Quanto aos estrangeiros, eu os acho do mesmo nível dos estrangeiros que jogam a segunda divisão.

Como é trabalhar com o técnico Pei Encai?
Gostei muito de trabalhar com ele, me identifiquei com toda a comissão técnica. Ele é um treinador muito sério e ao mesmo tempo brincalhão, sabe bem o momento da brincadeira e da seriedade, gosta muito de jogador estrangeiro e principalmente brasileiro. Ele faz o time jogar em função de nós estrangeiros e isso é muito importante para nós.

Esse meia que veste a camisa 10, Li Zhuangfei, ex-seleção sub-17, tem qualidade?
Tem muita, mas ainda precisa pegar experiência, ele corre muito com a bola e às vezes se atrapalha.

O Jiangsu Sainty conseguiu o acesso com sete rodadas de antecipação.
Está bem claro que o nível da equipe era bastante superior aos outros clubes da Serie B do ano passado.

A maioria dos jogadores chineses eram do mesmo nível, eu acho que a diferença foram os jogadores estrangeiros. Todos os quatros foram bem e procuravam ajudar um ao outro tanto dentro quanto fora do campo e isso lá é muito importante para se obter um bom rendimento.

Vocês tiveram uma recepção de gala no aeroporto, não é?
Realmente foi uma recepção de gala, tinham mais de 300 torcedores do lado de fora do aeroporto, nunca recebi tantos beijos e flores na minha vida.

Você sente falta de jogar num estádio com uma torcida mais vibrante ou o estilo comportado dos torcedores chineses te agrada?
Claro que sinto a falta do calor do torcedor brasileiro, só que com o tempo você vai se acostumando com o estilo deles.

O técnico Muricy, atual São Paulo, já trabalhou na China e disse que falta uma dieta com mais carboidrato, que é o 'combustível' do jogador, e que os chineses não apreciam. É difícil mudar essa mentalidade?
Com certeza, eles tomam café da manhã como se estivessem almoçando, comem muito e sem qualidade, não tem um controle correto com a alimentação. No dia do jogo você pode comer o que quiser. Vai demorar alguns anos ainda pra conseguir mudar essa mentalidade deles.

O futebol chinês é antigo e tem considerável estrutura, mas nunca
‘engrena’. O que você sente que falta por aí?

Fiquei muito surpreso com a qualidade técnica deles, acho que o que falta são profissionais qualificados tanto na base quanto nas equipes profissionais para eles poderem evoluir.

A cidade de Nanjing tem belezas impressionantes. O que você e os brasileiros da equipe curtem fazer?
Quem curtiu mais a cidade foram nossas famílias, treinávamos quase todos os dias pela manhã e a tarde e viajávamos muito para jogar. No meio do ano, quando nos deram 15 dias de folga, nós fomos a Shanghai. Nós íamos muito a um lago lindíssimo que era localizado no centro da cidade, fomos ao templo de Confúcio que também era lindo. Tinha um lugar nas montanhas que era muito bom para as crianças, sem falar dos restaurantes estrangeiros que éramos sócios de carteirinha (risos).

A comida é estranha? O que você provou e aprovou na culinária?
Estranha é a comida brasileira, a comida deles não existe, os temperos são muito fortes ou muito doces. Para nós estrangeiros é um pouco complicado, o que você come nesses restaurantes chineses daqui do Brasil não tem nada a ver com a comida de lá. Eu comi pombo e pato e achei razoável, eles tem sopas muito boas.

Conte-nos algum caso inusitado que você viu.
As crianças de até três anos andam com a calça aberta na parte da frente até atrás para poderem fazer cocô e xixi na hora que elas quiserem. Minha mulher estava distraída e pisou em um cocô que uma criança tinha acabado de fazer. No meu condomínio era normal as crianças estarem brincando no parquinho e pararem pra fazer cocô e xixi ali mesmo, normalmente tinha um funcionário do prédio para limpar.

 

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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