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A Copa das Confederações já tem sua maior cena – gigante pela ternura e pela importância

Duas imagens belíssimas marcaram a rodada da Copa das Confederações nesta quarta-feira. A primeira, vivida por Cristiano Ronaldo, mas não apenas por ele. O capitão da seleção portuguesa entrou em campo para o jogo contra a Rússia de mãos dadas com Polina Haeredinova, uma garotinha cadeirante de 10 anos. Os dois não esconderam os sorrisos e protagonizaram diversas cenas ternas. O melhor ficou para a saída da menina, recebendo um beijo e o casaco do craque. Empatia que se repetiu mais tarde, antes da partida entre México e Nova Zelândia. Dono da braçadeira de El Tri, Diego Reyes acompanhou Gera Aristova, outra jovem torcedora em cadeira de rodas.

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Ao site da Fifa, Polina reafirmou toda a sua alegria, especialmente ao ser surpreendida com o presente: “Eu não poderia esperar que seria uma experiência tão boa. Cristiano Ronaldo foi sensacional. Ele me deu o seu casaco e me beijou para dar sorte. Eu estava no meio de emoções inacreditáveis, torcendo pela Rússia. Nunca experimentei nada assim em minha vida”. Euforia expressa em todas as reações da menina, e também nas de Gera, em Sochi.

Todos os quatro jogos da segunda rodada da Copa das Confederações terão filas de jogadores puxadas por crianças em cadeiras de rodas. A atitude de integrar mascotes com deficiências não é nova em competições da Fifa – basta lembrar o que aconteceu na Copa do Mundo de 2014, quando Mark Bresciano amarrou as chuteiras de um menino de muletas, ou nas Eliminatórias do mesmo Mundial, quando 11 crianças portadoras da Síndrome de Williams deram as mãos aos jogadores da Suécia. Desta vez, a entidade aproveita a Copa das Confederações para enfatizar a integração, e merece muitos aplausos por isso. Convivência e solidariedade que ajudam a gerar diversas reflexões. E a discussão pode mesmo se ampliar, incluindo a própria acessibilidade aos estádios, um tema muitas vezes negligenciado por clubes e federações.

Mais de 350 crianças participarão da Copa das Confederações como mascotes. Segundo a Fifa, metade delas vem de orfanatos, programas sociais e famílias de baixa renda. Oportunidade que muda não só a vida desses pequenos, como também impacta em milhões de pessoas ao redor do mundo. A solidariedade e a conscientização prevalecem.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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