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A Seleção entendeu as falhas e elevou seu nível coletivo, mas precisa manter os pés no chão

Foram dias de críticas pesadas. Que, no fim das contas, parecem ter surtido o seu efeito. O vexame possível não se tornou real e a seleção brasileira teve uma atuação imponente para avançar às quartas de final do torneio masculino de futebol nos Jogos Olímpicos. Muito do que deu errado nos dois primeiros empates, contra África do Sul e Iraque, finalmente funcionou diante da Dinamarca. E, em uma noite inspirada do setor ofensivo, o time de Rogério Micale demoliu os adversários na Fonte Nova. Goleada por 4 a 0, que eleva a motivação, mas não pode elevar o salto alto para a sequência da competição.

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A urgência da situação fez Micale mudar. Walace entrou na vaga do suspenso Thiago Maia. Já a alteração mais significativa veio com Luan, suplantando Felipe Anderson. Fez efeito. O que se viu foi um Brasil muito mais solto em campo, trabalhando as jogadas coletivas e conseguindo construir oportunidades claras com frequência. A movimentação dos homens de frente se encadeava com as tabelas. Pelas laterais, com Zeca e principalmente com Douglas Santos, havia uma válvula de escape para saída de bola. Já o meio de campo desta vez estava ocupado, com Renato Augusto despertando nas Olimpíadas.

Obviamente, é preciso pesar as circunstâncias de Salvador. A Dinamarca não entrou tão sólida na defesa quanto os adversários anteriores e, praticamente classificada, não se empenhou tanto. O Brasil dominou e não teve problemas para encontrar os espaços na área oposto. O gol até demorou a vir, diante da quantidade de chances que os anfitriões criavam. Rodrigo Caio e Gabriel Jesus desperdiçaram boas oportunidades.

Aos 26 minutos, saiu o primeiro gol. Douglas Santos puxou a jogada que Gabigol, com o goleiro caído, mandou para as redes. E, antes do intervalo, foi a vez de Gabriel Jesus se redimir. O palmeirense, depois de errar tanto desde a estreia, marcou o segundo gol após ótima troca de passes entre Gabigol e Luan. O gremista, aliás, buscava a bola no meio e providenciava uma ligação que vinha faltando antes.

Já no segundo tempo, a Seleção diminuiu o ritmo, mas não encontrou tanta resistência para ampliar o placar. Neymar distribuía os presentes de maneira magistral, e deu lindas bolas para o terceiro e o quarto gol. No primeiro destes, a bola levantada pelo camisa 10 encontrou Douglas Santos livre, servindo Luan. Depois, o capitão passou para Gabriel Jesus, e na sobra Gabigol fechou a conta. Apoiados pela torcida, os brasileiros demonstravam um nível de entrega enorme, mesmo com o jogo ganho.

Atitude não foi exatamente o problema nos dois primeiros jogos do Brasil. Entretanto, essa postura se uniu com a inteligência para superar a pressão contra a Dinamarca. Os individualismos ficaram de lado em prol do trabalho coletivo, enquanto a intensidade visivelmente cresceu. O placar elástico serve de motivação. Mas, mais importante do que isso, é reparar em erros e acertos para o que se segue.

A Colômbia tropeçou por duas vezes nestes Jogos Olímpicos, mas possui uma equipe respeitável, especialmente no ataque. Darão trabalho aos brasileiros, desde a montagem do time por Micale. Por mais que a postura ofensiva tenha garantido a classificação, o perigo maior que os colombianos oferecem exige mais cautela. Além disso, fica a questão sobre a mentalidade da Seleção. Manter os pés no chão e se esforçar para jogar de maneira eficiente, não para arranjar desculpas, será fundamental.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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