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Técnico alemão reclama de clubes não liberarem jogadores para Tóquio-2020: “Alguns não quiseram nos ajudar”

Stefan Kuntz, técnico da seleção alemã olímpica, criticou os principais clubes do país por não liberarem seus jogadores para os jogos de Tóquio-2020

O torneio de futebol nas Olimpíadas é um problema para o mundo todo. Na Alemanha, o técnico Stefan Kuntz, que dirige o time sub-21 e comandará a seleção alemã em Tóquio-2020, também reclamou disso. A Alemanha divulgou seus 19 convocados (de 22 possíveis) para a disputa das Olimpíadas no Japão, mas só terá três jogadores dos seis primeiros colocados da Bundesliga. Como as Olimpíadas são disputadas fora das datas Fifa, não há obrigatoriedade dos clubes em liberar seus jogadores, como acontece em torneios como a Eurocopa, Copa América, Eliminatórias ou mesmo amistosos.

Assim como acontece no Brasil, os clubes não querem perder seus jogadores em um momento que consideram importante. Para o Brasil, Neymar, Marquinhos (ambos do PSG), Vinícius Júnior, Rodrygo (ambos do Real Madrid), Malcom (Zenit), Gerson (Olympique de Marseille) e Pedro (Flamengo) não foram liberados por seus clubes.

No caso da Alemanha, isso significa que os jogadores ficam fora da pré-temporada, considerada crucial para que os times cheguem bem preparados no final dos campeonatos. A Bundesliga só começa no dia 13 de agosto, quase uma semana depois da final olímpica, mas os clubes relutam em perder seus jogadores em um momento de preparação.

São 19 nomes convocados pela Alemanha, apesar da permissão para chamar até 22, em condições excepcionais por causa da pandemia da COVID-19. O treinador reclamou que os grandes clubes da Bundesliga não quiseram ajudar e dificultaram a liberação de jogadores para o torneio. Como não é uma data Fifa, os clubes não têm obrigação de liberar seus jogadores.

“A vontade de apoiar o time olímpico foi diferente na Bundesliga. Alguns grandes clubes não quiseram nos ajudar como gostaríamos, e é por isso que o apoio que tivemos dos outros clubes significa muito para nós, já que podemos viajar para o Japão com um time deste calibre”, afirmou Kuntz, técnico do time sub-21 e que comandará a equipe que vai a Tóquio-2020.

O alvo das críticas é especialmente o Bayern de Munique. O clube bávaro não quis liberar o goleiro Ron-Thorben Hoffmann, de 22 anos, para a disputa dos jogos. O técnico reclamou que de alguns clubes “não consegue nem o terceiro goleiro”.

“Quando se trata de jogadores que sempre jogam na seleção principal, você precisa pensar se os libera para as Olimpíadas”, disse Oliver Ruhnert, diretor do Union Berlim. “Mas se você tem jogadores que veem as Olimpíadas como um momento especial das suas carreiras, você tem que pesar muito cuidadosamente se, como um clube, você quer impedir isso”. O clube da capital teve dois convocados, sendo um deles um veterano, Max Kruse, além de Cedric Teuchert. Outro clube da capital, o Hertha Berlim, liberou dois jogadores, Arne Maier e Jordan Torunarigha.

Joti Chatzialexiou, diretor esportivo da DFB, reforçou as críticas aos grandes clubes alemães por não liberarem seus jogadores. “É uma pena que alguns jogadores e clubes na Alemanha não valorizem tanto, embora tenhamos comemorado um grande sucesso com a medalha de prata no Brasil em 2016, da qual muitos se orgulharam no final”, disse o dirigente.

“Uma expectativa que nós temos, como novo campeão europeu sub-21, é automaticamente ser candidato por uma medalha nas Olimpíadas. Isso é difícil de alcançar quando não podemos ter o nosso melhor elenco em termos de jogadores. Ainda assim, nós temos um bom time novamente e iremos tentar conseguir o máximo disso”, disse ainda Chatzialexiou.

Apesar das dificuldades, Kuntz celebrou poder montar um time que considera forte e disputar medalha. “O anúncio do elenco apenas aumenta a nossa empolgação para o torneio. Para os 10 rapazes e todos da comissão técnica, ser parte do time da Alemanha que vai a Tóquio será uma experiência incrível”, disse ainda o treinador. “Nós encontramos uma boa mistura com nossos três jogadores acima da idade, os jogadores recentemente campeões da Euro Sub-21 e os rapazes que nos ajudaram a selar a classificação, em 2019. Nós queremos ir o mais longe possível e tentar ganhar uma medalha”.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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