Futebol femininoMundo
Tendência

Relatório da Fifa mostra que Brasil teve o maior número de jogadores em transferências internacionais em 2022

Mais de dois mil jogadores brasileiros foram alvos de transferência internacional, quase o dobro do segundo colocado; França foi o país que mais arrecadou com transferências

O relatório anual de transferências da Fifa de 2022 trouxe mais uma vez dados bastante interessantes em relação ao Brasil. O país é quem mais teve jogadores envolvidos em transferências internacionais, com 2.061 jogadores. O segundo país com mais jogadores envolvidos em transferências foi a Argentina, com 1.004, e a França, com 921. O relatório considera apenas transferências internacionais, o que inclui qualquer jogador que mudou de país.

O relatório mostra que o Brasil é o maior fornecedor de jogadores do planeta e que eles continuam gerando transferências mesmo depois de saírem do Brasil. Os 2.061 jogadores brasileiros que estiveram em transferências em 2022 movimentaram US$ 843,2 milhões, o maior número entre todas as nacionalidades. Esse dinheiro, porém, está espalhado pelo mundo, já que boa parte desses brasileiros já estavam no exterior. Ou seja, esse montante não é o quanto clubes brasileiros receberam, mas sim o quanto os jogadores brasileiros movimentaram com suas transferências.

A Argentina, segundo país com mais jogadores envolvidos em transferências, teve 1.004 jogadores, movimentando um total de US$ 380 milhões (quarta nacionalidade que mais movimentou dinheiro de transferências, atrás de Brasil, França e Portugal).

A França, terceira nacionalidade que mais movimentou jogadores, com 921, teve a segunda que mais movimentou dinheiro, com US$ 591,5 milhões. O quarto país nessa lista é o Reino Unido, com 848 jogadores, que movimentaram um total de US$ 249,7 milhões, apenas a oitava nacionalidade em termos de quantia de dinheiro movimentada.

Se pensarmos em termos de confederações, a Uefa foi quem mais movimentou (US$ 5,5 bilhões), com a Conmebol em segundo lugar (621 milhões). Depois vem Concacaf (US$ 194,2 milhões), CAF, da África, com US$ 71,2 milhões, e AFC, da Ásia, com US$ 59,4 milhões. A Oceania não tem um valor determinado, porque a maioria das suas transferências são amadoras. Neste caso, estamos falando de jogadores ligados a essas confederações, ou seja, um brasileiro que jogue na França e muda de clube para a Inglaterra conta para a Uefa.

Dados do relatório de transferências da Fifa de 2022

Quando olhamos para o número de jogadores contratados, quantitativamente, o Brasil também é destaque: foi o segundo que mais trouxe jogadores, com 857, atrás apenas de Portugal, que foi, de forma inédita, o país que mais trouxe jogadores, com 901. Quando falamos em países que mais venderam jogadores, porém, o Brasil segue em primeiro: foram 998 jogadores liberados do país, à frente inclusive da Inglaterra, com 836, segunda colocada. A terceira posição é da Espanha, com 778, e só então aparece Portugal, com 677. Aqui contam todos os jogadores que atuam no país, independente da nacionalidade.

Em termos de movimentação financeira, porém, podemos ver duas tendências claras: quem mais gastou com transferências foi a Inglaterra, com US$ 2,2 bilhões, seguida pela Itália, com US$ 673,3 milhões, Espanha, com US$ 592,3 milhões, a França, com 545,3 milhões e, por fim, a Alemanha, com US$ 537,6 milhões. Não por acaso, as cinco principais ligas do mundo são as que mais gastam dinheiro. Ao mesmo tempo, mostra a disparidade financeira que a Inglaterra atingiu: gastou 3,2 vezes mais que a segunda colocada, Itália.

Entre quem mais recebeu, nenhuma surpresa e também outra tendência: a França, com US$ 740,3 milhões, mesmo sendo apenas a quarta que mais gastou. A liga francesa é notadamente uma liga de revelação de talentos e que tem trabalhos bem eficientes de captação de talentos em países africanos (onde exerceu domínio colonial e ainda possui grande influência econômica), além de países sul-americanos.

A segunda liga que mais recebeu foi a Alemanha, com US$ 639,2 milhões, o que mostra outra tendência. Os alemães também são bons reveladores de talento, o que leva seus jogadores a outros países, mas há outro aspecto: os principais clubes do país gastam menos com transferências do que clubes das outras grandes ligas. Portanto, os clubes acabam sendo melhores vendedores, porque contratam pagando menos e vendem mais caro.

Aumento das transações de 2021 para 2022: Antony foi o brasileiro mais caro, custando cerca de US$ 103 milhões)

O Brasil é o oitavo país que mais arrecadou com transferências de jogadores, com US$ 267,2 milhões, e o 12º que mais gastou, com US$ 107,9 milhões. Aqui há uma explicação: embora numericamente o Brasil seja o que mais libera jogadores, o que pesa é o poder econômico dos compradores, além do Real ser uma moeda desvalorizada no mercado internacional. Com isso, os valores de transferências são, em média, mais baixos no Brasil do que em países como a França, que, por ser uma economia mais forte, com moeda mais forte e dentro da Europa, principal mercado do futebol mundial, arrecada naturalmente mais.

Por outro lado, a quantidade de dinheiro gasta pelo Brasil o coloca muito à frente dos rivais sul-americanos, deixando bem para trás a Argentina e o Uruguai, por exemplo, em termos de valores gastos. Isso fica evidente quando olhamos os 10 clubes que mais gastaram com transferências em 2022 na Conmebol: são sete clubes brasileiros (Flamengo, Palmeiras, Athletico Paranaense, Botafogo, São Paulo, Internacional e Santos) e apenas três argentinos (River Plate, Boca Juniors e Racing).

Entre os clubes que mais venderam jogadores na Conmebol, porém, algumas surpresas. O Flamengo foi quem mais vendeu, com 26 jogadores, o que não surpreende, mas o segundo colocado é o tradicional Independiente Medellín, da Colômbia, com 23 jogadores negociados. Depois vem Palmeiras (22), Bahia (21), Corinthians (21), Independiente Del Valle (20), Internacional (20), Estudiantes de La Plata (19), Grêmio Anápolis (18) e Grêmio (17). Aqui vemos clubes com uma tendência maior de revelação de talentos, casos notórios de Independiente Medellín e Independiente de Valle, razão que os faz aparecer na lista à frente de outros clubes brasileiros e argentinos.

Futebol feminino

O mercado de transferências do futebol feminino

O mercado internacional de transferências no futebol feminino tem aumentado. Foram 119 associações ao redor do mundo envolvidas em 1.555 transferências. Um aumento de 19,3% em relação a 2021. O número de clubes envolvidos também aumentou para 500 ao redor do mundo, aumento de 20% em relação a 2021.

O número de transferências com pagamento aumentou no futebol feminino, segundo o relatório. Embora 85% das transferências sejam com jogadores ao final dos seus contratos, houve um aumento de transferências com pagamentos de 3,5% em 2018 para 7,3% em 2022.

O valor de transferências também aumento no futebol feminino em 2022 e chegou a US$ 3,3 milhões, que é um novo recorde. Além disso, é um aumento de 62% em relação a 2021. As transferências superaram US$ 1 milhão pela primeira vez em 2020, quando alcançou US2 1,2 milhão. Chegou a US$ 2 milhões em 2021 e agora chega a US$ 3,3 milhões. A Europa é a grande protagonista também no futebol feminino, com os clubes do continente sendo os que mais pagaram por suas transferências.

Os dados de nacionalidade mostram que o Brasil também é um grande exportador de jogadoras. As americanas são as que mais se transferiram, 164 jogadoras, com as brasileiras em segundas, com 88 – um aumento de 27,5% em relação ao ano anterior. As ucranianas foram as terceiras com mais transferências, com 80, algo que precisa ser considerado dentro do contexto da guerra, que fez muitas das jogadoras do país buscarem transferências para o exterior. As colombianas e inglesas estão empatadas em quarto, com 64 jogadoras cada.

O mercado mais aquecido no momento do futebol feminino é a Espanha. Foi o país que mais contratou jogadoras (118) e o que mais viu jogadoras saírem (95). A Suécia é a segunda que mais contratou (85), o que mostra que é o outro país que segue forte no futebol feminino, e foi a quarta a ver mais jogadoras saírem (66). A Inglaterra é o terceiro país a mais contratar (74) e também o terceiro a mais ver jogadoras saírem (67).

Confira o relatório completo da Fifa:

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo