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'A Liga é um objetivo mais realista’

Para o Sevilla, o que representa finalmente chegar na Liga dos Campeões depois de um crescimento gradual em várias temporadas?
Trata-se do campeonato de maior nível da Europa e é muito importante para o clube disputá-lo. É muito bom financeiramente, o time participa de grandes jogos contra grandes times. Para os jogadores também é interessante, porque é uma boa oportunidade de mostrar o trabalho para o mundo.

Essa não é a sua primeira LC. Você já disputou pelo Porto. Como foi a experiência e o que ela tem de diferente com outros campeonatos importantes?
Com o Porto não foi na hora certa. O time tinha acabado de se desmanchar depois de conquistar a Liga dos Campeões, trocou de técnico e estava em fase conturbada. No Sevilla deste ano o clima é bem melhor. O time está bem montado, forte e tem previsão de fazer uma boa Liga dos Campeões.

O que seria uma boa Liga dos Campeões para o Sevilla?
Passando pela fase de grupos e uma ou duas eliminatórias já dá para dizer que fizemos uma boa LC. Ficar nas quartas ou nas semifinais já não está mal.

Sendo bicampeão da Copa Uefa, lutando pelo título espanhol até a última rodada, o Sevilla não poderia sonhar mais alto?
A gente prefere começar com os pés no chão e pegar confiança durante a competição. A LC é um torneio de times grandes e de muita qualidade e declarar logo de cara que o time vai chegar tão longe é mentira.

Até que ponto a conquista da Copa Uefa serviu como preparação?
Um título é bom para pegar confiança, pegar moral, impor respeito aos adversários e entrar sem peso nas costas, nos livrando de eventual cobrança da torcida pela obrigação de buscar um título. Quanto aos adversários, não dá para comparar. A Copa Uefa é totalmente diferente. O nível técnico é mais baixo, os jogos são sempre na Rússia ou em outros lugares estranhos.

Se for assim, vocês já podem ter uma boa noção dessa primeira fase de Liga dos campeões. Afinal, caíram no mesmo grupo de Steaua e Slavia.
[risos] É verdade. Bem, acredito que, na época desses jogos, vai estar um frio danado. Já é um obstáculo. Depois, a pressão da torcida, um adversário que joga duro, a viagem longa, esse tipo de coisa. É um pouco pesado. Mas, em termos do grupo, é um grupo relativamente fácil e dá para classificar.

O que vocês sabem de Arsenal, Steaua e Slavia?
Conhecemos melhor o Arsenal porque o Campeonato Inglês passa aqui na Espanha. Dos outros dois vão passar um vídeo alguns dias antes do jogo.

A falta de experiência no confronto contra grandes clubes de Itália ou Inglaterra podem atrapalhar?
Já tivemos um pouco disso. Por exemplo, pegamos o Tottenham na Copa Uefa e o vencemos nas duas partidas. Então, não estamos muito preocupados em fazer preparação especial ou algo diferente do que já estamos fazendo. Vamos continuar nosso trabalho, que já vem dando certo, e esquecer que vamos enfrentar grandes times. É jogar e ver no que vai dar.

O nome do Juande Ramos ganha força no mercado europeu por esse trabalho com o Sevilla. Qual o papel dele nesse time?
Ele está sabendo encaixar as peças certinho dentro da equipe. Além disso, ele está fazendo um sistema de rodízio de jogadores que vem dando certo. Ele tira um jogador, entra outro e o rendimento é o mesmo. Isso faz a diferença.

É por isso que a produtividade ofensiva se mantém mesmo com tantos jogadores brigando por poucas vagas no ataque?
Exatamente. Esse é um sistema que o técnico prepara desde o treino. Ele mistura todo mundo com todo mundo, sem separação de titulares e reservas. Ajuda muito, porque, independentemente de quem joga, o time sempre mantém o padrão.

Os atacantes se beneficiam muito do lado direito do time, com o Jesús Navas e o Daniel Alves. Eles vão para a linha de fundo, tabelam, lançam, levam a bola até a área. Até que ponto foi importante para o Sevilla a permanência do Daniel no clube?
O Daniel Alves vive um momento especial dentro da carreira. Ele tem um entrosamento muito grande com o Navas e dá muita assistência para os atacantes. Por um lado eu fico muito feliz por ele continuar com a gente e, por outro, fico triste pelo que ele passou, de esperar uma transferência e não conseguir. [NR.: o Chelsea ofereceu € 35 milhões para levar Daniel Alves, mas o Sevilla achou muito pouco e, contra a vontade declarada do jogador, não o negociou]

Ele ficou abatido com essa situação?
Há duas três semanas ele estava triste, desanimado. Achava que as coisas com o Chelsea iam dar certo. Mas agora está mais na boa, mais tranqüilo. Sabe que não tem como voltar e que ele tem de continuar fazendo o que ele estava fazendo.

Até que ponto a morte do Puerta abate o Sevilla? No primeiro jogo, contra o Milan, o time ainda estava mais abatido, mas já jogou mais solto contra AEK e Recreativo.
A gente vem superando pouco a pouco esse acontecimento. Ele estava com a gente todo dia e quando chegamos para treinar, bate aquela recordação. Lembramos toda aquela semana triste que passamos. Mas estamos superando. Ele estará sempre ao nosso lado. Temos de continuar a jogar nosso futebol porque é ganhando as partidas que o faremos feliz onde ele estiver.

A rivalidade com o Betis vinha muito forte e até violenta nos últimos anos. O apoio que eles mostraram ajudou?
Dentro de tudo de ruim que aconteceu, esta talvez tenha sido a única coisa boa. Pudemos ver os dois clubes se unindo e as diretorias se dando bem.

Qual é a expectativa do Sevilla para o Campeonato Espanhol?
Brigar pelo título. Já somos campeões da Copa do Rei e da Copa Uefa, mas sabemos que a Liga dos Campeões é muito difícil. Então, o Campeonato Espanhol é um objetivo mais realista.

É por isso que o clube preferiu contatar jogadores para tornar o elenco mais completo do que trazer um craque?
Acho que sim. As contratações desse mercado foram em peças de reposição. Em determinados momentos da temporada passada, tivemos de improvisar jogadores para disputar jogos importantes porque tinha um machucado, outro suspenso.

Você se refere ao jogo contra o Mallorca, que poderia dar o título espanhol para o Sevilla, mas o time tinha apenas dois atacantes– você e o Chevantón – à disposição, já que o Kerzhakov e o Kanouté estavam contundidos?
É o principal exemplo, mas isso aconteceu várias vezes na temporada passada. Agora reforçamos tanto o elenco que o Chevantón teve de ficar de fora das inscrições porque passamos a cota de estrangeiros.

Você considera que está na melhor fase na Europa, seu time tem ganhado projeção e se fala no Brasil em crise de atacantes. Você acredita que disputar a LC pode colocá-lo na briga por uma vaga na seleção?
Acredito que não. A seleção não é pelo campeonato, mas pela fase que vive o jogador. Se um jogador viver uma boa fase na Europa, pode ter sua chance, independentemente do campeonato ou do clube em que esteja.

Então você se considera na disputa por um lugar na seleção?
Acho que não, porque fiz várias boas partidas na temporada passada e nunca tive oportunidade. Vamos ver o que acontece daqui para a frente. Vou tentar fazer uma grande temporada e torcer para conseguir uma oportunidade. Mas acho que está muito difícil.

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Equipe Trivela

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