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A seleção brasileira precisa mudar ou mudar para o jogo decisivo contra a Dinamarca

Depois de dois empates por 0 a 0, a seleção brasileira viu o projeto de ouro olímpico se tornar uma montanha gigantesca à sua frente. Os dois adversários em tese mais fracos do grupo, África do Sul e Iraque, arrancaram empates sem gols. Diante da Dinamarca, em Salvador, nesta quarta-feira, o time terá que mostrar muito mais.

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O técnico brasileiro tinha mostrado bons sinais desde o Mundial sub-20, quando assumiu o lugar de Gallo e levou a seleção da categoria ao vice-campeonato na Nova Zelândia, perdendo para a Sérvia na final. Os amistosos da seleção olímpica também tiveram bons e esperançosos momentos no caminho. Só que parece que os sinais ficaram no amistoso com o Japão, em Goiânia, no sábado anterior à estreia.

Para o jogo decisivo contra a Dinamarca, será necessário mudanças para ter mais chance de vitória. Não há garantias de vencer, mas há como melhorar as chances e tentar corrigir os problemas que foram apresentados até aqui.

Jogar mais coletivamente

Parece óbvio, mas o time não conseguiu dar nenhum indício que é exatamente isso: um time. Poucas tabelas, poucas jogadas trabalhadas, pouca movimentação inteligente em campo. A qualidade individual conta, é claro, mas é preciso ir além, estar treinado para enfrentar times que se posicionem bem, como fizeram tanto África do Sul quanto Iraque. O time não pareceu ter opções. E, diante da falta de opções táticas, passou a individualismo exacerbado.

Trabalhar as jogadas com paciência é uma virtude que esse time tem que desenvolver. Não há treinamentos suficientes para isso, então será preciso mudar na conversa. A essa altura, é preciso que a comissão técnica tenha identificado esse problema e passe a trabalhar nele. O time não pode ser refém de posições no campo, é preciso criar alternativas.

Isso é parte do que o técnico Rogério Micale sempre falou. O que vimos até aqui foram jogadores tentando jogadas individuais, usando sua grande habilidade para tentar quebrar a defesa. É uma arma importante, mas se for usada sem inteligência, acaba sendo neutralizada por um time que se defenda bem, dê poucos espaços e tenha estuda muito o Brasil. Pareceu ser o caso.

Micale falou do tal caos organizado como filosofia de jogo. Tem tudo a ver com isso, com um jogo coletivo que sabe trabalhar alternativas. Só que por enquanto, é só caos. Nada organizado.

Postura dos jogadores

Dizer que faltou raça ao Brasil não é verdade. Os jogadores lutaram muito em campo, nos dois jogos. O que faltou mesmo foi inteligência. Neymar, por exemplo, já deu sinais de nervosismo desde o início do jogo. Capitão, acima da idade dos 23 anos e que deveria ser um líder. Não foi. Weverton, um excelente goleiro, também se mostrou nervoso logo no início do jogo em uma saída errada. Renato Augusto… Bem, esse merece um capítulo à parte.

O que faltou ao Brasil foi inteligência e isso passa pela postura. É claro que tanto África do Sul quanto Iraque iam jogar para cozinhar a partida. O Brasil era amplamente favorito nos dois duelos. O time deveria estar preparado para isso. Deveria saber usar isso a seu favor, e não se deixar influenciar negativamente. O nervosismo, ampliado pela catimba dos jogadores dos adversários, tornou o time mais propenso a erros.

Quando se é favorito como o Brasil é, uma das armas que você tem para intimidar o adversário é justamente mostrar a sua superioridade, fazer uma jogada trabalhada, colocar o time na roda. Um chute a gol perigoso, uma jogada que levante a torcida e faça o adversário temer o gol iminente. O Brasil não fez isso. Teve alguns bons lances, mas os jogadores pareceram mais nervosos em errar do que motivados em seguir martelando, aumentar a pressão.

Sem ter uma postura de um time que é forte, favorito e precisará lidar sempre com adversários que irão catimbar, enrolar, provocar e fazer disso uma arma a favor, o Brasil só vai chorar com a arbitragem o tempo de acréscimo por jogadores fazendo cera ou algo do tipo. Até que comece a lamentar a eliminação também.

Tirar Renato Augusto

Sim, ele é um dos que foram chamados acima da idade para dar equilíbrio e controle do jogo no meio-campo, mas passados dois jogos, está claro: não funcionou. Mais do que não funcionar, o camisa 5 tem sido um dos piores em campo nestes dois jogos. Lento, não consegue ditar o ritmo, armar as jogadas, nem mesmo qualificar a saída de bola.

Thiago Maia se firmou como o melhor do time. Mesmo suspenso, deve ter Walace, do Grêmio, como substituto. É a melhor escolha. Ao seu lado, o técnico Rogério Micale poderia tentar outro jogador. Eis um ponto que pode ser interessante para o time. Rodrigo Dourado, volante do Inter, é um candidato.

Sim, é mais defensivo, mas se combinada a entrada dele com Rafinha, o jogador do Barcelona pode completar o trio de meia cancha. Seriam Rodrigo Dourado, Walace e Rafinha. Todos eles têm boas qualidades técnicas, podem ajudar o time e dariam mais consistência ao setor que tem sido mais problemático no torneio até aqui.

Sem Felipe Anderson

O meia da Lazio era uma esperança de dar ao Brasil a criatividade que ele mostrou na Itália nos dois últimos anos – especialmente no ano anterior, 2014/15. Só que o jogador, ex-Santos, não tem conseguido nem construir jogadas, nem trabalhar bem a bola. Foi substituído nos dois primeiros jogos do time e não fez nenhuma falta. Sua saída pode ajudar o time.

Quem entra em seu lugar? Rafinha é o melhor candidato. O meio-campista do Barcelona pode atuar por ali, no centro do campo, e ajudar a fazer o que Felipe Anderson não conseguiu: dar qualidade à construção das jogadas. Sem contar que Rafinha pode até ser atacante, como já chegou a atuar pelo Barcelona. É um jogador mais completo.

A alternativa a isso é colocar Luan em campo. O jogador do Grêmio tem entrado melhor do que os jogadores que substitui e pode ser colocado em campo, mas o problema é que a sua entrada, junto com Neymar, Gabigol e Gabriel Jesus, tornou o time desequilibrado.

O meio-campo ficou pouco produtivo e o time passou a depender de tentar fazer a bola chegar rápido ao ataque, onde se concentra a maior qualidade do time. E isso não funcionou, porque o time tem menos espaço no último terço do campo. Por isso, talvez seja o caso de pensar em um outro meio-campistas para tornar o setor, finalmente, mais consistente.

Rogério Micale: pare com substituições ruins

Um dos pontos é que Rogério Micale fez alterações muito ruins durante os jogos. E são sempre as mesas. Sai Felipe Anderson, entra Luan. Sai Douglas Santos, entra Willian e Zeca sai da lateral direita para a esquerda.

O time parece não ter nenhuma opção, a ponto de Renato Augusto ter terminado o jogo contra o Iraque de centroavante. Se é pra isso, era melhor ter deixado outro, certo? Gabriel Jesus, tirado neste último jogo, não fez uma boa apresentação em nenhum. Mesmo assim, ainda é mais perigoso que Renato Augusto como centroavante, tentando aproveitar uma bola aérea que o time não dá a impressão de ter se preparado como opção.

Contra a Dinamarca, não haverá segunda chance. É vencer ou ser eliminado vergonhosamente em casa. Protagonizar mais um vexame, depois do 7 a 1. É preciso mudar.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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