Sem categoria

A Europa que vai brilhar

No verão europeu desta temporada, o futebol profissional entrou de férias, como sempre, mas o torcedor não ficou na mão tendo de ver replays dos jogos da temporada. Pelo menos não o europeu. Os três torneios continentais das categorias inferiores – Sub-21, Sub-19 e Sub-17 – rolaram e deram indicações sobre como cada país está se arrumando para as gerações seguintes.

O modelo adotado pela confederação européia para as suas competições de jogadores jovens, que organiza competições sub-21, 19 e 17, é diferente do sub-17 e sub-19 padronizado pela Fifa –os Jogos Olímpicos aceitam atletas com idade limite de 23 anos. Porém, na prática, essa diferença quase não existe, já que o calendário da Uefa adota algumas medidas para seguir o calendário de exigências da Fifa.

Dessa forma, o Campeonato Europeu sub-21 dura dois anos, entre fases preliminares e etapa final, e aceita jogadores que completem 21 no ano do seu início. Assim, a competição que ocorre atualmente permite a participação de atletas que tenham nascido no máximo em 1986. Esses jogadores terão 23 anos em 2009, quando a fase final será jogada na Suécia.

Como tem uma periodicidade bianual, o Europeu sub-21 serve a cada dois anos como torneio pré-olímpico. No entanto, devido às diferenças no regulamento e no calendário das competições, as seleções européias que se classificam para uma Olimpíada precisam descartar os seus atletas mais velhos, pois eles já terão 24 anos e, portanto, já não poderão mais participar de um torneio sub-23.

Realizado todos os anos, o Europeu sub-19 serve como classificação para o Mundial sub-20. Para evitar problemas como os que ocorrem nos Jogos Olímpicos, a Uefa adota a competição de um ano antes como seletiva para o torneio da Fifa. Assim, os times que participaram do Mundial do Canadá, neste ano, foram os que se destacaram no Europeu de 2006. Aqueles times eram sub-19 na oportunidade, mas hoje já são sub-20.

A competição mais simples e óbvia é a sub-17, única categoria de base em que Uefa e Fifa entram em consenso. Ainda assim, esse é um acordo recente, já que até 2001, a Europa adotava o sub-16. O modelo de classificação de uma seleção do continente para o Mundial dessa idade também é o menos trabalhoso, já que a fase final do torneio continental, que serve como eliminatória, é disputada apenas meses antes da competição internacional, favorecendo também o entrosamento das equipes.

Abaixo, segue um breve relato da última edição das fases finais dos três grandes torneios de base da Europa e uma lista de dez jovens destaques do continente, que já começam a despertar a cobiça dos clubes e a paixão dos torcedores.

Sub-21

Em um torneio que costuma contar com alguns jogadores que já vestiram a camisa da seleção principal, ganhou uma das equipes que mais se utilizam desse artifício e que, por isso mesmo, chegam ao Europeu sub-21 com um time mais experiente do que os seus adversários. Pelo segundo ano consecutivo, a Holanda, de Hedwiges Maduro e Ryan Babel, que foram à Copa de 2006, sagrou-se campeã.

Apesar do bicampeonato, os holandeses, que foram os anfitriões da fase final, estão longe da Itália, que tem cinco títulos e é a maior força da história do torneio. A tendência de turbinar o time com atletas que já atuaram pela seleção principal foi igualmente adotada pela Bélgica. O resultado também foi glorioso: chegou às semifinais e assegurou vaga nos Jogos Olímpicos de Pequim-2008.

Se a tática funcionou com belgas e holandeses, o mesmo não de pode dizer de Portugal. Com Manuel da Costa, João Moutinho, Nani e Hugo Almeida, todos da equipe de Scolari, o time lusitano chegou ao torneio com status de favorito, mas nem chegou às semifinais. Para completar o fiasco, perdeu a vaga na Olimpíada para a Itália.

O técnico José Couceiro, apontado como o responsável pelo insucesso foi demitido. Mas além disso, contribuiu para a fraca campanha portuguesa um certo desprezo dos seus principais astros pela competição, o que deixa escancarado o outro lado de se ter muitos atletas que já estão na seleção principal.

Sub-19

Disputado na Áustria, o Europeu sub-19 serviu para consolidar a Espanha como seleção de melhor categoria de base da Europa. Com um time B, já que os seus principais jogadores –Sunny, Diego Capel, Juan Mata, Alberto Bueno e Adrián López estavam no Mundial sub-20–, o time dirigido pelo Juan Santisteban –reserva de Gines Meléndez– ganhou o torneio pela quarta nos últimos seis anos.

No entanto, ter a melhor categoria de base não significa produzir os melhores jogadores, e isso a Espanha sabe bem. Exageradamente técnicos, os atletas que se destacam nas seleções inferiores raramente têm condições físicas avantajadas, o que explica a queda de rendimento quando vão para o time adulto.

Esse velho problema espanhol não acontece no rival dos latinos na decisão. Três anos após surpreender o continente ao vencer a Eurocopa, os gregos novamente surpreenderam. Com um futebol baseado na força física e na solidez de sua defesa, que só foi vazada em dos jogos, os helênicos conseguiram o vice-campeonato.

Quem também pode comemorar sua campanha na Áustria é a Alemanha, que caiu nas semifinais. Mesmo sem ficar com o título, resultado que seria mais digno de sua tradição, o país deu mais uma mostra do seu renascimento nos gramados, renascimento que deve devolver à nação nos próximos anos o posto de maior força do futebol europeu.

Sub-17

Torneio europeu mais propício a zebras, o continental sub-17, que viu recentemente títulos de Suíça, Turquia e Rússia, dessa vez viveu uma situação bem diferente. No lugar das surpresas, as potências brilharam.

A final da competição colocou frente a frente a Inglaterra e a Espanha, que ficou com o título. Nas semifinais, outro gigante foi eliminado: a França. Completam a lista de times classificados para o Mundial sub-17 a anfitriã Bélgica e mais uma das principais forças européias, a Alemanha.

O domínio absoluto dos grandes nessa edição da sub-17 dá a entender que esses países estão preocupados com o crescimento dos seus rivais e, por isso mesmo, aumentaram o investimento nas categorias de base.

Além disso, fortaleceram o trabalho de naturalização e aproveitamento de jovens promessas estrangeiras que atuam no país. É o caso do nigeriano Victor Moses, um dos destaques da seleção inglesa, e do badalado espanhol Bojan Krkic, filho de pai sérvio, mas que nasceu na Catalunha.

Para ficar de olho

Aarón Ñíguez (Espanha, 1989): Um ano mais novo do que Capel, Bueno, Adrián López e Mata, deveria ser um reserva de luxo no Europeu sub-19. Mas ganhou uma chance entre os titulares e não decepcionou. O atacante do Valencia, que debutou na equipe principal na última temporada, foi peça chave no título espanhol e, de quebra, foi o craque da competição.

Bojan Krkic (Espanha, 1990): Mesmo sem ainda ter estreado na equipe principal do Barcelona em jogos oficiais, esse filho de pai sérvio já é mais conhecido do que muitos espanhóis da primeira divisão local. Atacante moderno, alia velocidade a um indiscutível faro de artilheiro. É considerada a principal promessa da cantera catalã, maior até do que o badalado Giovanni dos Santos. Deve ser lançado por Frank Rijkaard na temporada que se inicia.

Fran Mérida (Espanha, 1990): Sua história é muito semelhante à de Cesc Fabregas. Assim como seu compatriota, foi “raptado” pelo técnico do Arsenal, Arsene Wenger, ainda adolescente, quando deixou as categorias de base do Barcelona rumo à Inglaterra. Tal como Fabregas, Mérida é um meio-campista talentoso, dotado de uma técnica acima da média e de muita inteligência para armar o seu time e distribuir assistências para seus companheiros.

Henri Lansbury (Inglaterra, 1990): É o herdeiro direto da tradição inglesa de volantes que não se limitam a defender e que se transformam nos armadores do time. A escola, que tem Frank Lampard e Steven Gerrard como maiores modelos atuais, prima também pelos excelentes chutes de média e longa distância, outra característica que não falta a esse meio-campista do Arsenal. Devido ao faro de Arsene Wenger, sempre sedento por colocar sangue novo no time, não deve demorar para ganhar uma chance no time principal.

Kevin Mirallas (Bélgica, 1987): Se a Bélgica conseguiu assegurar uma vaga nos Jogos Olímpicos de Pequim-2008 deve agradecer boa parte dos seus méritos a esse rápido, habilidoso e, principalmente, incessante atacante do Lille. Jogador chato, daqueles que não desiste de nenhuma jogada, Mirallas peca exatamente pelo excesso de afobação, o que o deixa um pouco frágil no quesito finalização, habilidade básica de um homem de frente. No entanto, nada que não possa ser consertado pelo técnico Claude Puel, que deve utiliza-lo muito nessa temporada após a reformulação do elenco do Lille.

Kevin Monnet-Paquet (França, 1988): Artilheiro nato, esse atacante do Lens carrega a responsabilidade de ser o principal candidato a substituir Thierry Henry, após o jogador do Barcelona deixar a seleção francesa. Monnet-Paquet tem um estilo bastante semelhante ao de Henry. Além do gosto pelo gol –foi um dos artilheiros do Europeu sub-19–, tem uma técnica acima da média dos jogadores da posição e chuta bem de fora da área. No time principal do Lens, ainda tem uma história curta, o que deve mudar após suas atuações na Áustria.

Kostas Mitroglou (Grécia, 1988): De todas as promessas apontadas aqui, esse centroavante típico é a mais arriscada. Dono de um porte físico avantajado, Mitroglou foi a principal referência ofensiva da Grécia semifinalista do Europeu sub-19, competição em que fez três gols. Criado nas categorias de base da Alemanha, nunca conseguiu espaço no time A do Borussia Mönchengladbach e acertou nesta temporada sua transferência para o Olympiakos em busca de mais minutos para comprovar o status de goleador.

Maceo Rigters (Holanda, 1984): Em um país que não costuma ter medo de dar chance às suas jovens promessas, um atacante de 23 anos que ainda não defendeu a seleção principal não deve ser destaque. A carreira de Maceo Rigters, realmente, não tem nada de surpreendente até esse ano, quando brilhou e foi artilheiro do Europeu sub-21. O bom desempenho chamou a atenção do Blackburn, que pagou cerca 1,2 milhões de euros para tirá-lo do NAC Breda e levá-lo à Premier League.

Royston Drenthe (Holanda, 1987): Vez ou outra surge na Holanda um jogador negro, com cabelos longos, elétrico e que atua pela faixa esquerda do campo. A história que já aconteceu com Edgar Davids e Urbi Emanuelson tem agora Royston Drenthe, melhor jogador do último Europeu sub-21 como protagonista. Assim como os seus antecessores, o jovem jogador prima pela movimentação, que incendeia o seu time a pressionar o adversário. Tanta intensidade mexeu com o Real Madrid, que investiu 13 milhões de euros para ter o ex-jogador de Excelsior e Feyenoord.

Toni Kroos (Alemanha, 1990): Se novo milionário e estrelado elenco do Bayern de Munique sobrar espaço para um novato, a aposta deve ser nesse meio-campista talentoso, que conduziu a seleção alemã no sub-17. Homem da faixa central, Kroos era o cérebro da equipe. Talento que o Bayern enxergou em 2006, quando foi buscá-lo nas categorias de base do Hansa Rostock –anteriormente, ainda quando era garoto, havia passado pelo Greifswalder.

Mostrar mais

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo