Porto vence pela ousadia
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Benfica e Porto fizeram um grande clássico no Estádio da Luz, tanto pela qualidade do jogo como pela consequência do resultado. Com a vitória por 3 a 2, os Dragões abrem três pontos na dianteira e ainda levam consigo a vantagem do critério do confronto direto. A partida teve duas viradas, um jogo muito aberto e um prêmio pela ousadia do treinador Vitor Pereira.
O Benfica, jogando em casa e precisando voltar a vencer no Campeonato, já que nas duas últimas rodadas perdeu para o Vitória de Guimarães e empatou com a Acadêmica de Coimbra, entrou com o que tinha de melhor. Jorge Jesus recebeu o retorno de Javi García para ser o xerife do seu meio-campo e escalou a equipe no habitual 4-2-3-1.
Com meias-extremos de pé invertido, o time encarnado concentrava suas jogadas pelo meio, aproximando Nolito e Gaitán do meia central, Aimar. Jorge Jesus tem uma equipe de transição muito rápida e sabe usar bem o centroavante Cardozo para fazer ligação direta quando necessário.
No Porto, Vitor Pereira manteve a estrutura vencedora da temporada passada de seu mentor André Villas-Boas: 4-3-3 de base alta. Na escalação, Pereira optou por começar com o garoto angolano Djalma como winger pela esquerda, deixando James Rodríguez no banco. O colombiano havia se reapresentado apenas na manhã do dia do jogo, uma vez que esteve com sua Seleção em Miami, para amistoso com o México. O zagueiro Maicon começou na lateral-direita e Lucho Gonzalez formou o triângulo de meio com Fernando e João Moutinho.
O Porto, também com extremos de pé invertido, ataca quase sempre pelo meio, mas com mais cadência e valorização dos passes curtos, aproveitando-se da dinâmica de Lucho e Moutinho. Álvaro Pereira na esquerda sobe constantemente, apesar de que poucas vezes chega ao fundo. A marcação começou forte, pressionando o Benfica já em seu campo e dando espaço apenas para o zagueiros saírem por jogo com liberdade. O austríaco Janko parece estar ainda em processo de adaptação na equipe, sendo pouco participativo tanto nas ações ofensivas quanto nas defensivas.
Com formações que praticamente se encaixam, o jogo ficou muito combativo e com confrontos individuais bem definidos pelos lados. Foi assim que o Porto saiu na frente, quando Hulk, como faria na partida inteira, superou Emerson e disparou um chute de 108 km/h para as redes de Artur.
Outro ponto interessante aconteceu pela pouca participação defensiva do meia Aimar. Tendo liberdade para avançar sem ser acompanhado, o volante Fernando constantemente aparecia como elemento supresa, tirando a sobra da defesa do Benfica. Nesses momentos, Moutinho automaticamente recuava para fazer a cobertura do companheiro, deixando nítida sua inteligência tática.
No Benfica, ficou clara também a importância de Javi García. Quando de posse da bola, o volante recua ao miolo da defesa, abrindo os zagueiros e empurrando os laterais para o ataque. No entanto, com a perda da posse, o espanhol voltava à posição no meio para dar combate (Imagem1 abaixo).
Mudanças decidem o jogo
Logo após virar a partida (dois gols de Cardozo aos 41' do primeiro tempo e aos 3' do segundo), Jorge Jesus perdeu Aimar. O argentino pediu pra sair e deu lugar ao brasileiro naturalizado espanhol Rodrigo Moreno. Com a entrada do atacante, a equipe mudou sua formação. Witsel alinhou-se aos meias Nolito e Gaitán, deixando Javi García centralizado entre as linhas, formando um 4-1-3-2. A equipe passou a marcar mais na frente e diminuiu os espaços do Porto (diagrama3 abaixo).
Com desvantagem no placar e sem conseguir atacar com perigo, Vitor Pereira tomou uma decisão ousada e que, ao final, lhe traria a vitória. James Rodríguez entrou no lugar do zagueiro Rolando, desencadeando uma mudança radical na equipe. James foi para a sua posição na equipe, como extremo esquerdo. Djalma foi para o lado direito, como lateral. E Maicon passou a ser o parceiro de Otamendi na zaga (diagrama4 abaixo).
O talentoso James foi o ponto de desequilíbrio a partir daí. Aproveitando espaço aberto pela movimentação de Moutinho, o colombiano passou a ser o centro da equipe, vindo articular no meio e saindo com velocidade. Sua movimentação constantemente criou dúvidas na marcação, entre Maxi Pereira e Witsel, quebrando a defesa do Benfica. O gol de empate sai de uma arrancada de Fernando (ainda desacompanhado), tabelamento e conclusão de James pelo meio.
A ida de Djalma para a lateral também foi uma decisão arriscada. Apesar do empenho, o angolano tem pouco poder de marcação. Por outro lado, fez muito mais companhia para Hulk no ataque, dobrando pela ponta direita e eventualmente provocando a expulsão do lateral Emerson (segundo amarelo) e a falta que terminou no gol da vitória, marcado por Maicon (que estava em condição de impedimento, não marcado).
Vitor Pereira ganhou o jogo porque foi quem demonstrou estar mais disposto a correr riscos em prol da vitória. Jorge Jesus, por outro lado, foi cauteloso, reflexo talvez de seu retrospecto contra o rival do norte: em 26 jogos, Jesus perdeu 18 vezes para o Porto.