Olimpíadas

Faltou ao Brasil jogar mais e eliminação nos pênaltis diante do Canadá acaba com o sonho de medalha

Seleção brasileira joga mal e acaba eliminada pelo Canadá por 4 a 3 nos pênaltis; Formiga se despede das grandes competições

Em uma partida jogou mal e ficou no empate por 0 a 0 por 120 minutos, o Brasil foi eliminado pelo Canadá nas quartas de final da Olimpíada. Diante das canadenses, a seleção brasileira ficou devendo futebol. Se em outros confrontos o Brasil não era favorito nesta fase, desta vez era. A seleção brasileira era melhor, mas não jogou melhor. Para o Canadá, o empate foi uma vantagem e a vitória nos pênaltis por 4 a 3 acaba sendo uma derrota dolorida, porque o time tinha potencial para ir muito além.

O mínimo que se esperava era brigar por medalha e o time tinha mostrado capacidade para isso. Na hora decisiva, a equipe ficou devendo. Há decisões questionáveis de Pia Sundhage, assim como o desempenho de muitas jogadoras ficaram abaixo do esperado. Jogadoras como Debinha, por exemplo, ficaram muito abaixo. Marta, muito deslocada pelo lado do campo, algo que Vadão já fazia, não conseguiu render. A entrada de Andressa Alves, que melhorou o time, demorou a acontecer, só veio na prorrogação. A entrada de Ludmila foi boa para o time, embora a saída de Beatriz talvez não tenha sido a melhor escolha.

O Canadá consegue a classificação e vai esperar o vencedor de Holanda x Estados Unidos na semifinal. Já a seleção brasileira volta para casa de mãos vazias. As jogadoras choraram muito em campo. Se via a tristeza em campo. Era um duelo equilibrado. O trabalho da seleção brasileira melhorou com Pia Sundhage, mas ficou ela, e o time, ficaram devendo neste jogo. Será preciso melhorar.

Não é o caso de implodir tudo daqui em diante. A Copa do Mundo só acontece em 2023, há tempo para se preparar bem. Mas também é preciso achar mais soluções. Marta, aos 35 anos, pode ter feito sua última grande competição. Formiga, aos 43 anos, deixa a Seleção. Não veio o ouro. Há muito a ser feito e o Campeonato Brasileiro Feminino é forte como nunca foi. Há um caminho, mas a sensação é de frustração. Será preciso lidar com isso e ir adiante. É hora de reconstruir, seguir a renovação. O Brasil tem potencial para mais.

Histórico de confrontos

Brasil e Canadá são adversários frequentes e conhecidos. São 24 jogos entre as duas seleções na história até aqui, com nove vitórias do Brasil, oito vitórias do Canadá e sete empates. Só em 2021, as duas seleções se enfrentaram duas vezes, na She Belivies Cup, com vitória por 2 a 0 sobre o Brasil, e um empate por 0 a 0 em amistoso em junho.

Os times

Pia Sundhage voltou a escalar o time completo do Brasil, depois de ter poupado seis jogadoras das 11 iniciais contra a Zâmbia, em vitória por 1 a 0. Escalou o mesmo time que empatou por 3 a 3 com a Holanda, em um dos melhores jogos do torneio feminino até aqui.

O Canadá, por sua vez, jogou com as mesmas titulares que venceram o Chile por 2 a 1, na segunda rodada da fase de grupos. Teve a volta de Christine Sinclair, que não esteve em campo contra a Grã-Bretanha, na terceira rodada.

Primeiro tempo

Depois dos primeiros cinco minutos em que o Canadá era o único time a tocar na bola, ainda que não tenha criado uma chance clara nesse tempo. Depois disso, o Brasil conseguiu bons minutos no ataque, com uma pressão que estava encaixada, sufocando o time canadense na saída de bola e forçando erros na saída.

O Canadá chegou com muito perigo aos 20 minutos. Ashley Lawrence desceu pela direita no apoio, cruzou para a área e Christine Sinclair tocou na bola, mas não conseguiu dominar. Um lance que mostrou a ideia do Canadá de tentar chegar pelo lado direito, que é forte.

Houve um lance de possível pênalti aos 34 minutos. Formiga fez um bom passe para Duda, que recebeu um carrinho que levou a bola a escanteio. A assistente marcou impedimento, que não existiu, e a árbitra Stephanie Frappart tinha apontado pênalti, que também não houve. O VAR a chamou, ela reviu o lance e não marcou a penalidade.

Em uma saída de bola errada, o Brasil teve uma grande chance. Vanessa Gilles se enrolou com a bola, Debinha roubou a bola e, de frente para o gol, finalizou, mas a goleira Stephanie Labbe defendeu o chute da brasileira. Ela tinha a opção de rolar para o meio, onde Duda tinha mais chance de fazer o gol.

Segundo tempo

A segunda etapa começou bastante brigada, como foi a maior parte do jogo, e com bastante equilíbrio. Tanto o Brasil quanto o Canadá tinham dificuldade em criar chances. Foi só aos 13 minutos que as canadenses chegaram com muito perigo.

Em cobrança de falta aos 13 minutos, a zagueira Vanessa Gilles subiu bem de cabeça e tocou, mas a bola bateu no travessão. Depois, a defesa conseguiu afastar a bola. O lance mais perigoso do Canadá até ali.

No lance antes da bola no travessão, o Brasil tinha feito a sua primeira substituição no jogo: saiu Beatriz Zaneratto e entrou em campo Ludmila. Com isso, o time perdia uma jogadora com capacidade de fazer o pivô, que teve pouco a bola no jogo, para apostar em uma jogadora que tem como característica a velocidade ao atuar na referência. A técnica canadense também fez mudanças. Tirou Rebecca Quinn no meio-campo e colocou Julia Grosso. Sacou também Nichelle Prince e colocou em campo Deanne Rose.

A seleção brasileira assustou aos 25 minutos, em um chute rápido, da entrada da área, que Stephanie Labbe defendeu. Foi o lance de mais perigo do Brasil até ali. A técnica Pia Sundhage fez outra mudança aos 27 minutos. Sacou a volante Formiga e colocou em campo Angelina, que tinha feito um bom jogo na rodada anterior, quando ganhou chance de ser titular pela primeira vez.

Depois dos 30 minutos, Marta e Duda inverteram de lado. A capitã e craque brasileira veio para o lado direito, enquanto Duda foi para o lado esquerdo. Os dois times tinham poucas chances e tentavam usar a velocidade em suas jogadas. Primeiro, aos 39, o Brasil lançou Ludmila pela direita, que foi até a linha de fundo e cruzou, mas a bola passou por todo mundo. Depois, o Canadá chegou em lançamento longo para Deanne Rose, mas Erika se recuperou bem no lance e conseguiu travar.

Já nos acréscimos, o Brasil teve uma nova chance. A zagueira Erika fez o lançamento longo para Ludmila, nas costas da defesa, e conseguiu um toque na bola, mas a goleira Labbe saiu bem do gol para defender. O jogo foi mesmo para a prorrogação depois do empate por 0 a 0.

Prorrogação

Na prorrogação, como era de se esperar, os dois times demonstravam muito cansaço. Com apenas duas substituições feitas, Pia Sundhage ainda tinha quatro mudanças para fazer se quisesse. Três para completar as cinco que tinha direito no tempo normal e uma a mais pela prorrogação. Situação idêntica à canadense, em que a técnica Beverly Priestman só tinha feito duas substituições.

Explorando os lançamentos longos, mais uma vez Ludmila recebeu em velocidade e desta vez tentou o passe para o meio, na direção de Debinha, mas foi travada pela goleira, com quem se chocou. A árbitra considerou falta da brasileira e mais, deu cartão amarelo a Ludmila, que estava pendurada. Se o Brasil passasse, ela estaria suspensa da semifinal.

Com 11 minutos do primeiro tempo da prorrogação, entrou Andressa Alves no lugar de Duda. A meia da Roma entrou bem nos dois primeiros jogos da Seleção, sendo titular no terceiro gol e autora do gol de falta. Com isso, Marta voltou ao lado direito, com Andressa Alves atuando pelo lado esquerdo.

O Canadá apostou em uma jogadora que foi bem no jogo anterior, contra a Grã-Bretanha, a atacante Adriana Leon no lugar de Janine Bechie. O primeiro tempo da prorrogação acabou ainda sem gols. A técnico canadense fez outra mudança com a entrada de Jayde Riviere no lugar de Allysha Chapman, colocando uma jogadora mais descansada para lidar com a velocidade brasileira no ataque.

Com sete minutos do segundo tempo da prorrogação, o Brasil chegou duas vezes. Primeiro com Andressa Alves chutando de fora da área e sendo bloqueada. Logo depois, Andressa Alves tocou para Debinha, que também chutou de fora da área e levou perigo, mas mandou para fora.

O Canadá fez mais uma mudança no time. Desta vez, saiu Deanne Rose, que entrou aos 18 minutos do segundo tempo, e entrou Jordyn Huitema. Uma atacante por outra. A essa altura, o Brasil pressionava com escanteios seguidos. No rebote de um deles, Debinha cruzou do lado esquerdo para a zagueira Erika, que cabeceou bem, no canto, e a goleira Labbe fez uma boa defesa.

O jogo ficava dramático. O Canadá tentou chegar nos últimos lances do jogo, já com 14 minutos do segundo tempo da prorrogação. A árbitra adicionou três minutos de acréscimos. O jogo parecia mesmo que iria para os pênaltis. Nenhum dos dois times parecia capaz e chegar ao gol. O Brasil, insistindo em cruzamentos, consagrava Stephanie Labbe, que saiu bem do gol em todas as bolas.

O drama dos pênaltis

A ida para os pênaltis era uma vitória maior para o Canadá. O Brasil passou longe de fazer um bom jogo e, mesmo vindo em um momento melhor, não conseguiu ser melhor que as canadenses. Com tudo empatado e sem gols por 120 minutos, foi preciso definir quem seria a semifinalista nos pênaltis.

Canadá perde a primeira. A primeira cobrança foi de Christine Sinclair, a craque do Canadá. Ela bateu mal e a goleira Bárbara defendeu. Brasil 0x0 Canadá.

Brasil faz o seu. Marta, a craque brasileira, cobrou com tranquilidade, deslocando a goleira, e marcou. Brasil 1×0 Canadá.

Canadá marca. Jessie Flemming cobrou bem e colocou no canto, marcando o primeiro do Canadá. Brasil 1×1 Canadá.

Brasil marca o segundo. Debinha foi a segunda cobradora do Brasil e colocou no canto, bem batido, e marcou. Brasil 2×1 Canadá.

Canadá marca. Ashley Lawrence foi a terceira cobradora canadense e foi outra a cobrar bem, no canto direito de Bárbara, e marcou. Brasil 2×2 Canadá.

Brasil faz o gol. A zagueira Érika cobrou com categoria imensa, tranquilidade, e colocou na rede. Brasil 3×2 Canadá.

Canadá marca. Adriana Leon cobrou pelo Canadá e marcou com tranquilidade para empatar. Brasil 3×3 Canadá.

Brasil perde a cobrança. Andressa Alves foi a responsável pela quarta cobrança brasileira. Ela bateu cruzado e a goleira Labbe defendeu. Brasil 3×3 Canadá.

Canadá marca. A zagueira Vanessa Gilles foi a quinta cobradora canadense. Concentrada, ela cobrou bem e marcou. Brasil 3×4 Canadá.

Brasil desperdiça e está eliminado. A quinta cobradora brasileira tinha uma imensa responsabilidade. Era a zagueira Rafaelle, que não podia perder, se não o Brasil estava eliminado. Ela cobrou cruzado, como Andressa Alves, e a goleira Labbe defendeu. O Canadá se classificou: Canadá 4×3 Brasil.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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