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A hora do próximo passo

Há algumas semanas, a mídia cobriu de forma ampla a eleição do Clube dos Treze, entidade criada pelos maiores clubes brasileiros em 1987 para organizar o futebol e dinamizar potenciais de receita para seus associados. Foi dada muita ênfase na disputa política entre o nome apoiado pela Confederação Brasileira de Futebol (Kleber Leite) e o nome que comanda a associação há anos (Fábio Koff), mas o que importa para o futebol brasileiro, que seria as propostas dos candidatos, pouco foram dissecadas.

Daremos maior destaque à primordial, e hoje principal fonte de receita coletiva dos clubes brasileiros, que são relativas aos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro. Hoje, essa receita é dividida com os clubes divididos em blocos, onde os de maior popularidade recebem uma fatia maior, e os demais recebem fatias menores. Os maiores clubes brasileiros defendem que, com uma negociação individualizada por cada clube, receberiam mais pelas transmissões, porém não é o que a experiência européia aponta.

Recentemente a revista Forbes, ao publicar a lista dos vinte clubes de futebol mais valiosos do mundo, destacou que os clubes italianos têm grandes e prováveis chances de aumentar suas receitas ao adotar a coletivização da negociação dos direitos televisivos, aumentando tanto a renda interna quanto a renda da venda dos direitos de transmissão ao exterior. A diferença do pensamento atual dos italianos com a dos grandes clubes brasileiros é simples: conhecimento de mercado.

O cálculo é simples: nenhuma emissora de TV paga um centavo aos clubes, quem paga é o mercado publicitário, os grandes patrocinadores do futebol, e essas grandes empresas não darão um centavo a mais do que o real valor mercadológico atual do Campeonato Brasileiro de futebol.

Ou seja, conhecendo o mercado, verifica-se que a solução não é buscar individualmente seus direitos para ganhar em cima dos outros clubes, e sim fortalecer o produto final que interessa a esses grandes patrocinadores, que ‘um campeonato forte e que desperte o interesse do maior número de pessoas possíveis, no mercado interno e externo (pouco explorado pelo futebol brasileiro).

Para fortalecer esse produto, o Clube dos Treze deveria estudar melhor os princípios que norteiam o modelo americano de Ligas, que são o profissionalismo e o lucro, com isso visando um maior controle do chamado equilíbrio competitivo. Por exemplo, adotando uma distribuição de receitas mais solidária envolvendo os clubes menores, muito útil para o desenvolvimento do futebol brasileiro como um todo, fortaleceriam estes clubes, colaborando diretamente com seu crescimento, já que são o combustível que movimenta a indústria do futebol, formando atletas e elevando o nível técnico das competições.

Com distribuição solidária de receitas, reforça-se a competitividade nas competições, impede a geração de grandes acumulações de renda pelos clubes grandes, e permite uma melhora de condições para mais clubes formarem novos talentos, e assim se auto-sustentarem com o mercado de exportação que hoje o futebol brasileiro se apresenta ao mundo. Com o tempo, com ligas fortes, consequentemente formada por clubes fortes e bem estruturados, quem sabe não teremos melhores condições de manter nossos melhores jogadores por mais tempo, ou pelo menos vendê-los por um melhor preço?

O resultado das eleições do Clube dos Treze foi importante politicamente, por demonstrar que os clubes desejam independência da confederação para se organizarem melhor. Cabe agora ao presidente eleito fazer esse desejo virar realidade, formando uma liga sustentável para que se inicie um verdadeiro progresso no futebol brasileiro.

Carlos Eduardo R. de Moura é advogado, especializado em Direito Desportivo e dissídios na Fifa e Tribunal Arbitral do Esporte (TAS).

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Equipe Trivela

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