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Fifa suspende novo Regulamento de Agentes de Futebol e cria caos às vésperas da janela de transferências

A Fifa cancelou temporariamente o Regulamente de Agentes de Futebol a nível global e atrapalhou os planos dos clubes no mercado

A chegada de 2024 é muito aguardada também pelo futebol, já que o dia 1 de janeiro também significa a reabertura da janela de transferências. Os clubes querem se reforçar e fazer negócios no mercado visando seus objetivos na temporada. Entretanto, uma bomba pegou todos de surpresa neste sábado (30), já que a Fifa suspendeu o novo Regulamento de Agentes de Futebol.

No final do ano passado, a entidade máxima do esporte introduziu novas regras para melhorar o padrão dos empresários, abordando questões como corrupção, tráfico de atletas e outras atividades ilegais. Além disso, o Regulamento de Agentes de Futebol da Fifa (FFAR) limitou a comissão dos profissionais a 10% por transferência, além de passar o custo das taxas de serviços para os próprios jogadores representados, e não para os clubes envolvidos, como era antigamente.

Contudo, a Fifa cancelou temporariamente as novas medidas após um tribunal alemão ter decidido que uma liminar no país se aplicava a toda União Europeia, o que forçou a entidade a voltar atrás na regulamentação dos agentes. A suspensão global foi resultado de uma discrepância entre a situação dos europeus em relação ao resto do mundo, que poderia ser afetado pela definição da Justiça da Alemanha.

O problema é que as federações têm trabalhado num novo sistema de licenciamento desde o início de 2023, já que o Regulamento de Agentes de Futebol entrou em vigor oficialmente em outubro, quando se encerrou o período de transição.

Ou seja, a suspensão das novas medidas pode colocar possíveis grandes contratações em risco, já que os clubes tentam descobrir qual sistema se aplica e quais documentos devem ser feitos agora, poucos dias antes da janela de transferências de janeiro de 2024. As informações são do jornal britânico The Independent.

O que o Regulamento de Agentes de Futebol da Fifa previa?

O Regulamento de Agentes de Futebol da Fifa alterou os incentivos dos empresários, pois penalizava as transferências excessivas ou por valores exorbitantes. Em contrapartida, recompensava àqueles que fechavam salários mais altos para seus clientes.

Antes da nova medida, os agentes recebiam comissões altas por cada transferência, o que servia como um incentivo para alguns deles pressionar jogadores a mudar de clube frequentemente, mesmo que esse não fosse o desejo do atleta. Com a regulamentação, as comissões dos empresários se vincularam diretamente aos salários de seus clientes.

Só que, 36 horas antes da reabertura da janela, a Fifa emitiu um comunicado às federações-membros anunciando o cancelamento temporário do Regulamento de Agentes de Futebol devido a uma decisão liminar do Tribunal de Dortmund, que solicitava a suspensão de elementos fundamentais das novas regras.

Entre eles estavam o teto salarial, o pagamento de taxas de serviços, uma regra que exige que os próprios clientes paguem seus representantes e uma proibição de dupla representação. Em dezembro, outra corte alemã declarou que a liminar de Dortmund poderia se estender por toda União Europeia, fazendo a Fifa recuar.

A entidade máxima do futebol promete recorrer e espera uma decisão final no primeiro semestre de 2024. Ainda de acordo com o The Independent, a suspensão do FFAR não foi bem recebida por figuras importantes do esporte, que descreveram todo o imbróglio judicial da Fifa como uma “completa bagunça”.

Mais do que as considerações de qual sistema se aplica na reabertura da janela de transferências, vários clubes costuraram acordos presumindo que algumas reformas já estariam em vigor a partir de janeiro – o que não vai acontecer. O cancelamento temporário do Regulamento de Agentes de Futebol da Fifa afeta, especialmente, os times que estão próximos dos limites do Fair Play Financeiro.

Foto de Matheus Cristianini

Matheus CristianiniRedator

Jornalista formado pela Unesp, com passagens por Antenados no Futebol, Bolavip Brasil, Minha Torcida e Esportelândia. Na Trivela, é redator de futebol nacional e internacional.

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