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FIFPro estuda medida drástica contra calendário e aponta Fifa como culpada

O sindicato internacional de jogadores de futebol pretende adotar duras medidas contra o calendário - e a Fifa pode se dar mal

Nos últimos anos, a discussão sobre o calendário abarrotado de jogos se tornou uma preocupação mundial. E os olhos se voltam para a Fifa, que não tomou nenhuma posição pública sobre a questão.

Na verdade, a entidade máxima do futebol resolveu criar uma nova competição: o Super Mundial de Clubes da Fifa, cuja estreia está marcada para 2025, entre os dias 15 de junho e 13 de julho. Ou seja, no final da temporada europeia, e na metade do brasileiro.

A nova competição terá um formato parecido com a Copa do Mundo: com 32 times e edições a cada quatro anos. O problema é que o novo Mundial da Fifa significa mais partidas, logo, um acúmulo ainda maior de cansaço e possíveis lesões causadas por esgotamento físico.

Enquanto a entidade máxima do futebol se vangloria de mais uma competição – com potencial financeiro bilionário via direitos de transmissão -, os jogadores estão preocupados com sua saúde.

Uma semana antes da final da última Champions, o sindicato dos jogadores reuniu a imprensa internacional para argumentar que a saúde dos atletas, tanto física, quanto mental, está sendo colocada em risco.

Por isso, a Federação Internacional dos Jogadores Profissionais de Futebol (FIFPro) – que é o sindicato mundial que representa os atletas – estuda tomar uma medida drástica contra o calendário cheio, e levar a Fifa, apontada como culpada, à Justiça comum. A informação é do portal Relevo.

Fifa pode ir para os tribunais por causa da FIFPro

Entre as medidas da FIFPro estão as ações judiciais e administrativas na União Europeia e em alguns países, na garantia de tentar interromper ou até mesmo suspender a criação de um novo torneio da Fifa.

O sindicato internacional dos jogadores alega que o principal responsável por isso é o presidente da entidade máxima do futebol, Gianni Infantino, pois ele é a figura máxima que regula o calendário internacional.

Como argumento, a FIFPro diz que a Fifa está sobrecarregando os jogadores com a criação do Super Mundial. Portanto, os processos seriam direcionadores contra a organização liderada por Infantino.

Para que a Fifa não pare nos tribunais, o sindicato dos atletas exige a diminuição de partidas por temporada. A FIFPro defende que nenhum jogador deve disputar mais de 55 partidas por ano.

Com esse preceito, os organizadores de campeonatos – incluindo a Fifa – podem fazer o que quiserem, mas restringindo o uso de atletas para eles não ficarem sobrecarregados com o número de jogos.

FIFPro divulga dados sobre o impacto do calendário nos jogadores

Nos últimos cinco anos, a FIFPro tem monitorado o impacto do calendário nos jogadores de alto nível. Um exemplo que ilustra o excesso de jogos no futebol moderno é o caso de Rodri, do Manchester City.

Em abril deste ano, o volante chegou a dizer, quase implorando, que precisava descansar. E não porque era o final da temporada com os Citizens – em agosto de 2023, ele também acendeu um sinal de alerta.

Rodri relatou que precisava regular seus horários porque, naquele ritmo, ia “acabar explodindo”. E o volante espanhol não estava exagerando, já que jogou 63 partidas em 2023/24.

Foto: (IconSport) - FIFPro está preocupada com a sobrecarga dos jogadores
Foto: (IconSport) – FIFPro está preocupada com a sobrecarga dos jogadores

Rodri por Manchester City e seleção espanhola na temporada

  • 63 jogos
  • Média de 92 minutos por partida
  • 5.841 minutos jogados
  • 69.700 quilômetros em distância viajada

O volante perdeu apenas quatro jogos em todo 2023/24, todos pela Premier League, sendo três por suspensão. De resto, Rodri entrou em campo em todas as partidas do Manchester City na Champions League e na Copa da Inglaterra.

A tendência é piorar. Além do Super Mundial de Clubes da Fifa, a Uefa também mudou o formato da Liga dos Campeões, cujo novo modelo – que traz mais partidas – será posto em prática a partir da próxima temporada.

 

Foto de Matheus Cristianini

Matheus Cristianini

Jornalista formado pela Unesp, com passagens por Antenados no Futebol, Bolavip Brasil, Minha Torcida e Esportelândia. Na Trivela, é redator de futebol nacional e internacional.
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