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Chefe de inspeção das Copas de 2018 e 2022 teria recebido favores pessoais do Catar

Os questionamentos quanto à escolha do Catar como sede da Copa do Mundo de 2022 ganharam mais um capítulo nesta segunda-feira. Segundo a agência de notícias Press Association, um relatório do Comitê de Ética Independente da Fifa teria revelado que Harold Mayne-Nicholls, que liderou a inspeção no país – e também na Rússia para o Mundial de 2018 -, teria exigido favores pessoais do país, como a inclusão de seu filho e de seu sobrinho em uma academia esportiva catariana de renome e oportunidades de emprego como instrutor de tênis para um cunhado.

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Ex-presidente da Federação Chilena de Futebol, Mayne-Nicholls foi o responsável por chefiar a inspeção à Rússia e ao Catar em dezembro de 2010, antes do processo de votação das sedes das Copas de 2018 e 2022. Um e-mail enviado ao chileno, pelo presidente do Comitê de Ética, Cornel Borbely, afirmava que Mayne-Nicholls havia entrado em contato com Andreas Bleicher, da equipe de candidatura catariana e um dos diretores da prestigiada Aspire “logo após a inspeção e antes da emissão do relatório de avaliação do Catar”, pedindo uma vaga para seus familiares na academia.

Mayne-Nicholls, que recentemente revelou sua intenção de concorrer com Blatter ao posto de presidente da Fifa (embora não tenha ido muito além desta declaração), comentou no mês passado as informações de que estaria sendo investigado por causa da escolha das sedes. Tranquilo, afirmou: “Não acho que seja porque eu talvez concorra (à presidência). Acho que é o porque o comitê de ética precisa ter uma imagem muito clara sobre tudo que aconteceu nas propostas de 2018 e 2022. Eu estou relaxado quanto a isso porque se eles estão investigando algo tão pequeno, então eu imagino como eles estão investigando as coisas grandes e reais, e isso nos dará transparência”.

A informação dos supostos favores recebidos por Mayne-Nicholls é a mais profunda a vir à superfície em relação ao dirigente, e por enquanto não acarretou em problema algum. Mas, como cada um dos capítulos de suspeita de corrupção no processo de escolha das sedes, contribui com a degradação da imagem de um torneio a anos de ser realizado, mas já cercado de polêmicas.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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