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Pouco desfrutado pelo Flu, Evanilson reforça uma janela movimentada ao ataque do Porto

O Porto possui uma lista consolidada de ídolos brasileiros, muitos deles atacantes. E o ex-tricolor Evanilson é mais um que pode engrossar tal relação, após sua transferência ser confirmada nesta quarta-feira. O talento de 20 anos nem teve muito tempo para fazer barulho com o Fluminense, mas caiu nas graças da torcida por suas boas atuações em 2020. Virou alvo do Crystal Palace e, no fim das contas, arrumou as malas para o Estádio do Dragão. Mais um a mal apresentar suas qualidades no Brasil, numa realidade apressada que tende a se aprofundar no atual cenário de crise e moeda desvalorizada.

O potencial de Evanilson ficou muito claro durante os últimos meses. O atacante chegou a passar algum tempo emprestado na Eslováquia, mas foi neste ano que seu futebol desabrochou em Laranjeiras. As boas atuações no Campeonato Carioca renderam cinco gols, com mais dois no Brasileirão e um na Copa Sul-Americana. O centroavante de potência física, inteligência e faro de gol se transformou em um dos melhores jogadores tricolores na temporada. E sem nem dar tempo suficiente à torcida realmente sentir saudades.

A saída repentina de Evanilson tem mais a ver com seu empresário, Eduardo Uram, do que propriamente com o Fluminense. Ainda no final de 2019, o atacante assinou um pré-contrato com o Tombense, clube pertencente ao seu agente. O Tricolor, então, fez um acordo para não perder o seu prata da casa de mão beijada e ter algum tipo de compensação financeira. Logicamente, o cenário não seria tão favorável ao clube, apesar da permanência de Evanilson além do fim do contrato em fevereiro – ao acertar um empréstimo. Os empresários falavam em “dignidade” e “gratidão pelo tempo de formação”. Mas o Flu não teria a palavra final diante de uma proposta europeia, como aconteceu.

A sequência no Fluminense abriu as portas para Evanilson ganhar destaque e apresentar suas virtudes ao longo dos últimos meses, após já ter chamado atenção na reta final do Brasileirão de 2019. O Tombense e os empresários envolvidos tiraram proveito da exposição, negociando uma transferência mais polpuda diante dos contatos europeus. A situação do Flu poderia ser pior, considerando os próprios riscos de perder Evanilson de graça, mas não que o jogador tenha rendido tudo o que poderia aos tricolores – em campo ou fora dele.

O clube ficou com 10% dos direitos econômicos e mais 20% de uma “taxa de vitrine”. Sem poder decisório, o Fluminense apenas foi avisado sobre as negociações com Crystal Palace e Porto. Ainda tentou garantir a permanência do jogador até o final do ano, o que não seria aceito. Conforme os números do jornal português A Bola, o Porto pagará €10 milhões pela contratação. O Flu permanece ainda com 6% de uma venda futura. E há uma parcela pela formação, já que Evanilson atuou em Laranjeiras a partir de 2013, após ser descoberto no Estação, time cearense voltado à base.

A concorrência de Evanilson tende a ser grande no Dragão. Moussa Marega, Tiquinho Soares e Zé Luís foram as principais opções do Porto no ataque durante os últimos meses, embora os dois últimos nomes devam ser negociados pelo clube – assim como saiu Fábio Silva, prodígio vendido ao Wolverhampton nesta janela. Enquanto isso, os portistas se mexem para tornar o setor ainda mais forte. Mehdi Taremi havia sido anunciado anteriormente, após excelente temporada com o Rio Ave. Quem também está para chegar é Toni Martínez, espanhol que foi uma das revelações do Famalicão em sua surpreendente campanha.

Com possivelmente quatro opções de bom nível, o Porto também ganha qualidade para bater de frente com o alto investimento realizado pelo Benfica desde o retorno de Jorge Jesus. Evanilson pode ser um diferencial nesta corrida. Tem potencial e vem em crescente para já reivindicar seu espaço. Seu estilo de jogo tende a se casar com o pedido por Sérgio Conceição e talvez a espera para emplacar nem seja tão grande, apesar dos companheiros mais rodados ao lado. Talento não falta ao cearense. A torcida do Fluminense sabe disso e, por isso mesmo, sente mais a despedida repentina.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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