Eliminatórias da CopaEuropa

Tente torcer para Portugal depois da história deste garoto

Suécia e Alemanha fizeram um baita jogo na última semana, pelas Eliminatórias da Copa. Foram oito gols em Solna, com vitória do Nationalelf por 5 a 3 e atuação de gala André Schürrle. No entanto, enquanto a bola ainda não rolava, outra história ocorrida naquela noite é ainda mais importante que a virada dos alemães ou a passagem dos suecos à repescagem, onde enfrentarão Portugal. Ela foi protagonizada pelo meia Kim Källström e por Max, menino de oito anos que o acompanhou como mascote na entrada em campo.

Onze crianças com Síndrome de Williams foram escolhidas para ficar ao lado dos jogadores suecos no jogo decisivo. A doença é caracterizada por dificuldades intelectuais de seus portadores, com problemas na aprendizagem e algumas características do autismo. Källström, porém, demonstrou um carinho acima do comum com Max. Os gestos mereceram até mesmo uma carta de agradecimento do pai de Max, que teve trechos publicados pela imprensa sueca. Nada mais simbólico para um estádio chamado ‘Friends Arena’.

“Por causa de suas ações, Kim, meu filho pôde experimentar exatamente o mesmo que qualquer um: o orgulho, o sentimento de ser especial, o ‘eu fiz isso’ e o prazer”, afirmou Emil, o pai de Max. “Estou escrevendo porque não estou totalmente certo se você tem noção da diferença que realizou para nós. Na terça, meu filho fez algo realmente especial ao se concentrar por 15 minutos e sentir o nervosismo, bem como por sentir a alegria de conhecer a seleção”.

“Eu vi que você estava envolvido, escolheu apoiar Max, notou seus medos e agiu. Sua decisão em se agachar mandou a ele várias mensagens boas, fez a diferença para Max entre o sucesso e o fracasso. O que você fez durante oito minutos dará a ele meses de orgulho, memórias para o resto da vida e a sensação de que ele conseguiu. Por isso eu digo: muito obrigado, do fundo do meu coração. Agora eu tenho alguém em casa com uma camisa da seleção que se acha uma celebridade e você tem grande responsabilidade por isso”, complementou.

Em entrevista, Källström também falou sobre a satisfação de ajudar Max: “Logicamente fico feliz que o pai de Max tenha apreciado o que fiz, mas o mais gratificante é que, apesar do ligeiro nervosismo do garoto no túnel, pudemos juntos tornar essa experiência muito positiva. Em uma situação dessa, eu ajo mais como um vizinho ou um pai do que como um jogador de futebol. Eu sei que tenho responsabilidade junto aos pais nesses casos. Tento ser calmo e confortante, o que geralmente agrada as crianças”.

Källström parece ter agido naturalmente. Brincou com o mascote e lhe deu atenção, como muitos atletas costumam fazer. Entretanto, o caráter especial da ocasião ajuda a história a repercutir, somado à gratidão dos pais de Max e aos efeitos da atitude do meia sobre o garoto. E mostram como a responsabilidade e a representatividade dos jogadores de futebol têm um poder transformador, mesmo em pequenas oportunidades. Em novembro, não há dúvidas de qual será o jogador favorito de Max para marcar o gol da classificação sueca à Copa, contra os portugueses.

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A dica da história é do 101 Great Goals.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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