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Líder da reforma da Fifa acha que mulheres precisam ter mais espaço na administração da entidade

Líder do comitê formado pela Fifa para o processo de reforma política pela qual a entidade passará nos próximos meses, François Carrard falou publicamente pela primeira vez desde que foi escolhido para o cargo. Tocou em diversos assuntos referentes ao novo momento da instituição, e um deles em especial chamou a atenção. O advogado suíço acredita que as mulheres precisam ter maior representatividade na administração da Fifa, independentemente da reforma em curso.

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Carrard considera a questão de uma divisão mais igualitária de cargos entre homens e mulheres um assunto delicado e complexo, mas acredita que algo precisa ser feito, inclusive dentro da própria Fifa. “Você pode fazer essa afirmação em muitos países e sobre muitas instituições. É um assunto fundamental, com o qual estamos absolutamente comprometidos, mas é um desafio. Teremos uma recomendação específica sobre as mulheres, o que é um assunto muito difícil e que tem de ser lidado dia após dia. A Fifa atualmente tem uma disposição estatutária para uma mulher como dirigente em seu comitê executivo, e nossa recomendação é levar esse número para seis. Sabemos que não é pela reforma, isso precisa ser feito em todos os lugares”, afirmou.

A fala do suíço é quase toda muito genérica, exceto pela parte em que aponta um aumento de uma para seis mulheres dentro do comitê executivo como o cenário ideal. Ele não se expandiu muito no tema, não afirmou que pretende tornar essa uma de suas bandeiras e também não detalhou, caso isso fosse feito, qual seria o processo. Ainda assim, o fato de alguém com papel político importante na Fifa, e que há alguns meses dava uma declaração um tanto quanto sexista, ter tornado isso pauta pública já serve como uma espécie de alento.

François Carrard falou também de outras questões ligadas à reforma da Fifa. Disse não achar que o sistema da entidade seja intrinsecamente corrupto e, portanto, acredita que não haveria problemas se as mudanças fossem lideradas por gente de dentro da entidade. “Eles queriam alguém de fora da Fifa, eu nunca tive um trabalho com a Fifa. As pessoas dizem que você precisa de conselheiros externos, mas acho que é necessário ser alguém de certa forma de dentro”, opinou.

O líder do comitê que dirigirá a reforma entrou também na discussão sobre os mandatos presidenciais da Fifa. Para ele, o formato do Comitê Olímpico Internacional, cuja reforma em 1998 também liderou, pode ser um exemplo. “Acho que há um consenso no período do mandato, 12 anos como no Comitê Olímpico Internacional, mas não está decidido se com três mandatos de quatro anos, dois de seis ou um de oito e outro de quatro. Estamos considerando as consequências de um mandato curto. Mundialmente, leva tempo para conhecer os países e a cultura, isso leva três ou quatro anos”, afirmou, completando a fala apontando 74 anos de idade como o limite para um presidente da entidade.

Carrard vê as pessoas na Fifa dispostas a mudar o que for preciso para melhorar a administração do esporte mais popular do mundo. Até por falta de opção, diante do escândalo que explodiu no meio do ano, com a prisão de dirigentes da entidade e empresários de empresas de marketing na Suíça: “A Fifa já tentou fazer a reforma e já fez mudanças no passado, mas as pessoas não eram realmente compreensivas. Se você está no hotel Baur au Lac, pensando no dia, se preparando para o café da manhã, e, de repente, a polícia suíça bate à sua porta, isso muda a percepção e captura atenção. Sinto que há uma vontade (de se fazer a reforma), e, se há vontade, há um jeito”.

Apesar do discurso aparentemente sensato de Carrard, é preciso acompanhar de perto todos os passos deste período de transição da Fifa. Afinal, frequentemente figuras que se colocavam como idôneas e como alternativas limpas para a corrupção da entidade têm sido envolvidas nas investigações, e o próprio suíço saiu em defesa de Joseph Blatter, antes de a Justiça suíça comunicar que estava investigando criminalmente o presidente afastado da Fifa. Uma das coisas mais importantes, no entanto, é focar nas ideias que surgem, e a de maior representatividade de mulheres na entidade é uma das que podem ser muito frutíferas.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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