Portugal

Duas referências

Javi Garcia e Nelson Oliveira. Um espanhol e um português. Um mais experiente, já em seus 25 anos e um currículo de quatro temporadas no Real Madrid. Outro ainda dando seus primeiros passos no futebol profissional e cujo maior feito foi ter sido o goleador do último Mundial Sub-20. O primeiro, um dos que podem explicar os recentes tropeços pelo qual o Benfica passou nos quatro jogos que antecederam o de terça. O segundo, aquele que não só sacramentou a vaga encarnada às quartas de final da Liga dos Campeões após seis anos como pode ter sido também o responsável pelo fim da “má fase” benfiquista.

Não, Javi Garcia não foi a âncora que afundou a nau vermelha na série de três derrotas e um empate que antecedeu a vitória sobre o Zenit, na terça. Pelo contrário: pela a ausência do espanhol passa muito dos problemas que viveu o Benfica. O volante não atuou no jogo de ida contra os russos, em São Petersburgo (2-3), na derrota para o Vitória de Guimarães (0-1) e no empate sem gols com a Acadêmica. Sem o jogador, as Águias penaram na marcação pelo meio-campo e ficaram sem saida de jogo a partir da defesa – função essa na qual o ex-madridista vinha sendo bem importante.

Se isso não fez tanta diferença ante o time de Coimbra (aí, o maior problema foi mesmo a falta de pontaria do ataque), foi crucial nas derrotas para Zenit e Guimarães. Nemanja Matic, substituto imediato do volante, já não havia dado conta do recado contra os russos, e sofreu contra os vimaranenses, quando foi escalado (erroneamente) como único volante – pior: com Alex Witsel no banco. Sem o poder de marcação e a saída de bola do espanhol, o Benfica se viu perdido no meio. Seu retorno contra o Porto, por sua vez, mudou as coisas naquele setor – como Rodrigo Weber muito bem demonstrou em sua análise tática do clássico.

Nelson, por sua vez, começa a mostrar o porquê da confiança que lhe é depositada bem antes do Mundial Sub-20 do ano passado. Inicialmente opção de banco em jogos menos importantes, o atacante já deixou Javier Saviola para trás e vem se tornando quase um 12º jogador no Benfica. Ante o Zenit, deu a movimentação que Rodrigo Moreno não vinha mais conseguindo propiciar na partida. Mostrou atitude, deu enorme dor de cabeça à zaga do time russo (inclusive ao experiente e compatriota Bruno Alves) e foi premiado com um gol já no fim da partida, que garantiu a alegria e o alívio tão esperados no Estádio da Luz.

Claro que a série negativa que perdurou até quarta não passa só pela ausência de Javi Garcia. Jorge Jesus errou na tentativa de suprir a ausência do espanhol, e sua equipe se perdeu em campo nos três encontros em que o volante esteve de fora. Tanto que ante o Porto, mesmo tendo novamente o jogador na equipe, Jesus adotou uma postura por demais defensiva, preocupado com a perda de moral do grupo. O ataque, por sua vez, também pouco ajudou – o próprio Nelson Oliveira teve várias vezes a bola do jogo contra a Acadêmica, mas perdeu pelo menos três gols incríveis.

Os números do atacante de 20 anos são signficativos. Foram 308 minutos em campo nos 12 jogos em que atuou na temporada (somente um deles como titular), com uma média de um gol a cada 100 minutos, aproximadamente. Além de se ter que levar em conta o fato de Nelson ter sido reserva na maioria dos encontros – e, portanto, ter que se enquadrar ao ritmo do jogo em questão – o “miúdo” tem números que não distam muito aos dos titulares Oscar Cardozo (um gol a cada 89 minutos) e Rodrigo (um tento em cada 84 minutos), especialmente ao se considerar a boa fase da dupla, agora encabeçada pelo paraguaio.

Claro que a série negativa que perdurou até quarta não passa só pela ausência de Javi Garcia. Jorge Jesus errou na tentativa de suprir a ausência do espanhol, e sua equipe se perdeu em campo nos três encontros em que o volante esteve de fora. Tanto que ante o Porto, mesmo tendo novamente o jogador na equipe, Jesus adotou uma postura por demais defensiva, preocupado com a perda de moral do grupo. O ataque, por sua vez, também pouco ajudou – o próprio Nelson Oliveira mostrou muito boa movimentação, teve várias vezes a bola do jogo contra a Acadêmica, mas perdeu pelo menos três gols incríveis.

Da mesma forma, no tocante ao jogo de terça, o mesmo Jorge Jesus que errou anteriormente acertou ao não lançar o Benfica ao ataque, optando primeiro em controlar o jogo e manter uma estratégia paciente até o fim. Outros jogadores, como Maxi Pereira e Witsel também tiveram atuações bastante seguras e decisivas para a classificação. Não dá para dizer que as Águias já retomaram o voo de quando tinham cinco pontos de vantagem ao Porto (hoje, são três pontos atrás dos Dragões). Mas já é possível inferir que, com participação importante dos personagens enfocados nesta coluna, o Benfica recobrou a consciência.

Curtas

 

– Além de vencer o clássico contra o Benfica, o Porto ganhou a moral necessária para manter-se firme na briga pelo título, como ainda não o foi na temporada. Além disso, é preciso destacar (enfim) o acerto tático de Vítor Pereira, que lançou o time ao ataque na Luz, mesmo quando as Águias, em casa e mais inteiras, alçavam-se ainda mais ao ataque. Uma vitória “pessoal” do treinador, que vê os Dragões abrir três pontos para o rival que, há pouco tempo, estava-lhe cinco pontos a frente.

– O Sporting joga nesta quinta-feira contra o Manchester City, pelas oitavas de final da Liga Europa. Parada duríssima aos Leões, que vêm da primeira derrota de Ricardo Sá Pinto no comando da equipe (1 a 0 para o Vitória de Setúbal). Se tudo transcorrer ao natural, a tendência é a de Portugal não ter mais representantes no torneio. É aguardar. Aliás, Sá Pinto deve ser mesmo o “Tite” português. Perguntado sobre os triunfos magros obtidos (todos por 1 a 0) desde que chegou ao cargo, soltou: “E 1 a 0 não está bom?”.

– Pela Liga de Honra, o líder Estoril ficou no 1 a 1 com o Penafiel em casa mas continua tranquilo na ponta da tabela, com 45 pontos, dez a frente do vice-líder Moreirense. O tradicional Belenenses foi derrotado pelo Trofense em casa por 3 a 1 e continua ameaçadíssimo pelo rebaixamento: é o antepenúltimo, com os mesmos 22 pontos do Sporting da Covilhã, primeiro clube na zona de perigo. O lanterna é o Portimonense — que ano passado disputou a primeira divisão.

– Na “terceirona”, o Boavista manteve-se vivo na briga pelo acesso ao derrotar o Paredes por 3 a 2 em casa, mas ocupa apenas o quarto lugar do grupo Centro, com 39 pontos, nove atrás do líder Tondela — apenas o campeão das chaves Centro, Norte e Sul segue na briga pela promoção a Liga de Honra. O grupo Norte é liderado pelo Varzim (48 pontos, oito a frente do Desportivo Chaves) e o Sul tem o Toreense na primeira colocação (46 pontos, quatro diante de Oriental e Fátima).

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