Copa do Mundo Feminina: Por que seria importante ter jogo do Brasil no Nordeste na primeira fase?
Tabela de jogos do Mundial 2027 foi divulgado na manhã desta quinta-feira
A tabela de jogos da Copa do Mundo Feminina foi divulgada na manhã desta quinta-feira (20) e apresentou os locais que receberão a seleção brasileira durante o torneio, realizado no Brasil em 2027.
Mas, apesar do clima da comemoração, animação e da contagem regressiva para esse momento histórico da modalidade, um ponto chamou atenção: a ausência de jogos do Brasil na fase de grupos nos estados do Nordeste.
Foi frustrante perceber que capitais como Recife, Fortaleza ou Salvador não foram contemplados com uma partida da seleção brasileira ainda na primeira fase.
Vale salientar que a responsável pela definição, organização e distribuição das partidas (sedes, calendário, etc) das Copas do Mundo feminina é da Fifa. Buscando entender os fatores, acredito que um dos motivos para terem priorizado o Sudeste, além de Brasília, foi a questão logística, para evitar um maior desgaste da equipe nacional, optando por cidades mais próximas.
As escolhas, de certa forma, esbarram no (bom) trabalho, diga-se, da CBF em tentar aproximar o público do Nordeste com o futebol feminino. Aliás, trabalho que tem rendido frutos. Por isso o Mundial tem tudo para ser uma grande oportunidade para mudar de vez o status da modalidade na região.
Em 2024, os amistosos da seleção brasileira contra Jamaica em Pernambuco e na Bahia, registraram mais de 30 mil torcedores em cada partida e, na época, chegou a estabelecer um novo recorde do Nordeste na modalidade.
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Em Fortaleza, diante do rival histórico Estados Unidos, o padrão foi ainda mais elevado com uma belíssima festa, que contou com mosaico para apoiar a seleção, além da presença de 55.744 torcedores, um recorde em amistosos da seleção brasileira realizados no País.
Foi, de fato, marcante e especial.
A capital cearense receberá o Brasil na Arena Castelão, caso a equipe avance para as oitavas de final em primeiro lugar do grupo. Se a seleção brasileira se classificar na segunda colocação, o caminho de Fortaleza só encontrará o da Canarinha nas quartas de final. O que nos leva a um outro ponto.
Por que os estados do Nordeste também precisam fazer a sua parte?
Nesse tópico, é preciso trazer um fator que a própria lateral-esquerda Tamires chamou a atenção: o engajamento das cidades-sede no Mundial, independente de receber jogos da seleção brasileira ou não. “Será que todas as cidades estão realmente trabalhando para que as pessoas de seus estados saibam que vai acontecer uma Copa no seu estado?”, disse ao “UOL”. E esse foi um recado dado por Fortaleza.
Como qualquer pessoa que acompanha minimamente o futebol, a Copa do Mundo feminina tem o poder de oferecer grandes jogos de seleções que não são vistas como favoritas. Inclusive porque a imprevisibilidade do torneio é o que faz ele ser tão mágico. Isso é único, especialmente quando é vivido no nosso país.
O Castelão receberá nove partidas do Mundial, Arena de Pernambuco receberá sete jogos e a Arena Fonte Nova, em Salvador, também será palco de 7 confrontos.
As favoritas Espanha, França, Estados Unidos, além de Japão e tantos outros países hoje colhem os frutos do investimento e vão oferecer, certamente, um grande espetáculo. A partir deles, vale uma grande reflexão sobre o que tem sido feito pelas federações locais para incentivar o futebol feminino em cada estado.
Por isso é importante não apenas incentivar e divulgar o evento, mas buscar soluções para que a competição seja aproveitada da melhor maneira possível. Isso envolve transporte, segurança e as melhores condições de uso do próprio estádio.
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A estrutura precisa e muito ser levada em consideração. Isso vale desde as condições do gramado até às arquibancadas, padrões que, inclusive, são cobrados pela Fifa para se receber uma partida de Copa do Mundo feminina.
Pensando nisso, é extremamente importante que os estados também colaborem com um dos grandes objetivos: desenvolver a modalidade no país para gerações futuras. Mas isso também vai passar pelos clubes e especialmente pela mídia.
Segundo um relatório do Observatório Social do Futebol, na Série A1 do Brasileirão feminino de 2025, considerando apenas as primeiras rodadas do torneio, as equipes com maiores médias de público foram Corinthians (6.812), Cruzeiro (761), Ferroviária (352), Palmeiras (295) e São Paulo (288).
Entre times do Nordeste, Bahia registrou a maior média de público como mandante (462), seguido do Sport (277). Já de forma geral, o Corinthians liderou (6812), seguido do Cruzeiro (761). O terceiro lugar ficou com o próprio Bahia. Há uma discrepância clara e é fundamental o incentivo para um maior engajamento do público local.