Itália 4×3 Japão: um épico na Copa das Confederações
Itália e Japão protagonizaram na Arena Pernambuco um épico que já entrou para a história do futebol. O placar de 4 a 3 a favor da Azzurra é um ótimo retrato do que foi o jogo, intenso dos dois lados e com muitas chances de gol. Difícil imaginar que a Copa das Confederações de 2013 conte com um confronto melhor do que esta. E não seria loucura apontar a partida de Recife como a melhor da história da competição.
O resultado acaba confirmando a classificação dos italianos para as semifinais do torneio, ao lado do Brasil, ambos com seis pontos. Nada que diminua a atuação dos japoneses nesta quarta-feira. Os Samurais Azuis foram melhores durante a maior parte do tempo, finalizaram mais e deram sufoco na equipe de Cesare Prandelli. A frustração pela eliminação antecipada fica, é óbvio, mas o que mais marca é a sensação de que, se mantiverem o nível, os nipônicos poderão fazer ótimo papel na Copa do Mundo.
De maneira surpreendente, ainda mais depois da apatia demonstrada contra o Brasil, o Japão pressionou a Itália desde os primeiros minutos. O time de Alberto Zaccheroni trocava passes rápidos no ataque, sempre em progressão vertical. Keisuke Honda, Shinji Kagawa e Shinji Okazaki se combinavam de maneira magnífica, deixando perdida da defesa italiana. Por um erro do árbitro, Honda abriu o placar cobrando pênalti. E Kagawa ampliou a vantagem aos 33, em um lindo chute – e após Gianluigi Buffon realizar três boas defesas.
Pouco antes do segundo gol, Prandelli já realizou a primeira mudança no time, sacando Alberto Aquilani e mandando a campo Sebastian Giovinco. No entanto, foi quando Andrea Pirlo, até então bem marcado, resolveu aparecer para o jogo é que a Azzurra ganhou vida novamente. Em um cruzamento do volante é que Daniele De Rossi diminuiu a diferença. E o empate quase saiu no início no último lance dos acréscimos, com Emanuele Giaccherini carimbando a trave.
A Itália continuou em alta rotação na volta do intervalo e logo conseguiu a virada. Primeiro, graças a uma falha clamorosa da defesa do Japão, que permitiu que Giaccherini dominasse bola na linha de fundo e fizesse o cruzamento para o gol contra de Atsuto Uchida. Logo depois, na conta do árbitro, que compensou o erro do primeiro tempo e marcou um pênalti inexistente para os europeus. Mario Balotelli, discreto até então, balançou as redes.
Com a virada no placar, os italianos diminuíram o ritmo. E Honda passou a liderar a reação japonesa, combinando velocidade e técnica na condução do ataque. Não foi dele a jogada do gol de empate, anotado por Okazaki. Mas foram do camisa 10 os principais lances criativos dos Samurais Azuis, incluindo ótima participação na jogada que terminou em duas bolas consecutivas na trave de Gianluigi Buffon.
E, no momento que o Japão parecia pronto para a virada, a Itália achou o gol da vitória. Em um lance de desatenção da defesa, Giovinco anotou o quarto gol da Azzurra. Apesar do balde de água fria, os japoneses continuaram pressionando em busca do empate, da sobrevida na Copa das Confederações. Outra vez a trave foi cruel, parando outro arremate de Okazaki. No fim das contas, o gol que os nipônicos tanto mereciam não veio. Nada capaz de tirar a grandeza de um jogo de prender o fôlego do início ao fim.
Destaque do jogo
O ritmo das duas equipes. A postura incisiva do Japão nos primeiros 35 minutos, a recuperação da Itália na virada dos tempos e a nova pressão dos nipônicos na meia hora final proporcionaram um jogo alucinante. Foram sete gols, quatro bolas na trave, oito defesas dos goleiros e 37 finalizações – uma a cada 2,56 minutos.
Momento-chave
As duas bolas na trave seguidas do Japão, aos 37 minutos do segundo tempo. Os nipônicos vivam ótimo momento na partida e sufocavam a Itália, que parecia não ter mais fôlego. Shinji Okazaki arriscou da entrada da área e acertou a trave. No rebote, Shinji Kagawa completou de cabeça na pequena área e carimbou o travessão. Quatro minutos depois, Sebastian Giovinco anotou o tento da vitória.
Os gols
21’/1T – GOL DO JAPÃO! Shinji Okazaki invade a área, se choca com Gianluigi Buffon e o árbitro anota o pênalti. Na cobrança, Keisuke Honda bate no canto.
33’/1T – GOL DO JAPÃO! Bola levantada na área e a defesa italiana não corta. Shinji Kagawa gira sobre Giorgio Chiellini e acerta belo chute no canto, indefensável para Gianluigi Buffon.
41’/1T – GOL DA ITÁLIA! Escanteio pela direita do ataque. Andrea Pirlo faz o cruzamento, Daniele De Rossi se antecipa à marcação e cabeceia para as redes.
5’/2T – GOL DA ITÁLIA! Maya Yoshida dá brecha para Emanuele Giaccherini dominar bola na linha de fundo. O italiano faz o cruzamento e Atsuto Uchida desvia contra as próprias redes.
7’/2T – GOL DA ITÁLIA! Sebastian Giovinco arrisca da entrada da área e a bola bate no braço de Makoto Hasebe. O árbitro marca a penalidade e Mario Balotelli não desperdiça.
24’/2T – GOL DO JAPÃO! Falta sofrida por Makoto Hasebe na lateral da área. Yasuyuki Konno cruza em direção à primeira trave e Shinji Okazaki desvia de cabeça.
41’/2T – GOL DA ITÁLIA! Marchisio recebe pela direita do ataque, avança à linha de fundo e cruza. Sebastian Giovinco aparece desmarcado na área e completa de primeira.
Curiosidade
A última vitória da Itália por 4 a 3 em uma competição oficial aconteceu em 1970, na mítica semifinal da Copa do Mundo contra a Alemanha – considerada por muitos como a melhor da história em Mundiais. Após empate por 1 a 1 no tempo normal, foram cinco gols na prorrogação, com Gianni Rivera garantindo a Azzurra na decisão a nove minutos do apito final.






