A Copa Libertadores chegará à sua quarta edição consecutiva sem a participação de clubes do México. Os representantes da Liga MX fazem falta para elevar o nível técnico da competição continental, da mesma maneira como os próprios mexicanos manifestam seu interesse de retomar os laços com os sul-americanos. A reaproximação, todavia, deverá levar algum tempo. Há uma disputa de poderes entre Conmebol e Concacaf pela realização de um novo torneio entre seleções. Apenas quando o certame acontecer é que o retorno à Libertadores será facilitado, segundo o atual presidente da Federação Mexicana de Futebol.

“Em dezembro, tivemos um conselho da Concacaf e não se discutiu o retorno à Libertadores, mas estamos trabalhando para retomar as negociações. Queremos que a Concacaf busque uma maneira de se entender com a Conmebol e tenha, sim, uma Copa Continental [de seleções]. O dia em que isso acontecer, certamente será mais fácil o tema da Libertadores”, afirmou Yon de Luisa, presidente da federação mexicana.

Segundo o dirigente, o México trabalha para que os acordos aconteçam e que a nova Copa América unificada ocorra antes de 2026, como preparação às seleções do norte para o Mundial que organizarão. Os clubes entram neste pacote de conversas e tendem a ser uma parte extra no aperto de mãos entre as confederações.

“Com a Copa Continental, a Libertadores ficará mais próxima para nós. O presidente Montagliani [Victor Montagliani, atual mandatário da Concacaf] tem um braço direito que é o México, para impulsionar esta união continental, e não cessaremos até que consigamos. Estamos convencidos que, antes da Copa do Mundo de 2026, o México participará desta competição continental”, assegurou De Luisa.

De Luisa também comentou os rumores surgidos nesta semana, de que o México poderia ser uma sede emergencial à Copa de 2022, caso estoure uma guerra no Oriente Médio. O dirigente negou que existam planos neste sentido: “Estamos muito próximos do pessoal da Fifa e, como sabem, os trabalhos para 2026 já levam tempo. No próximo ano, certamente avançaremos com a escolha final das sedes. O que posso dizer é que, em todas as reuniões que tivemos, em nenhum momento se comentou nada sobre o Catar”.

A Concacaf se mostra bem mais propensa à união do futebol continental no momento. Aos clubes e às seleções mais ao norte, a fusão significa um aumento de prestígio e de competitividade, mantendo-se como maioria em uma confederação conjunta. A Conmebol se interessa pelo dinheiro e pelo mercado que ganharia, sobretudo o americano, mas a perda de poder é um entrave. Apesar da possibilidade de realizar uma nova edição conjunta da Copa América em 2020, a Conmebol rompeu as negociações depois que a federação americana enviou cartas aos seus pares sul-americanos, chamando o torneio de Copa Continental.

O assunto permanece na mesa e as cifras atraem a Conmebol, enquanto a Concacaf teria outros ganhos competitivos às vésperas da Copa do Mundo de 2026. Victor Montagliani, de qualquer maneira, já indicou que deseja uma parceria duradoura e que também abarque outros torneios de seleções, incluindo equipes femininas e de base. Um campeonato de clubes unificado seria um passo mais distante. Por isso mesmo, os mexicanos miram antes disso o retorno à Libertadores. Para tanto, as conversas precisam andar – e a Conmebol também teria que se mostrar disposta a ceder.